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Em busca de diferencial, Petrovina traz semente carbono zero ao mercado

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RONDONÓPOLIS (MT)* — Sustentabilidade e rentabilidade andam de mãos dadas no agronegócio? Para a Petrovina, sementeira mato-grossense fundada por Carlos Ernesto Augustin, a resposta é sim, mesmo num momento de margens apertadas na indústria de multiplicação de sementes.

É nesse cenário que a Petrovina tenta se diferenciar. Depois de três anos investindo em práticas sustentáveis, a sementeira trouxe ao mercado a primeira semente de soja carbono zero do Brasil.

O lançamento foi apresentado a 300 produtores em quatro eventos realizados no Mato Grosso ao longo da semana passada. O diálogo é o primeiro passo para chegar à meta de fazer essa semente alcançar de 20% a 25% do total de vendas ao longo dos próximos três anos.

Na última safra, a Petrovina vendeu 1,3 milhão de sacas, produzidas a partir do plantio de 15 mil hectares próprios e outros 85 mil hectares de produtores parceiros (chamados de cooperados, que produzem via contratos de longo prazo).

A semente com o selo carbon free será ofertada dentro das linhas Prime e Prime Tech. São os produtos de maior valor agregado dentro do portfólio, com um vigor de germinação acima de 95% — ante 90% do padrão de mercado.

O produto não vai ter um diferencial de preço em relação ao praticado dentro dessas categorias “premium” da Petrovina, mas coroa um esforço que vem desde 2023 rumo a mapear práticas sustentáveis dentro da empresa.

“Nossa visão de sustentabilidade é cérebro, coração e bolso”, resumiu Celso Fugolin, CEO da Petrovina, em entrevista ao The AgriBiz.

Apesar de não ter um diferencial de preço, o esforço para tornar a companhia mais sustentável se paga, trazendo ganhos que permeiam toda a operação. Entre eles, estão a redução de acidentes, retenção de colaboradores e o engajamento com a comunidade, disse Fugolin.

Os investimentos começaram por causa do esforço da sementeira em medir o próprio consumo de carbono para se conseguir o RTRS, certificação europeia que assegura que a soja e o milho sejam produzidos sem desmatamento ou conversão de áreas de vegetação nativa.

O investimento para se credenciar ao protocolo, incorporando as práticas necessárias nos 15 mil hectares próprios, se pagou em três anos. Com os créditos gerados a partir da certificação RTRS, a Petrovina tem uma receita de R$ 900 mil a R$ 1 milhão por ano.

Vencida essa primeira etapa, a empresa colocou investimentos na direção do carbono, seguindo o protocolo GHG da FGV (uma referência nesse quesito) e a auditoria da SGS sobre esses débitos de carbono (também um auditoria de referência no setor).

Com isso, foi possível passar a compensar os débitos comprando créditos de carbono no mercado. Para lançar a semente, a Petrovina se comprometeu também a reduzir periodicamente as próprias emissões de carbono, num esforço contínuo.

Agora, a tarefa é passar a visão ao agricultor de que todo esse esforço vale a pena — por mais que não leve a um prêmio ou a uma receita adicional de bate-pronto.

“É um caminho que hoje parece distante ou futurista, mas temos uma consciência de que em cinco anos vai ser uma condição básica para estar no mercado”, afirmou  Fugolin.

Na visão dele, quem tiver práticas sustentáveis vai conquistar ao longo do tempo a preferência dos compradores. Num paralelo com a pecuária, uma mudança para trazer algo similar ao que acontece com o “Boi China”.

“Vejo que vai acontecer a mesma coisa com as demais commodities, porque aconteceu isso também com o algodão. Quando começou a ter certificados, o Brasil abriu muito mercado com isso e o produtor se beneficiou”.

Hub de produtos e serviços

O lançamento da semente carbono zero da Petrovina é mais uma iniciativa para sair fortalecida da crise que atingiu as sementeiras, derrubando a margem Ebitda do setor em geral de 31% (em 2022/23) para 10,6% na temporada 2025/26 – a expectativa é de um pequeno alívio nesta safra, chegando a 15%.

Para escapar do cenário adverso, uma saída para os sementeiros é passar a se ver (e atuar) como um hub de produtos e serviços, defende Fugolin.

“Quando nós lançamos uma semente carbono zero, rastreada, é um diferencial. Quando damos crédito ao produtor, é um diferencial. Quando temos centros de distribuição na ponta para deixar a semente gelada, é um diferencial. Uma empresa de 40 anos é um diferencial”, ressaltou o CEO.

Na última safra, a Petrovina teve uma receita bruta na casa dos R$ 542 milhões e disponibilizou R$ 100 milhões em crédito aos produtores para quem vende. Em sua maioria, relações de longa data, com produtores de dois mil a três mil hectares e tíquete médio na casa dos R$ 450 mil.

A inadimplência ficou na casa de 0,5%, o que o executivo atribuiu à experiência na concessão de crédito e ao conhecimento dos clientes.

Diante da tempestade perfeita pela qual o setor passa, o executivo defende uma revisão das cotas fornecidas pelos próprios obtentores (companhias como a GDM, que lidera o mercado) para os sementeiros.

Uma revisão das cotas poderia representar uma correção à expansão desenfreada dos anos anteriores, quando muitos entrantes passaram a produzir sementes inundando o mercado sem uma demanda correspondente.

Enquanto o plantio de soja cresceu de 2% a 3% ao ano, o aumento nas cotas foi da ordem de 30%, gerando um excesso de oferta no mercado.

*A jornalista viajou a convite da Petrovina



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