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ação cai 21% no ano e desconto em relação à matriz atinge recorde

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Bloomberg — As ações do Santander Brasil (SANB11) caíram 21% neste ano, o pior desempenho entre os maiores bancos do país, enquanto os papéis do grupo todo na Espanha sobem cerca de 24%, elevando o prêmio da matriz sobre a filial em métricas de valor a um recorde.

A relação entre o preço de mercado da unidade brasileira e seu valor patrimonial por ação vem caindo, aumentando a diferença com a matriz para o maior nível desde a listagem do Santander Brasil, em 2009.

O prêmio cresce desde o começo de 2025, quando as conversas mais recentes sobre um possível fechamento de capital da unidade brasileira vieram à tona.

“Quando eu olho para o diferencial de valuation entre os dois bancos, vis a vis o que aconteceu no passado, eu não descarto uma tender offer”, Thiago Batista, analista do UBS BB, disse em entrevista.

O prêmio recorde levou alguns analistas a discutirem uma possível retirada do Santander Brasil da bolsa na primeira metade de 2025, em um momento em que outras empresas, como o Atacadão, tiveram o capital fechado por causa de ações baratas.

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“Com múltiplos descontados, apenas 10% de ações em circulação (free float) e forte geração de capital pelo Grupo Santander, o movimento seria viável financeiramente”, escreveu Eduardo Nishio, analista da Genial Investimentos, em um relatório em junho de 2025.

Uma possível tentativa teria precedente. O Santander tentou deslistar a subsidiária por meio de uma troca por ações da matriz em 2014, quando a diferença entre os múltiplos atingiu um recorde.

A deslistagem não aconteceu devido à adesão apenas parcial dos acionistas minoritários. Com isso, cerca de 10% das ações do banco continuaram no mercado, com um valor atual de cerca de R$ 10,6 bilhões.

Desde então, a matriz trouxe vários negócios para o próprio balanço, inclusive a Getnet, empresa de maquininhas que saiu da bolsa brasileira em 2022 apenas 14 meses após a listagem.

Além disso, também fechou o capital do negócio de financiamento ao consumidor nos Estados Unidos em 2021, e da unidade mexicana em 2023.

Neste ano, o Grupo Santander integrou o banco britânico TSB, que comprou por 2,65 bilhões de libras, e anunciou em fevereiro a compra da americana Webster Financial por US$ 12,2 bilhões.

O fluxo de atividade deixou alguns investidores céticos quanto à possibilidade de que um fechamento de capital no Brasil faça parte dos planos a curto prazo, adicionando pressão aos papéis da unidade.

Leia também: Santander supera dona da Zara e volta a ser empresa mais valiosa da Espanha após 8 anos

“Não acho que o timing seja o ideal, com o banco focado neste momento em integrar as aquisições da TSB e da Webster”, disse Nuria Alvarez, analista do Renta 4 Banco em Madri, adicionando que uma possível operação futura não pode ser descartada.

O banco também não mostra muito entusiasmo.

“A gente não pensa nisso”, o então presidente do Santander Brasil, Mario Leão, disse em uma coletiva de imprensa em fevereiro, quando perguntado sobre a possibilidade de um fechamento de capital.

Representantes do banco na Espanha e no Brasil não responderam a um pedido de comentário para esta reportagem.

O Santander se tornou o banco mais valioso da Europa continental, com o lucro atingindo recordes. Ao mesmo tempo, o Santander Brasil foi pressionado pela piora nas condições de crédito na maior economia da América Latina, em que fintechs com modelos de atendimento de baixo custo estão pressionando os bancos tradicionais.

O Santander Brasil tem mais exposição ao financiamento ao consumo que os pares locais, o que significa que seus resultados são mais sensíveis aos juros historicamente altos do país e também à inflação.

Leia também: Economista Ana Paula Vescovi deixa o Santander Brasil após sete anos

“O Santander tem uma dinâmica de inadimplência pior que as dos demais bancos”, disse Batista, do UBS BB, adicionando que o banco freou a expansão de crédito antes dos rivais. A desaceleração deveria ter melhorado os resultados, mas não o fez, disse ele. Os índices de inadimplência acima de 90 dias do banco subiram de 2,8% para 3,3% nos 12 meses encerrados em março, de acordo com o balanço do primeiro trimestre.

A rentabilidade está atrás da registrada no restante do grupo, com o retorno sobre o patrimônio líquido tangível em 14,8% no primeiro trimestre, comparado com 26% da unidade da Espanha e 15,2% no grupo como um todo. A meta de médio prazo do Santander para o Brasil é 20%.

Rentabilidade do Santander Brasil está abaixo do grupo | Retorno também fica abaixo de meta de médio prazo para o país, de 20%

O movimento de saída de executivos do banco adicionou percepção negativa. O diretor financeiro Gustavo Alejo saiu no começo do ano e vai assumir a mesma posição na maior corretora do país, a XP. Christian Egan, que chefiava o banco de atacado e de investimento, deixou o posto meses após substituir Renato Ejnisman.

Leão também acaba de sair, sendo substituído por Gilson Finkelsztain, o ex-presidente da B3.

Leão, nome experiente no segmento de atacado, assumiu como presidente do Santander no começo de 2022. Naquele momento, o banco vinha dos anos de maior rentabilidade no Brasil.

Mas o mercado mudou desde então. Fintechs como o Nubank prosperaram com estratégias que incluem emitir cartões de crédito para consumidores que antes não estavam no sistema financeiro ou não tinham acesso à maior parte dos serviços bancários.

Em resposta, o banco fechou agências, simplificou a oferta de produtos e reduziu pessoal. Nos 12 meses até março, o Santander Brasil demitiu cerca de 6.200 pessoas, ou 11% da equipe que mantinha, mais do que outros grandes bancos no Brasil. Cerca de metade dos fechamentos de agência feitos no mundo no período aconteceram no país. O banco também buscou aumentar receitas com serviços e reduzir a preponderância do crédito em seus resultados.

Ainda assim, o Brasil tem mais de um quarto da força de trabalho global do Santander, refletindo o peso que possui nas receitas do grupo.

O Brasil ainda tem importância estratégica e o grupo indicou que pode trazer uma “surpresa positiva”, analistas do Oddo BHF SCA disseram em um relatório de 24 de junho. Ainda assim, os analistas disseram que permanecem dúvidas sobre a capacidade do banco de voltar à meta de 20% de retorno sobre o patrimônio que estabeleceu para o médio prazo dada a forte competição local.

Do lado da liderança em Madri, o presidente Hector Grisi disse que espera que os esforços de reestruturação gerem frutos em breve, incluindo um redirecionamento de capital para consumidores de maior renda e para grandes empresas.

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