A Infant.ID é uma empresa brasileira que faz identificação biométrica de crianças de 0 a 7 anos. Criada em 2016, sua tecnologia difere da biometria tradicional para poder detectar as nuances dos dedos de bebês, possui certificação do FBI e da agência de inovação norte-americana NIST. A solução soma mais de 320 mil biometrias realizadas desde o seu surgimento.
Para fazer a leitura das impressões dos dedos de um bebê ou de uma criança, o equipamento conta com resolução de 5 mil DPI. A quantia multiplica por dez o padrão de 500 DPI presente em leitores de documentos de indivíduos na fase adulta.
Para o processamento dos dados, o produto junta o hardware de captura a um software. Sobre a viabilidade da leitura, o representante da empresa explica o conceito: “O padrão já está lá, ele só basicamente muda de escala ao longo da vida”.
“Desenvolvemos todo o projeto do produto no Brasil, desde o hardware até o desenho e a codificação do software. Patenteamos e produzimos localmente. É uma empresa 100% brasileira”, resume José Ricardo Tobias, diretor-executivo da Infant.ID em conversa recente com Mobile Time.

José Ricardo Tobias, diretor-executivo da Infant.ID. Crédito: divulgação
A montagem do leitor e a escrita do software acontecem no município de Pato Branco/PR. No território do Brasil, a operação ocorre em nove unidades da federação, entre elas, no Piauí.
Modelo de negócios da Infant.ID
A empresa estrutura seus negócios a partir de três modelos de comercialização:
– aluguel;
– cobrança por captura biométrica;
– ou a venda tradicional da solução.
O pacote da tecnologia inclui o equipamento físico de leitura (scanner), a licença de funcionamento (SDK) e o software com a tela de captura. A escolha do formato varia de acordo com a disponibilidade de recursos e a estrutura financeira do cliente.
O uso do sistema possui divisão em duas frentes: unidades de saúde, como hospitais e maternidades, e órgãos de governos, como os institutos de identificação.
Nas maternidades, o objetivo de segurança estabelece o vínculo da mãe com o bebê minutos após o parto. No setor de governos, a coleta inicia a jornada de registro de pessoas nos institutos de identificação.
Em órgãos públicos e institutos de identificação, a empresa foca no modelo B2G, com negociações direcionadas às secretarias estaduais de Segurança Pública e aos institutos de identificação.
A solução é integrada aos postos oficiais de emissão de documentos, como Detran e Poupatempo. O objetivo é permitir o registro civil e a emissão da Carteira de Identidade Nacional (CIN) para crianças de zero a 7 anos. O sistema da InfantID realiza apenas a coleta e o cadastro da biometria, enquanto a custódia, o tratamento e o armazenamento das informações ficam sob responsabilidade dos órgãos públicos de cada Estado. A contratação governamental da tecnologia ocorre via processos de licitação ou por inexigibilidade (quando a contratação é inviável por meio de competição entre fornecedores, seja por exclusividade do produto/serviço, seja pela notória especialização de um profissional).
No caso de hospitais e maternidades da rede pública, o leitor biométrico opera conectado por meio de um cabo a computadores de mesa, notebooks ou tablets. O software possui uma interface simplificada para o uso por enfermeiros e técnicos de enfermagem, que realizam a captura. Nas redes estaduais de saúde, como acontece na operação no Piauí, a coleta atende a dois propósitos paralelos. O primeiro é garantir a “alta segura”, validando a biometria da mãe com a do recém-nascido no momento do parto e na saída da maternidade, o que impede a troca de bebês. O segundo é aproveitar essa mesma captura hospitalar para inserir a criança na base de dados de identificação civil do Estado.
E, em redes privadas e saúde suplementar, a InfantID oferta o leitor para maternidades e operadoras de planos de saúde. Além de substituir e adicionar confiabilidade aos métodos de controle antigos, como pulseiras, o registro da biometria protege operadoras e clientes ao assegurar a identificação exata da criança como segurada do plano de saúde.
Expansão
A Infant.ID tem perspectivas de acelerar sua expansão para o exterior e o Uruguai será o primeiro país a receber sua tecnologia depois da assinatura e contrato de uso do sistema por meio do órgão de identificação de cidadãos do governo uruguaio. O plano traça a implementação do leitor em todas as maternidades do país vizinho até o fim deste ano.




