A Matera divulgou um plano estratégico para adaptar 100% de suas soluções aos padrões de criptografia pós-quântica (PQC) até 2029. A iniciativa antecipa um debate que já ganha espaço entre reguladores, grandes instituições financeiras e empresas de tecnologia diante dos potenciais impactos da computação quântica sobre os sistemas de segurança digital usados atualmente.
O trabalho começa pela atualização de arquitetura e pela revisão dos protocolos criptográficos das soluções de core banking e de meios de pagamento da companhia — incluindo o Pix. O objetivo é garantir que os sistemas que processam bilhões de reais todos os dias estejam preparados para um cenário em que o avanço da capacidade computacional possa comprometer métodos de criptografia amplamente utilizados hoje, como RSA e ECC.
A decisão acompanha uma preocupação que já mobiliza as maiores potências tecnológicas do mundo. O Google trabalha com um horizonte de cerca de três anos para migrar seus sistemas a algoritmos resistentes à computação quântica, enquanto os Estados Unidos aceleram investimentos no setor. Órgãos americanos de segurança e padronização, como NIST, NSA e CISA, já orientam indústrias críticas a iniciar seus planos de transição algorítmica o quanto antes — inclusive porque dados capturados hoje podem ser armazenados para descriptografia no futuro, quando a tecnologia amadurecer.
“Estamos provocando o setor a se proteger hoje. A transição para mitigar as ameaças da computação quântica leva anos. Não estamos apostando se a tecnologia vai vingar, estamos garantindo que a nossa infraestrutura mantenha os clientes seguros, aconteça o que acontecer.” , afirma Carlos Netto, CEO e cofundador da Matera.
O plano técnico da Matera combina duas frentes. A primeira é a adoção dos algoritmos já reconhecidos pela indústria — como o ML-DSA (padronizado pelo NIST), voltado às assinaturas digitais que garantem a autenticidade de transações e mensagens. A segunda, tão importante quanto, é manter os sistemas flexíveis: em vez de dimensioná-los apenas para os cerca de 2.420 bytes da assinatura deste algoritmo, a companhia já prepara suas estruturas para acomodar assinaturas de qualquer tamanho, caso novos padrões venham a exigir.
A estratégia também se antecipa a uma mudança nos critérios de governança, compliance e contratação técnica do setor: a avaliação da companhia é que, em poucos anos, grandes bancos e fintechs passarão a exigir de seus parceiros de tecnologia planos claros de adaptação pós-quântica – movimento semelhante ao já observado em agendas como Open Finance, LGPD e os requisitos crescentes de cibersegurança para fornecedores críticos.
Estimativas do banco Jefferies indicam que o mercado ligado à computação quântica pode movimentar US$ 195 bilhões até 2040, impulsionado sobretudo pela necessidade de remodelar a segurança digital e as grandes estruturas de processamento de dados. Para a Matera, porém, o primeiro grande impacto dessa transformação sobre o setor financeiro deve ocorrer menos na experiência do usuário e mais na proteção da infraestrutura que sustenta bancos, pagamentos e transações digitais.
“A transição criptográfica de sistemas bancários complexos e de altíssima escala não acontece da noite para o dia: exige anos de engenharia rigorosa e governança sólida”, explica Ricardo Chisman, presidente da Matera. “Trazer essa meta para 2029 é um compromisso com a robustez e a perenidade das operações dos nossos clientes. Em algum momento, fornecedores sem uma estratégia de adaptação poderão simplesmente deixar de atender aos critérios mínimos de compliance exigidos pelos bancos. Quem só iniciar essa migração quando o ecossistema local passar a cobrar vai, fatalmente, entrar atrasado. Nosso papel como parceiro estratégico é garantir resiliência e continuidade operacional de longo prazo para o sistema financeiro — hoje e nas próximas décadas”, conclui.




