Bloomberg Línea — A desvalorização do dólar em relação a outras moedas globais, somada aos altos preços das matérias-primas, configura um cenário macroeconômico favorável para a América Latina, especialmente para os países andinos, de acordo com uma análise apresentada pelo Citi.
“O dólar fraco funciona como um vento a favor para nossas economias, mantendo nossas moedas estáveis e até mesmo se fortalecendo”, afirmou Ernesto Revilla, economista-chefe para a América Latina do Citi, durante a apresentação virtual do Economic Outlook.
Segundo o Citi, entre os fatores que explicam a resiliência da economia latino-americana diante dos choques externos, destaca-se a fraqueza do dólar.
A desvalorização do dólar americano contribuiu para o fortalecimento das moedas locais e, juntamente com os altos preços das matérias-primas, criou um ambiente macroeconômico favorável para as economias exportadoras da região, ao melhorar seus termos de troca.
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“O dólar, como moeda, perdeu pouco mais de 10% no último ano e meio. E o contraponto ao dólar fraco, como sempre comentamos, são as moedas emergentes latino-americanas fortes”, observou Revilla na apresentação.
Esse contexto explica por que moedas como o peso colombiano, o peso mexicano e o real brasileiro permanecem fortes, mesmo em meio a episódios de incerteza política e econômica em nível local.
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De acordo com as projeções do Citi, esse cenário deve persistir nos próximos 12 a 18 meses. “Acreditamos que o dólar continuará fraco, pelo menos no curto e médio prazo, e que isso continuará sendo um fator favorável para as moedas latino-americanas”, observou Revilla.
Estas são as projeções para o preço do dólar na América Latina em 2026 e 2027:
- Brasil: 2026: R$ 5,31 por US$1 | 2027: R$5,43 por US$1.
- México: 2026: MXN$ 17,4 por US$1 | 2027: MXN$18,7 por US$1.
- Argentina: 2026: ARS$ 1,676 por US$ 1 | 2027: ARS$ 1,977 por US$ 1.
- Chile: 2026: CLP$ 892 por US$ 1 | 2027: CLP$ 907,7 por US$ 1.
- Colômbia: 2026: 3.527 COP por US$ 1 | 2027: 3.746 COP por US$ 1.
- Peru: 2026: S/3,45 por US$1 | 2027: S/3,55 por US$1.
- Uruguai: 2026: 42,5 UYU$ por 1 US$ | 2027: 44,2 UYU$ por 1 US$.
- Costa Rica: 2026: CRC₡ 473,7 por US$1 | 2027: CRC₡490,3 por US$1.
- República Dominicana: 2026: RD$ 63,9 por US$1 | 2027: RD$65,9 por US$1.
Moedas que mais se valorizaram e se desvalorizaram em relação ao dólar
No que vai de 2026, o peso colombiano se consolida como a moeda com melhor desempenho da América Latina em relação ao dólar, com uma valorização de 14,60%, de acordo com dados da Bloomberg.
Vêm em seguida o colón da Costa Rica (10,17%), o guaraní do Paraguai (8,58%), o peso dominicano (7,44%), o real brasileiro (6,95%), o peso mexicano (2,64%) e o quetzal guatemalteco (0,54%).
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Em contrapartida, as moedas que mais se desvalorizaram em relação ao dólar são o peso uruguaio (-3,22%), o peso chileno (-2,80%), o peso argentino (-2,43%), o lempira hondurenho (-1,69%) e o sol peruano (-1,13%).
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No que vai do início do mês (de 1º a 9 de julho), o peso colombiano também lidera os ganhos entre as moedas latino-americanas, com uma valorização de 2,28% em relação ao dólar.
Em seguida, vêm o real brasileiro (1,70%), o sol peruano (0,49%), o peso dominicano (0,41%), o peso argentino (0,11%), o colón costarriquenho (0,10%), o guaraní paraguaio (0,09%), o peso mexicano (0,07%), o quetzal guatemalteco (0,04%) e o peso uruguaio (0,01%).
Por outro lado, o lempira hondurenho registrou uma desvalorização de 0,05% e o peso chileno, de 0,09%, segundo a Bloomberg.
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