Por conta de uma forte demanda notada nos primeiros meses de 2026, a Lyra M2M está fazendo uma transição de mercado convencional de telemetria para o videomonitoramento. A mudança amplia o conjunto de ferramentas e possibilidades, como o acompanhamento por imagens ao vivo, produção de dados estatísticos e provas periciais. O novo formato promove um outro movimento: o incremento do tíquete médio, que sobe significativamente, assim como a demanda por tráfego de dados de alta capacidade. Com isso, a empresa prevê crescimento de 200% até o final do ano.
Entre os clientes especialistas em serviços de rastreamento que passaram a ter videomonitoramento neste período de demanda estão: Tecno Mobile, Atos, JHT, Alvos Monitoramento e Bluelock Tech. Vale dizer que a Lyra M2M é uma empresa global voltada ao mercado de pagamentos para bancos, varejistas, bandeiras de cartões e adquirentes. Possui uma divisão de Internet das Coisas, focada em conectividade, onde a telemetria e o videomonitoramento estão.
A transformação de tecnologia pretende levar algumas melhorias e mudanças ao mercado. Entre elas:
– Profundidade dos dados (do mapa para a inteligência de comportamento): A telemetria tradicional se baseia em soluções de entrada que fornecem dados simples de localização em um mapa, apontando latitude, longitude e velocidade do veículo. O videomonitoramento, por outro lado, permite um diagnóstico complexo do que acontece dentro e fora do veículo, possibilitando identificar se o motorista está com sono, usando o celular, desatento ou fumando.
– Equipamentos utilizados: O rastreamento convencional exige dispositivos básicos, mas as soluções de videomonitoramento integram câmeras inteligentes internas e externas, microfones embutidos e sensores como os de fadiga, proximidade, temperatura e umidade.
– Geração de provas e validade legal: A telemetria antiga limitava-se a registrar rotas. As gravações em vídeo atuais têm validade legal e geram provas periciais. Isso isenta motoristas ou empresas de culpa em acidentes causados por terceiros e serve como evidência da conduta ao volante.
– Uso em segurança pública e tempo real: A transmissão de imagens tornou o serviço atrativo não apenas para o setor privado, mas para o governo. O videomonitoramento hoje é usada por policiais e guardas municipais por meio de body cams, permitindo que centrais de comando tomem decisões e orientem agentes de segurança de forma praticamente simultânea durante operações ou grandes eventos, com latência inferior a um segundo, além de ser um instrumento de prova.
As diferenças entre o convencional e o videomonitoramento
Outro ponto da mudança é que, se o serviço convencional usava principalmente as redes 2G e um pacote de dados por volta de 20 MB, o videomonitoramento precisa de redes mais robustas, como 4G e 5G. Ela deve ter alta capacidade para suportar o tráfego mais intenso de dados dos vídeos em alta resolução, que devem ir direto para uma nuvem.
“Ao mesmo tempo em que representa uma oportunidade de mercado, o aumento da franquia de dados é um desafio comercial e de engenharia. Ter uma plataforma de gestão de SIMCards eficiente e moderna associada à alta qualidade de rede e atendimento é requisito fundamental para o sucesso nessa evolução”, explica Samuel Honorato, diretor de tecnologia da Lyra em conversa recente com Mobile Time.
Em compensação, apesar de necessitar de uma infraestrutura mais robusta, esta nova forma de monitoramento elevou o tíquete médio para a faixa de R$ 100 (cerca de US$ 20), enquanto a telemetria convencional parava entre US$ 4 e 5 mensais (entre R$ 20 e R$ 25), e, por isso, precisava focar em alto volume de clientes. Isso permitiu que o mercado gerasse até cinco vezes mais valor financeiro, possibilitando que as empresas multipliquem seu faturamento sem a necessidade de aumentar o tamanho da base de clientes na mesma proporção.
“Houve uma evolução no tíquete médio em toda a cadeia. As empresas que atuam fazendo videomonitoramento, que hoje dão inteligência para esse tipo de serviço, conseguem ter um tíquete médio mais alto e, consequentemente, a gente consegue também, por conta do equipamento, que é mais sofisticado. E se, antes, a gente focava muito em volume, em milhões de unidades, hoje, a gente foca muito mais em negócio e fala em milhões de reais, e fala muito mais em qual é o tíquete médio de uma base e como a gente consegue crescer o faturamento sem necessariamente ter que duplicar ou triplicar a base de clientes”, explica Honorato.




