O design das redes sociais da Meta – Facebook e Instagram – é viciante e, portanto, viola o Ato de Serviços Digitais (DSA, na sigla em inglês) da União Europeia, concluiu a Comissão Europeia preliminarmente nesta sexta-feira, 10. Rolagem infinita, reprodução automática, notificações por push e os sistemas altamente personalizados de recomendação das plataformas são os principais recursos que causariam o vício, aponta a investigação. Essas primeiras conclusões fazem parte do procedimento formal iniciado pela Comissão Europeia em 16 de maio de 2024 para investigar a conformidade da Meta com a Lei de Serviços Digitais.
A investigação da Comissão indica que a Meta não avaliou adequadamente os riscos decorrentes do design viciante de suas plataformas para o bem-estar físico e mental dos usuários, incluindo menores de idade e adultos vulneráveis.
Para o investigador, a Meta não considerou justamente os recursos de rolagem infinita, reprodução automática e recomendações altamente personalizadas. E, no entanto, para o regulador europeu, são recursos que estimulam o impulso de continuar navegando e colocam o cérebro em um “modo automático”, além de contribuírem para hábitos pouco saudáveis e para o uso compulsivo das plataformas.
Outras informações que a Meta desconsiderou foram aquelas sobre o tempo que menores de idade passam no Instagram e no Facebook durante a noite, assim como a otimização de diferentes formatos, como Stories e Reels, que pode levar ao uso excessivo ou compulsivo dos serviços.
A Comissão Europeia entende que as medidas adotadas pela holding não foram eficazes ou suficientes e, portanto, não enfrentam o design viciante das plataformas de maneira eficaz.
O que Meta deve fazer
Nesta etapa inicial da investigação, a Comissão considera que a Meta precisa implementar mudanças de design tanto no Instagram quanto no Facebook. Entre elas estão:
– desativar, por padrão, recursos considerados altamente viciantes, como a reprodução automática e a rolagem infinita;
– implementar pausas efetivas de tempo de tela;
– e adaptar seus sistemas de recomendação para que sejam menos orientados ao engajamento.
Agora, a Meta poderá exercer seu direito à defesa, além de consultar os documentos do processo e responder à Comissão.




