22.4 C
Marília
HomeAgronegócioSaúde animal recebe apenas 0,6% dos investimentos globais, apesar do avanço de...

Saúde animal recebe apenas 0,6% dos investimentos globais, apesar do avanço de crises sanitárias Agrimidia

spot_img


O planeta caminha sob um terreno perigoso ao negligenciar o financiamento da saúde animal, mesmo com evidências científicas e econômicas provando que o custo da prevenção é drasticamente menor do que o da inação. Este é o principal alerta do relatório anual State of the World’s Animal Health, publicado pela Organização Mundial de Saúde Animal (OMSA).

De acordo com o documento, as enfermidades que acometem os rebanhos dizimam mais de 20% da produção pecuária global todos os anos. Os prejuízos mais severos concentram-se em países de baixa e média renda, onde a criação de animais é a espinha dorsal dos meios de subsistência, da economia rural e da segurança alimentar. Sem caixa, os serviços de defesa agropecuária perdem a capacidade de detectar infecções precocemente e de manter padrões mínimos de bem-estar animal.

Orçamento encolhe e eleva risco de pandemias

A situação tornou-se ainda mais crítica com as recentes tesouradas nas verbas de ajuda humanitária internacional. Em 2025, a assistência internacional global voltada ao setor de saúde recuou para aproximadamente US$ 39,1 bilhões. Desse montante, a saúde animal abocanhou menos de 2,5% do total — o que equivale a apenas 0,6% do bolo geral de investimentos em saúde no mundo.

Leia também no Agrimídia:

Essa lacuna financeira deixa as fronteiras desprotegidas contra o aparecimento de patógenos de ocorrência natural, liberações acidentais em laboratórios ou ameaças biológicas deliberadas.

O relatório calcula que para elevar os Serviços Veterinários de todos os países do globo aos padrões internacionais exigidos seriam necessários US$ 2,3 bilhões por ano. O valor é irrisório se comparado aos US$ 3,6 trilhões em prejuízos causados pela pandemia de Covid-19 em 2020 — uma crise sanitária global cuja principal suspeita de origem provém de uma matriz animal.

A primeira linha de defesa biológica

A negligência financeira ignora uma estatística vital: 75% das doenças infecciosas emergentes em seres humanos têm origem animal (zoonoses). Fortalecer a veterinária de campo significa estabelecer a primeira barreira de contenção contra surtos pandêmicos.

Apesar disso, os sistemas nacionais estão sob severa pressão técnica e operacional:

  • 18% dos países avaliados registraram perda de capacidade em seus serviços veterinários oficiais;

  • 22% dos países apresentaram queda drástica na eficiência e no número de profissionais paraveterinários ativos.

A OMSA projeta que os governos precisariam injetar um aumento médio de 52% em seus orçamentos de defesa para cobrir o custo real de uma fiscalização eficaz. Como contrapartida positiva, os países que decidiram aderir ao programa de avaliação independente Performance of Veterinary Services (PVS) da OMSA conseguiram reestruturar suas metas e mais da metade deles registrou incremento de verbas públicas após o diagnóstico.

A entidade encerra o relatório com uma convocação urgente para que chefes de Estado integrem a saúde animal às suas estratégias de segurança nacional e economia, exigindo que o setor privado e agências de fomento encarem a proteção dos rebanhos como um investimento de alto retorno financeiro e humanitário.



Fonte Link

spot_img
spot_img
Fique conectado
16,985FansLike
2,458FollowersFollow
61,453SubscribersSubscribe
Deve ler
spot_img
Notícias Relacionadas
spot_img