Representantes das maiores entidades da cadeia de proteína animal do Brasil reuniram-se na sede da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), em Brasília, com a cúpula do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa). O objetivo do encontro foi nivelar informações e desenhar uma estratégia coordenada para responder às duras restrições impostas pela União Europeia (UE) ao uso de medicamentos antimicrobianos na produção pecuária nacional.
A mesa de diálogo contou com lideranças de peso do agronegócio, incluindo Roberto Perosa e Renato Costa (Abiec), Ricardo Santin e Marcelo Osório (ABPA), além do secretário de Defesa Agropecuária do Mapa, Carlos Goulart. Embora o encontro tenha tido caráter informativo e não deliberativo, ele marcou o início de uma força-tarefa entre o poder público e a iniciativa privada para tentar salvar as exportações rumo ao bloco europeu.
Divisão de responsabilidades: O foco na segregação privada
O debate ocorre em um momento de forte pressão política e comercial, após Bruxelas confirmar que exigirá laudos rigorosos atestando que a carne importada do Brasil seja totalmente livre de determinados antibióticos. Como as substâncias vetadas na Europa continuam legalizadas e registradas para uso regular no manejo sanitário brasileiro, o Mapa reiterou sua posição de que a solução mercadológica está nas mãos da agroindústria.
Leia também no Agrimídia:
Na visão do governo federal, o caminho viável não é proibir os medicamentos em todo o território nacional — o que prejudicaria o tratamento de rebanhos domésticos —, mas sim criar sistemas privados de controle e segregação. Caberá aos frigoríficos e integradores rastrear, separar e garantir que os animais destinados ao abate para a União Europeia jamais tenham consumido tais substâncias ao longo do ciclo produtivo.
Para mitigar os riscos enquanto um modelo definitivo não é chancelado, o Ministério da Agricultura já estabeleceu medidas emergenciais de fiscalização, determinando o monitoramento completo do ciclo de vida das aves e bovinos voltados ao comércio exterior europeu.
Impasse nos bastidores: Produtividade vs. Segurança Comercial
Apesar do tom de cooperação institucional na reunião, os bastidores do setor produtivo revelam uma queda de braço técnica e econômica:
-
Lado da Indústria (Frigoríficos): Defende a implementação rápida de regras rígidas de conformidade e auditoria privada para dar segurança jurídica aos contratos de exportação e evitar a perda definitiva de clientes na Europa.
-
Lado dos Produtores (Fazendeiros): Alertam que a retirada abrupta ou o banimento de ferramentas antimicrobianas em larga escala pode provocar uma queda acentuada na produtividade do campo, elevando a taxa de mortalidade dos plantéis e encarecendo o custo de produção da arroba e do quilo da carne.
Com a proximidade da vigência das sanções internacionais, a cadeia corre contra o relógio para transformar as diretrizes de rastreabilidade em um protocolo operacional padrão aceito pelos exigentes inspetores sanitários europeus.
Fonte: CNN




