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Ao homenagear Benedito Ruy Barbosa, Ignácio de Loyola Brandão destaca conexões afetivas com Marília, Vera Cruz e Gália em crônica no Estadão

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Texto publicado no caderno de Cultura do jornal O Estado de S. Paulo reconstrói a juventude dos dois escritores e a paixão compartilhada pelo cinema na região

A morte do dramaturgo e novelista Benedito Ruy Barbosa (1931-2026) motivou o escritor Ignácio de Loyola Brandão a resgatar as memórias de convivência e a estreita ligação de ambos com os municípios de Marília, Vera Cruz e Gália. Em crônica publicada no último domingo, 12 de julho de 2026, na seção Cultura & Comportamento do jornal O Estado de S. Paulo, o autor araraquarense detalhou como a trajetória de duas das maiores expressões da escrita nacional se cruzou não apenas na redação do jornal Última Hora, mas também na paisagem cafeeira e cultural do Centro-Oeste paulista em meados do Século Passado.

Nascido em Gália e criado em Vera Cruz, vizinha de Marília, Benedito carregava o sotaque e a vivência do Interior que mais tarde moldariam suas principais obras televisivas. Loyola Brandão, por sua vez, embora nascido em Araraquara, frequentava regularmente a mesma região devido aos vínculos familiares. “Quando me contou da sua cidade (Gália), eu disse: Garça, Gália, Vera Cruz, Lácio, Marília. Trajeto que fazia nas férias, indo para sítios de tios cafeicultores de porte médio em Vera Cruz”, escreveu Loyola de Brandão, rememorando o itinerário que desenhava sua juventude.

A ligação dos escritores com a região ganhou contornos históricos por meio da sétima arte. O texto relembra a histórica passagem do cineasta Anselmo Duarte (1920-2009), consagrado com a Palma de Ouro em Cannes por ‘O pagador de promessas’, que esteve na região para a estreia do filme ‘Vereda da Salvação’. O evento integrou a programação cinematográfica local conduzida pelo município polo. “Era uma ramificação do Festival de Cinema de Marília, o melhor do Interior”, sentenciou o autor de ‘Dentes ao sol’ (1976), ao destacar o vigor cultural daquele período.

Após compartilharem o início da carreira profissional na imprensa paulistana e a paixão comum pelas salas de projeção, os caminhos criativos dos dois intelectuais tomaram rumos distintos na produção artística nacional. Enquanto Benedito Ruy Barbosa direcionou sua sensibilidade para a teledramaturgia, consagrando-se com clássicos como Pantanal e Terra Nostra, Loyola optou pela palavra impressa e as narrativas literárias de fôlego. ‘Eu segui pela Literatura, com romances, contos infantis, crônicas’, registrou o cronista, definindo a bifurcação de trajetórias que consagrou ambos na história da cultura brasileira.



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