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Após recusar oito propostas de compra, Hero Seguros inicia expansão na América Latina

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Bloomberg Línea Brasil — Após passar os últimos quatro anos provando que é possível construir uma insurtech lucrativa vendendo seguros viagens, a Hero Seguros está de malas prontas para levar a proposta para outros países da América Latina. A startup começou a operar nos últimos meses na Argentina e no Uruguai e prepara o desembarque no México, na Colômbia e no Chile.

O negócio foi fundado em 2021 por Raphael Swierczynski e Guilherme Wroclawski e vendeu a sua primeira apólice de seguro viagem em março de 2022. Hoje, segundo cálculos da própria companhia com base em dados da Susep, a startup detém cerca de 15% do mercado brasileiro.

Em 2025, foram 2,5 milhões de apólices emitidas e a Hero registrou um faturamento de R$ 215 milhões. O crescimento em torno de 40% sobre o ano anterior foi puxado tanto pela expansão de produtos em contas já existentes quanto pela entrada de novos clientes.

A startup opera com um modelo B2B2C e está por trás dos seguros oferecidos por empresas como BTG Pactual, Grupo Confiança, BeFly, Copastur, Grupo Alper e CI Intercâmbio. O tíquete médio dos seguros de viagem ficam em torno de R$ 30 para viagens nacionais e de R$ 280 para internacionais.

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Desde o ano passado, além do seguro viagem, começou a colocar outros produtos no mercado. O primeiro foi proteção financeira (prestamista), mercado que os fundadores dizem ser dez vezes maior que o de seguro viagem, e garantia estendida, ainda pouco explorado no varejo online.

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Entre os clientes recentes estão a fintech de crédito QITech e a empresa de financiamento estudantil Pravaler, no primeiro caso. E a fabricante de lavadoras de alta pressão Karcher, via integração com a plataforma de comércio Awake, da Local Web, no segundo.

“Nós continuamos crescendo no seguro viagem, mas em meados de 2025 entendemos que já poderíamos olhar para outras avenidas de crescimento além de viagem no Brasil”, afirmou Wroclawski à Bloomberg Línea. Segundo os fundadores, os novos produtos responderam por cerca de 10% do faturamento em 2025 e devem chegar a 25% em 2026.

Foi também no ano passado que a insurtech tomou a decisão de cruzar as fronteiras para os países vizinhos – e para o México. As operações da Argentina e Uruguai, iniciadas a 3 meses, representaram ao final de junho 5% de todo o faturamento da Hero.

Chile deve começar a operar no fim de julho, e México e Colômbia, em agosto — no caso mexicano, a operação já nasce com contas que atendem também Equador e Panamá.

“O seguro viagem tem uma vantagem em relação a outros produtos nos principais mercados da América Latina por não ser regulado. Ele não é seguro, e sim uma assistência, como era no Brasil até 2015”, disse Swierczynski. “E ele abre as portas para essa avenida de crescimento, assim como fizemos no Brasil”.

Os dois sócios ocupam atuam como co-ceos do negócio. A dupla se conheceu na Ciclic, a insurtech de seguros do Banco do Brasil, onde Swierczynski — com mais de 30 anos de mercado segurador, ex-presidente de seguradoras multinacionais no Brasil — atuava como CEO, e Wroclawski, vindo do mundo de startups (foi fundador da SaveMe, vendida à Buscapé, e depois ajudou a construir o brechó online Repassa, adquirido pela Renner em 2021), liderava produto e operações.

Novos rumos

A boa parceria dentro da Ciclic motivou os dois a abrir seu próprio negócio. Os fundadores identificaram quatro dores estruturais do mercado segurador brasileiro — falta de customização de produto, precificação pouco individualizada, distribuição sem APIs modernas e atendimento ruim ao cliente final — e decidiram atacar o seguro viagem, aproveitando a retomada do turismo pós-pandemia.

O negócio, estruturado com um modelo bootstrap desde o começo, ganhou novos sócios no começo deste ano para acelerar as novas avenidas de crescimento.

A startup captou R$ 35 milhões em rodada liderada pela Headline XP, gestora de venture capital de Romero Rodrigues, ex-Buscapé, e com participação Actyus, que tem Sergio Furio, da Creditas, como um dos sócios.

Antes da decisão pela entrada de investidores, ainda em 2025, a Hero recebeu oito propostas de fundos e potenciais compradores, entre ofertas de aquisição total e compra de controle.

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Após meses de discussão interna, Swierczynski e Wroclawski descartaram a venda. A rodada foi majoritariamente secundária (parte do dinheiro foi para os próprios sócios) e os fundadores mantêm, cada um, mais de 40% do negócio.

“Nós entendemos que o negócio está só no começo e vai ficar gigante. E fizemos uma rodada que foi mais pelo smart do que pelo money, trazendo investimentos pessoas que certamente agregariam o negócio e que nos abririam portas”, diz Swierczynski.

Segundo os sócios, parte dos recursos também deve ser usada para M&As, especialmente para acelerar a entrada em novos mercados e com outros produtos.





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