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Acidentes com escorpiões sobem 11% em Marília; veja cuidados com casa, família e até pets

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Marília O número de acidentes com escorpiões subiu 11% em Marília na comparação com mesmo período do ano passado com dados até o dia 4 de julho e um guia que o Estado de São Paulo divulgou nesta segunda-feira orienta cuidados com a casa, sua família e até os pets

A cidade registrou 149 acidentes neste ano, contra 134 do ano passado, todos com notificação obrigatória pelos serviços de saúde. Há, inclusive, aumento de casos com outros animais peçonhentos, como aranhas, serpentes e outros.

Há cuidados básicos como eliminar potenciais abrigos, que vão de entulho a buracos nas paredes, até medidas corretas de ação quando encontrar os animais.

Cuidados com a casa

Geralmente, eles se escondem perto das casas, em terrenos baldios, velhas construções, entulhos, madeira e lenha, tijolos, mato e lixo, além de esgoto, ralos, entre outros.

A Secretaria do Estado de Saúde de São Paulo (SES-SP) disponibiliza uma Cartilha de Orientação de Manejo Ambiental para Prevenção e Controle de Escorpiões.

Qualquer buraco no chão ou na parede pode ser um bom esconderijo, e até mesmo roupas sujas ou molhadas espalhadas pelo chão podem servir de abrigo para os aracnídeos. 

Esses animais têm hábitos noturnos e dificilmente aparecem durante o dia, o que torna mais difícil encontrá-los.

  • Mantenha o lixo bem acondicionado para evitar a proliferação de insetos, que servem de alimento para escorpiões
  • Deixe o quintal e o jardim limpos, sem acúmulo de entulhos, folhas secas, lixo doméstico e materiais de construção
  • Use telas nas janelas
  • Mantenha todos os buracos nas paredes, como espelhos de tomadas, cabos e caixas de luz fechados
Mito das plantas e inseticida

Nem alecrim, nem arruda, nem lavanda e nem citronela: não há comprovação científica que determinadas plantas sejam capazes de “repelir” escorpiões.

Esses aracnídeos vivem em todos os biomas, de desertos a florestas úmidas, e não existe nenhum repelente natural contra eles. 

Até o momento, a única relação cientificamente comprovada entre escorpiões e plantas envolve a espécie Tityus neglectus. Essa espécie, distribuída pela região Nordeste do Brasil, é conhecida por se abrigar em bromélias, onde se aproveita da água acumulada e se alimenta de pequenos insetos.

Produtos comuns do dia a dia, como vinagre e água sanitária, ou mesmo inseticidas e pesticidas, não são recomendados para controle de escorpiões. Pelo contrário: o uso desenfreado de produtos químicos pode fazer com que o animal deixe seu esconderijo e se espalhe ainda mais.

Cuidado com a família

Caso encontre um escorpião, só tente capturar caso se senta em segurança para isso. Inclui uso de luvas específicas ou de um objetivo longo e fino, de superfície lisa.

Use também é preciso ter em mãos um frasco plástico fundo, de superfície lisa e tampa (evite potes de vidro que possam quebrar), para colocar o animal depois da coleta.

  • Com o objeto longo e fino, empurre o escorpião até um local onde consiga coletá-lo com o frasco 
  • Mantenha uma distância de pelo menos 30 centímetros entre sua mão e a ponta do objeto
  • Se o animal agarrar o objeto longo e fino, largue sem chacoalhar
  • Coloque o frasco de plástico sobre o escorpião, bem como use papel grosso (cartolina, papelão) para prender no recipiente
  • Vire o frasco e continue segurando o papelão, mantendo o frasco fechado. Quando o escorpião estiver no fundo e não oferecer risco de escapar, retire rapidamente o papel e feche o recipiente com a tampa
  • Se não conseguir coletar o animal, você pode exterminá-lo com um golpe vigoroso, usando um objeto plano, bastante sólido e com uma haste longa 
O que não fazer?
  • Nunca capture o escorpião com as mãos, mesmo usando luvas comuns
  • Nunca faça a captura sozinho. Tenha alguém por perto que possa ajudar em caso de acidente
  • Nunca utilize inseticida ou produto químico para eliminar o escorpião. Seria preciso usar uma quantidade muito grande, o que prejudicaria a sua saúde e a de quem estiver por perto.

Em caso de picada, lave com água e sabão e fazer uma compressa de água quente para aliviar a dor. Logo depois, é importante buscar o apoio do atendimento médico.     

No caso de crianças de até 10 anos, por exemplo, o tratamento precisa começar em até 1h30 após a picada.

Ilustração: Instituto Butantan

Cuidado com pets

Mais raramente, os pets também podem sofrer acidentes com escorpiões. Para picadas de aracnídeos, não existe soro veterinário disponível e o tratamento acompanha sintomas.

É possível notar o animal demonstrando desconforto ou mancando, se a ferida for em algum dos membros. Em alguns casos, podem ocorrer manifestações sistêmicas:

•    Variação de pressão arterial
•    Aumento da frequência cardíaca
•    Ritmo cardíaco lento e irregular
•    Insuficiência respiratória

Vale ressaltar que os soros para humanos e para animais são distintos, com dosagens específicas, e aplicação de ambos só deve ocorrer em unidades de saúde com equipe qualificada e preparada para tratar possíveis reações adversas.

Temporada de escorpiões

Nos meses com temperaturas mais altas os escorpiões aparecem com mais frequência, de setembro até fevereiro nas regiões Sul, Sudeste e Centro-Oeste.

A rápida reprodução dos animais também é um ponto de atenção, já que conseguem gerar entre 20 e 25 filhotes por gestação, que acontece até duas vezes por ano.

As espécies fêmeas de escorpião-amarelo e escorpião-amarelo-do-Nordeste têm reprodução por partenogênese, ou seja, elas não precisam acasalar para dar cria. 

Espécies mais comuns no estado

Escorpião Amarelo: corpo amarelo claro, com manchas escuras sobre o tronco e na parte inferior do 5º segmento da cauda, mede até 7 cm. Os 3° e 4° segmentos da cauda possuem serrilha. É o escorpião que causa acidentes de maior gravidade, podendo levar a óbito.

Escorpião Marrom: corpo marrom avermelhado escuro, quelíceras e pernas mais claras, com manchas escuras, e pode medir até 7 cm. Não possui serrilha na cauda. São menos numerosos que o escorpião amarelo, mas são igualmente perigosos.

Escorpião-amarelo-do-nordeste: mede entre 5 e 7 cm e possui coloração predominantemente amarela. Apresenta um triângulo escuro na região dorsal do cefalotórax e uma faixa escura central ao longo do dorso do tronco.



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