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Copacol redefine a terceirização industrial no Brasil Agrimidia

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Ter fábricas monumentais e exclusivas já não é o único caminho para o sucesso no setor de bens de consumo rápido (CPG). Uma mudança silenciosa no modelo de negócios da indústria de alimentos e bebidas vem ganhando força: a habilidade de coordenar redes externas de fabricação altamente eficientes.

Para avaliar esse novo cenário, a plataforma de conexão industrial GrowinCo desenvolveu o estudo inédito CPG Leaders 100. O levantamento analisou o comportamento de mais de 21 mil empresas no Brasil entre 1996 e 2026. A grande surpresa do ranking foi a liderança absoluta da Copacol, que desbancou gigantes consolidadas como Unilever, JBS e Nestlé no quesito eficiência em co-manufatura (terceirização).

O novo ecossistema industrial em números

Das quase 170 mil inovações e lançamentos de produtos rastreados pelo estudo ao longo das últimas três décadas, cerca de 30 mil itens foram produzidos por meio de parcerias terceirizadas. Isso significa que quase 1 a cada 5 novos produtos (18%) que chegam às gôndolas brasileiras já são fabricados sob o modelo de co-manufatura.

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O estudo avaliou o ecossistema nacional pontuando as empresas de 0 a 100 nos quesitos escala, capacidade de inovação e força de rede (network):

  • 1º Copacol (85,6 pontos)

  • 2º Unilever (82,2 pontos)

  • 3º Linea (80,6 pontos)

  • 4º JBS Brasil (80,2 pontos)

  • 5º Native Orgânicos (79,9 pontos)

  • 6º Nestlé (79,8 pontos)

  • 7º Catupiry (79,5 pontos)

  • 8º Korin Agropecuária (77,9 pontos)

  • 9º Mondelez (77,7 pontos)

  • 10º Mais Mu (75,4 pontos)

Destaque de inovação e rede: A Nestlé registrou a melhor nota do país no pilar de conexões e rede de parceiros (93,9 pontos). No entanto, o equilíbrio de indicadores da Copacol garantiu o topo à cooperativa do Paraná. Outra força do cooperativismo do Sul, a Aurora, ficou muito perto do Top 10, garantindo o 11º lugar.

O segredo da Copacol: Inteligência de ativos e logística de frio

A liderança da Copacol revela um planejamento tático preciso. O core business da cooperativa sempre esteve associado à cadeia de aves e peixes. No entanto, ao invés de limitar seu portfólio de congelados, a empresa percebeu que poderia explorar um ativo valioso: sua rede de distribuição e logística refrigerada.

Para ocupar novas gôndolas sem o custo bilionário de erguer novas fábricas, a Copacol buscou parceiros estratégicos para produzir, sob sua marca, linhas de vegetais e legumes congelados (como ervilhas e seletas).

Essa flexibilidade permite que a cooperativa teste mercados, amplie o leque de soluções ao consumidor e mantenha uma estrutura operacional enxuta. “O ranking comprova que a capacidade de governança e de orquestração de parcerias é tão importante quanto o faturamento de uma companhia”, avalia Raphael Traticoski, CEO da GrowinCo.

Tendência global impulsionada pela busca por agilidade

A prática de terceirizar a produção — conhecida lá fora como co-manufacturing — acelerou fortemente no período pós-pandemia. O mercado passou a exigir respostas muito mais rápidas a nichos de consumo emergentes (como alimentos saudáveis, dietas específicas e funcionais).

O modelo funciona como uma rampa de aceleração:

  • Fase de Teste (Asset Light): Uma marca entra em uma categoria nova sem comprar maquinários. Foi o caso da Danone com o YoPRO, que nasceu via terceirização.

  • Fase de Consolidação (Insourcing): Se o produto se provar um sucesso de vendas no longo prazo, a marca então investe na produção própria.

O gargalo nacional: A falta de indústrias “White Label”

Embora o mercado brasileiro de terceirização venha crescendo, ele ainda engatinha se comparado à Europa, onde metade de todo o volume comercializado de alimentos e bebidas é produzido por terceiros.

O principal entrave no Brasil é a falta de indústrias focadas exclusivamente em produzir para outras marcas (as chamadas fábricas white label). Hoje, a maior parte da terceirização no país ocorre de forma oportunista: indústrias tradicionais utilizam sua capacidade ociosa — que hoje gira em torno de 25% no país, segundo a CNI — para rodar produtos de terceiros.

O amadurecimento desse ecossistema, com indústrias dedicadas ao serviço de manufatura, promete não apenas reduzir custos de frete e produção (pela escala e proximidade dos centros de consumo), mas também destravar o potencial de uma nova geração de marcas inovadoras e competitivas no agronegócio e no varejo brasileiro.

Fonte: Mundo Coop



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