A Cresol, cooperativa de crédito de origem paranaense que se espalhou pela região Sul ao longo das últimas três décadas, reforçou o coro contra o comportamento de aversão a risco de grandes bancos, que estão reduzindo a exposição ao crédito à agricultura para fugir da inadimplência.
“Reconhecemos o desafio, mas precisamos seguir nosso papel com responsabilidade. Se todo mundo tirar o pé e trancar as torneiras, colocamos a agricultura brasileira literalmente no colapso”, argumentou Cledir Magri, presidente da Cresol, em entrevista ao The AgriBiz.
Não à toa, a Cresol projeta um crescimento significativo da concessão de crédito na safra 2026/27. A cooperativa de crédito quer chegar a R$ 18 bilhões, o que significa um salto de 20% em relação à temporada anterior (2025/26), quando a instituição financeira cresceu bem mais (40%) e bateu a meta de R$ 15 bilhões.
Com foco na agricultura familiar, a cooperativa liderada por Magri quer ganhar espaço junto a produtores um pouco maiores, o que é uma forma de acompanhar a evolução dos clientes.
“Tem muito agricultor familiar que se torna pronampiano e nós queremos atendê-los também. Temos uma base bem sólida para atuar junto aos produtores mais estruturados”, defendeu o dirigente, em alusão ao Pronamp — linha do Plano Safra voltada a produtores de médio porte.
O funding da Cresol
Atualmente, a maior parte da carteira de crédito rural da Cresol é ligada ao Plano Safra, notadamente em linhas que contam com o seguro (seja o Proagro ou mesmo uma apólice privado).
Segundo Magri, o funding da cooperativa vem de um mix de DIR (o depósito interfinanceiro vinculado ao crédito rural, instrumento pelo qual bancos obrigados a cumprir exigibilidades e subexigibilidades repassam recursos a instituições que originam as operações), Plano Safra, poupança rural e LCA.
“A maior parte é equalização direta do Tesouro”, disse o dirigente, mostrando a importância do crédito oficial na estratégia da Cresol. Nessas linhas, a inadimplência é menor, o que também se explica pelo porte de produtores atendidos pela cooperativa.
Por se concentrar no crédito ao agricultor familiar da região Sul, a cooperativa passa longe de um problema comum na carteira de crédito agro de outras instituições financeiras: a recuperação judicial.
“Isso não está presente na nossa estrutura porque estamos principalmente no Sul e o agricultor dessa região não usa esse mecanismo”, disse Magri.
Segundo o dirigente, a proximidade com os agricultores ajuda na gestão da carteira de crédito, mas o momento inspira cuidados adicionais. Nos últimos tempos, a Cresol vem aperfeiçoando a análise de crédito, olhando com “mais zelo” para as garantias oferecidas pelos clientes.
“Não quero ser o profeta da desgraça, mas também não sou ingênuo de negar a realidade”, resumiu o presidente da Cresol.




