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A Tupperware, conhecida por sua venda direta no Brasil, busca rejuvenescimento de seu público e diversificação de produtos, agora oferecendo potes de vidro e estudando cerâmica e aço inox.
A empresa, que enfrentou processo de recuperação judicial nos Estados Unidos, foi adquirida pela BeFra, visando equilibrar receitas entre Brasil e México. O mercado brasileiro, que já foi líder na América Latina, representa um terço da receita da operação na região.
A Tupperware planeja aumentar a relevância do Brasil, focando em produtos de preparação e não apenas em conservação.
A entrada no mercado de vidro responde à demanda por alternativas e à evolução do consumidor. A companhia também investe em digitalização, incentivando consultores a usar plataformas como TikTok Shop, mantendo seu modelo de vendas diretas.
Com cerca de 200 mil representantes, a Tupperware quer ser omnichannel, mesclando vendas físicas e digitais.
* Resumo gerado por inteligência artificial e revisado pelos jornalistas do NeoFeed
Conhecida no Brasil pelo seu modelo de venda direta, principalmente nas décadas de 1980 e 1990, por meio de consultoras que fazem reuniões em casas para oferecer os produtos, a companhia americana Tupperware quer rejuvenescer seu público consumidor, seus vendedores e migrar para outras linhas.
Muito associada aos potes de plástico, a empresa quebrou este paradigma e recentemente entrou no setor de produtos de vidro no Brasil. Potes de cerâmica e de aço inox são outras opções que estão em estudo. O plano principal é retomar o volume de vendas no mercado brasileiro, segunda maior operação da América Latina, atrás do México.
O primeiro movimento para este plano acaba de ser dado: a mudança de comando. Recentemente, a companhia mexicana BeFra anunciou a aquisição da operação na América Latina da Tupperware, por US$ 250 milhões.
A ideia é equilibrar mais a receita dos dois países em que a empresa atua. No ano passado, a operação da companhia na região alcançou receita de US$ 270 milhões e Ebitda ajustado de US$ 82 milhões.
O México responde por dois terços do faturamento, com US$ 179 milhões de receita e US$ 74 milhões de Ebitda. O Brasil tem um terço: US$ 91 milhões de receita e US$ 8 milhões de Ebitda. O mercado nacional já chegou a ser líder na América Latina, mas perdeu espaço.
No primeiro trimestre de 2026, a distância continuou relevante. Enquanto o mercado mexicano chegou a US$ 49 milhões, o brasileiro faturou US$ 22 milhões entre janeiro e março. A estratégia desenhada é de justamente aumentar esse percentual do Brasil.
O plano de recuperação também ocorre após o desgaste da companhia nos Estados Unidos, quando, em setembro de 2024, depois de um período de queda de vendas, a marca enfrentou um processo de Chapter 11 — mecanismo da lei americana de falências que permite às empresas reestruturarem suas dívidas.
Mas, em outubro daquele ano, fechou um acordo com investidores e credores, que trocaram a dívida pelo controle da empresa, e encerrou a recuperação judicial. Foi neste contexto que a operação da América Latina, uma das mais rentáveis da empresa, foi vendida.
“Passamos por algumas dificuldades e isso afetou o mercado brasileiro. Abalou quem vinha atuando na nossa força de vendas”, diz Paola Kiwi, vice-presidente sênior e diretora regional da Tupperware na América Latina, em entrevista ao NeoFeed.
“Agora, estamos em um momento extraordinário, com foco na memória afetiva da marca e na inovação”, complementa.
Mais do que potinhos
Segundo a executiva, é no foco em novos produtos e novos materiais que a companhia enxerga o caminho para que o Brasil possa voltar a ter mais relevância na receita da região. E isso passa em acelerar vendas de produtos da companhia que não são tão conhecidos no país, como jarras, copos térmicos e utensílios domésticos.
“No Brasil, as categorias mais relevantes têm a ver com a conservação de produtos. É onde somos conhecidos”, afirma a executiva chilena. “Mas temos oportunidade agora de focar em produtos de preparação, como cortadores e trituradores, que são fortes no México. Temos muito mais do que potinhos.”
O argumento para justificar a entrada no mercado de travessas de vidro, e não seguir apenas no de plástico, está na “jornada completa” do produto. Se, historicamente, o material da Tupperware sempre foi marcado por poder ir ao freezer, e servir como embalagem para a “marmita”, o vidro pode, além da geladeira, ir ao forno.
“Isso faz com que a empresa deixe de ser uma empresa que só faz produto de plástico. Entramos no vidro porque a sociedade vai mudando e sentimos esta demanda do público por outras alternativas. A gente precisa evoluir”, explica a VP.
Os produtos entraram no mercado brasileiro no fim do ano passado, e agora a empresa estuda a implementação dos outros materiais. “Ele resolve um problema e agora pode atender esta necessidade do nosso cliente.”
A Tupperware não revela o percentual que os produtos de vidro já representam no faturamento, mas a expectativa é que estes novos materiais passem a ter uma fatia expressiva nos próximos anos. Por enquanto, ainda está na faixa de um dígito.
“Desde que eu mantenha a qualidade do produto, por que não fazer um pote de cerâmica ou de aço inox? Não estamos limitados a um só material. Pode ser um caminho daqui para a frente. A marca nos permite transitar por vários caminhos”, afirma Kiwi.
Por enquanto, os potes de vidro são produzidos em fábricas asiáticas, a partir do desenvolvimento e padrões da própria Tupperware. No caso do plástico, eles são feitos no parque fabril instalado no Rio de Janeiro.
Companhia omnichannel
Com o novo dono, a empresa deve voltar a destinar investimentos para o crescimento das operações. Este levantamento ainda está sendo definido pela BeFra, segundo a executiva.
“Existe este desejo de retomada de investimentos, que ficou paralisado por vários motivos. Deixamos de investir em tecnologia. Estamos analisando quais as oportunidades para expansão, inclusive na nossa fábrica”, explica Kiwi.
E, ainda que a avenida de crescimento esteja na ampliação de portfólio, a companhia não pretende mudar os canais de vendas, como, por exemplo, ir para os supermercados. O objetivo é de seguir com consultores autônomos de vendas, só que mais conectados com o mundo digital.
“Nossos vendedores são empreendedores que buscam uma alternativa de renda extra ou a receita principal da família. Muitos são formalizados, como microempreendedor individual (MEI). Ainda temos aquelas senhoras com reuniões domiciliares, mas a maior parte usa as redes sociais”, conta a vice-presidente da Tupperware.
Neste sentido, a companhia tem incentivado a implementação de lojas virtuais no TikTok Shop, que chegou no Brasil no ano passado. O apoio está em materiais e no auxílio em plataformas de desenvolvimento de conteúdo.
Com cerca de 200 mil representantes autônomos, a Tupperware planeja ser uma companhia omnichannel, mas desde que seja a partir da força de venda destes vendedores independentes.
“Tenho uma consultora do interior do Ceará que é uma das maiores vendedoras do Brasil, porque ela conseguiu expandir sua divulgação na internet e hoje ela vende para todo o país”, afirma.
“O digital vem crescendo, justamente pela facilidade e pela entrada da nova geração, que passa a nos conhecer. Vamos avançar neste público, mas sem deixar de lado as vendas físicas. Demonstrar a funcionalidade dos nossos produtos ainda faz diferença”, completa Kiwi.




