A Embrapa Suínos e Aves oficializou a publicação do documento técnico “Nilo: o resgate do porco preto pelado brasileiro”, um marco no projeto de conservação e valorização da raça suína crioula. O trabalho detalha a trajetória histórica, o padrão racial e o potencial produtivo do animal, apontado como o equivalente nacional do renomado porco ibérico.
Descendente direto dos suínos trazidos à América Latina no século XVI e moldado por mais de quatro séculos de seleção natural no país, o porco Nilo destaca-se pela ausência de pelos, pele escura e elevada capacidade de adaptação aos biomas tropicais.
Parceria entre pesquisa e produtores
A iniciativa é resultado do trabalho conjunto entre a pesquisa pública e a iniciativa privada. A publicação foi elaborada pelo pesquisador e zootecnista José Victor Vieira Isola, em conjunto com a equipe técnica da Embrapa, e contou com a colaboração dos criadores Breno Furtado (Charcutaria Porco Alado) e Cláudio Mendonça (Fazenda Mutum).
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O resgate da raça visa atender a duas frentes principais:
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Alta gastronomia e valor agregado: Devido à sua rusticidade e ritmo de crescimento natural, a raça apresenta alta deposição de gordura intramuscular (marmoreio), característica buscada para a elaboração de embutidos e curados de longa maturação, como presuntos crus e lardos.
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Reservatório de genes e resiliência: Por ter evoluído no clima tropical, o Nilo possui alta tolerância ao estresse térmico e resistência a parasitas, servindo como salvaguarda genética frente aos desafios climáticos globais.
Estruturação e registro oficial
Como desdobramento do projeto, a Embrapa Suínos e Aves trabalha na consolidação de um núcleo de conservação composto por famílias genéticas distintas. A meta é incluir formalmente o porco Nilo no Serviço de Registro Genealógico de Suínos (SRGS), garantindo a preservação da raça sem erosão genética e viabilizando o fornecimento biosseguro de matrizes e reprodutores para produtores em todo o país.
Fonte: Embrapa Suínos e Aves




