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No algodão, produção cai no Mato Grosso e sobe na Bahia

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Os preços baixos do algodão no ano passado reduziram a área plantada da pluma em 4% na safra 2025/26, para 2,12 milhões de hectares no Brasil. Mas a produtividade cresceu e compensou parte da queda na área, resultando numa produção de 4,2 milhões de hectares, um recuo de 1,5%. As projeções foram divulgadas nesta quinta-feira pela Agroconsult, que a partir de segunda-feira testará as estimativas iniciais no campo.

Em Mato Grosso, principal estado produtor, o menor interesse do produtor no cultivo da pluma ficou ainda mais evidente: a redução na área foi de 6,5%, para 1,4 milhão de hectares, segundo a consultoria.

O movimento reflete principalmente o cenário de preços spot na época do plantio da safra 2025/26. Em Nova York, o preço do algodão ficou abaixo de 70 centavos de dólar por libra-peso em boa parte do ano passado, caindo para 65 centavos no segundo semestre, lembra Heloisa Melo, sócia diretora da Agroconsult e coordenadora técnica da etapa algodão do Rally da Safra.

Além disso, a diferença entre o preço de Nova York e o valor pago ao produtor também teve uma inversão no segundo semestre — um fator sazonal com a entrada da safra brasileira no mercado. De um ganho de 5 centavos por libra-peso, o produtor brasileiro passou a receber 5 centavos a menos sobre o preço praticado na bolsa norte-americana.

Com a maior oferta do Brasil, que se tornou o maior exportador de algodão nos últimos anos, o apetite por contratos ligados à pluma diminuiu, impactando a liquidez no momento do plantio. Nesse mesmo período, no entanto, o milho ofereceu melhor remuneração ao agricultor, refletindo a maior demanda do setor de etanol.

“É claro que isso tem um limite, por causa dos investimentos em capex feitos pelo cotonicultor na área, nas algodoeiras e nos equipamentos específicos para o algodão”, lembra Melo. “Agora, nas visitas a campo, vamos confirmar se a redução realmente foi desse percentual.”

Por enquanto, a Agroconsult estima uma queda na produção de 5,6% no estado, totalizando 2,9 milhões de toneladas. A produtividade deve ficar em 318 arrobas de algodão em caroço por hectare, ante 315 na temporada passada.

“Existe uma expectativa de boa produtividade no estado, com exceção da região leste, que teve chuvas irregulares durante o desenvolvimento das lavouras”, diz Melo.

Irrigação avança na Bahia

Na Bahia, a situação é diferente. A área plantada deve permanecer estável em 425 mil hectares, com o avanço da irrigação. Segundo Melo, a área irrigada já representa quase metade de toda área plantada do estado, o que possibilitou um plantio mais atrasado nesta safra.

Como resultado, a produção no estado pode crescer 10,6%, alcançando 882 mil toneladas, com uma produtividade estimada em 335 arrobas de algodão em caroço por hectare.

A produtividade média da Bahia nos últimos anos foi de cerca de 320 arrobas por hectare, diminuída na safra anterior por causa principalmente da irregularidade de chuvas, totalizando 305 arrobas por hectare.

“Por enquanto, os primeiros talhões colhidos apresentam ótimo potencial”, frisa Melo, a respeito da safra 2025/26.

As expectativas serão colocadas à prova nas visitas de campo, com o Rally da Safra percorrendo regiões como a Bahia e o Mato Grosso até o final de agosto. Essa é a segunda edição do programa focada em algodão. Os resultados serão apresentados em 22 de setembro.



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