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Nokia espera 50% dos seus ganhos com IA e cloud em um ano

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A Nokia espera que metade das receitas nos próximos 12 meses venham de sua divisão de produtos e serviços de nuvem e inteligência artificial. Em carta enviada aos acionistas nesta quinta-feira, 23, o CEO da Nokia, Justin Hotard, afirmou que a companhia totalizou 2,8 bilhões de euros em pedidos para AI & Cloud.

“Esse desempenho foi abrangente e sólido, a partir da conquista de contratos em longo prazo, tanto em redes ópticas quanto em redes IP”, escreveu o executivo, ao explicar que ainda vê revezes com a crise das memórias e a falta de equipamentos. “A demanda (por AI & Cloud) segue forte. Mas o fornecimento segue como principal restrição do setor, o que leva os nossos clientes a realizar pedidos com prazos mais longos”, completou.

A companhia está atualmente em um processo avançado de reestruturação e simplificação de seu negócio, ao direcionar grande parte de seus esforços para a inteligência artificial – AI Supercycle, nas palavras de Hotard. 

Com isso, a Nokia descontinuou dois negócios:

  1. A unidade de CPEs fixed wireless access foi vendida para a Inseego por US$ 20 milhões em ações e garantia, uma contrapartida de investimento de US$ 10 milhões, em um negócio que deve ser concretizado no final de 2026;
  2. A divisão de redes privativas, Wi-Fi e equipamentos edge, Enterprise Campus Edge, que  procura por um comprador.

Nokia aposta em IA

“À medida que a IA evolui, a conectividade confiável se torna mais crítica. Estamos oferecendo inovações que ajudarão os clientes a se diferenciarem e a capturarem valor nesta nova era”, disse Hotard sobre as apostas da Nokia em inteligência artificial.

Como parte dessas mudanças, a Nokia tem focado mais em parcerias de cocriação para IA, como:

  • Construção de agentes para redes autônomas com Google Gemini;
  • Desenvolvimento de uma solução de gerenciamento fora de banda (out-of-band, no original em inglês) com a Hyperscaler;
  • Network slicing feito com IA na Vodafone Albânia;
  • Expansão e modernização da rede 5G da IOH para atender serviços de IA;

Assim, um foco em fabricação de equipamentos ópticos nos Estados Unidos, a partir de: 

  • A compra do campus da NXP Chandler no Arizona/EUA para manufatura a partir de 2028;
  • Aumento em dez vezes de capacidade da unidade fabril na Pensilvânia para testes e encapsulamento;
  • A fábrica de San Jose/Califórnia começará a produzir no final de 2026.

Essa estratégia envolve ainda a construção da próxima geração de equipamentos de redes baseados em inteligência artificial, os AI RANs que buscam ter: o dobro da capacidade atual; ecossistema aberto e programável; uma plataforma única que mira a atualização para o 6G na próxima década; economia de custo, sem a necessidade de colocar hardware adicional.

“Na semana passada, lançamos a primeira plataforma comercial de AI-RAN do setor, que ajudará os clientes a extrair mais valor de suas redes, incluindo ganhos de eficiência espectral superiores a 100% até 2028. Esses benefícios serão tangíveis nas redes 5G, e a plataforma oferece um caminho de atualização via software para o 6G. Essa inovação é um exemplo de como geramos valor para nossos clientes e retornos para nossos acionistas”, completou o CEO.

Receitas da Nokia

No segundo trimestre de 2026, a Nokia registrou uma receita de 4,8 bilhões de euros, uma alta de 8% contra 4,4 bilhões de euros do mesmo período um ano antes. A divisão de redes cresceu 12% em vendas, de 1,8 bilhão para 2 bilhões de euros; infraestrutura mobile passou de 2,5 bilhões para 2,7 bilhões de euros, um incremento de 6%.

Por região, as Américas avançaram 15%, de 1,5 bilhão para 1,7 bilhão de euros; EMEA foi de 1,9 bilhão para 2 bilhões de euros, alta de 8%; Ásia-Pacífico cresceu 3%, de 950 milhões  para 982 milhões de euros.

Por tipo de cliente, as operadoras de telecomunicações seguem como mais fortes com 3,5 bilhões de euros em vendas, alta de 3% contra 3,4 bilhões de euros do segundo trimestre de 2025. AI & Cloud dobrou em faturamento, de 220 milhões de euros para 446 milhões de euros. Licenças de tecnologia cresceu 14%, de 357 milhões para 407 milhões de euros. Missão crítica e defesa caiu 3%, de 461 milhões de euros para 448 milhões de euros.

Resultado financeiro

Com custos de 390 milhões de euros pela reestruturação acelerada, a fornecedora obteve um prejuízo operacional de 50 milhões de euros, ante 147 milhões de euros na comparação ano a ano. Sem os custos da mudança, a Nokia teria um lucro operacional de 434 milhões de euros, um incremento de 18% contra 367 milhões de euros.

Em lucro líquido, a fornecedora finlandesa registrou 5 milhões de euros, queda de 95% contra 96 milhões de euros do mesmo período em 2025. Novamente, sem os custos da reestruturação, a Nokia teria uma alta de 64% com 414 milhões de euros contra 252 milhões de euros de um ano antes.  

Com o avanço do processo de reestruturação, a Nokia reavaliou suas expectativas para 2026. A projeção do lucro operacional comparável (excluindo os custos) subiu 100 milhões de euros: antes era entre 2 e 2,5 bilhões de euros para ficar entre 2,1 e 2,6 bilhões de euros.

Até o fim de 2026, a companhia espera gastos de 800 milhões de euros com reestruturação. Desse total, 350 milhões de euros são da compra da operação que tinha em JV na China com a Nokia Shangai Bell, 200 milhões de euros em custos adicionais de reestruturação na Europa e 250 milhões de euros para o sprint final desse programa iniciado em 2023.

 

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As ilustrações das matérias são produzidas por Mobile Time com IA



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