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A Democracia Exige Coragem, Transparência e Prestação de Contas

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A imprensa tem divulgado notícias de que determinado candidato à Presidência da República poderá deixar de participar dos debates eleitorais para evitar ataques, acusações de corrupção, questionamentos sobre sua trajetória política ou o confronto direto com seus adversários.

Se essa estratégia realmente se confirmar, ela merece muito mais do que uma simples observação; merece uma profunda reflexão sobre o próprio significado da democracia. Afinal, o que é a democracia? Não é, antes de tudo, o livre confronto de ideias? Não é o direito de cada candidato apresentar suas propostas, defender seus princípios, responder às críticas e permitir que o eleitor compare, reflita e forme seu próprio juízo sobre aqueles que pretendem governar a Nação?

A democracia jamais foi construída sobre o silêncio, a fuga ou a conveniência. Sua força sempre esteve no diálogo, no contraditório e na liberdade de expressão. O debate não é um espetáculo televisivo; é um dos mais importantes instrumentos de avaliação do processo eleitoral. É nele que se mede o preparo intelectual, a coerência moral, o equilíbrio emocional, o conhecimento dos problemas nacionais e a capacidade de liderança de quem aspira governar um país.

Quem pretende exercer o mais elevado cargo da República deve estar preparado para responder às perguntas mais difíceis, enfrentar críticas, rebater acusações, esclarecer fatos e defender suas ideias com serenidade, inteligência, firmeza e respeito ao eleitor. Governar uma Nação exige muito mais do que discursos preparados por assessores ou entrevistas cuidadosamente controladas. Exige coragem para submeter-se ao julgamento público.

É evidente que os debates podem ser duros. Haverá críticas, acusações e divergências. Mas exatamente para isso eles existem. Quem possui convicções sólidas não teme perguntas. Ao contrário, reconhece no contraditório a oportunidade de demonstrar a consistência de suas ideias e a solidez de seus argumentos. Quem acredita na verdade de seus princípios não foge do confronto democrático.

Fugir dos debates significa retirar do eleitor um dos mais importantes instrumentos para formar sua convicção. Significa impedir que a sociedade compare propostas, avalie argumentos e conheça a capacidade de reação daqueles que desejam exercer o poder.

Mais grave ainda: transmite a impressão de que o candidato acredita não dever satisfações ao povo. Trata-se de uma inversão dos valores democráticos. Em uma República, o poder pertence ao cidadão. O governante é apenas o depositário temporário da confiança popular e, exatamente por isso, tem o dever permanente de prestar contas de seus atos, de suas ideias e de seus projetos.

Sem debates públicos, a democracia perde substância. Sem contraditório, a política transforma-se em mera propaganda. Sem o confronto respeitoso de ideias, resta apenas a construção de narrativas cuidadosamente elaboradas para evitar questionamentos.

A história é implacável. Os grandes estadistas jamais fugiram do debate. Pelo contrário, foi exatamente no confronto das ideias que demonstraram preparo, liderança, convicção e coragem. Quem acredita na força de seus princípios não teme perguntas; teme apenas o silêncio que empobrece a democracia.

Esta reflexão não se dirige a um candidato específico nem a uma determinada corrente política. Trata-se de um princípio que deve valer indistintamente para qualquer pessoa que pretenda exercer a Presidência da República. Em uma democracia verdadeiramente madura, ninguém pode pretender governar o país recusando-se a submeter suas ideias ao julgamento público e ao confronto democrático.

Por isso, recusar-se deliberadamente a participar dos debates eleitorais não representa apenas uma estratégia de campanha. Representa um preocupante sinal de desprezo por um dos pilares essenciais do regime democrático: o dever de prestar contas ao cidadão durante o processo eleitoral.

Na democracia, o debate não constitui mera faculdade nem simples estratégia eleitoral. É um dever político, institucional e moral de quem pretende governar uma Nação. Quem deliberadamente foge desse momento de prestação pública de contas enfraquece o processo democrático, restringe a capacidade de julgamento do eleitor e lança uma inevitável dúvida sobre sua disposição de exercer, com transparência e responsabilidade, a mais alta magistratura da República.

Porque, em última análise, quem evita o confronto das ideias transmite a impressão de não confiar plenamente na força de seus próprios argumentos. E quem não está disposto a responder ao eleitor durante a campanha dificilmente poderá reclamar plena legitimidade moral para governá-lo depois da eleição.

 

 

 

Roberto Vertamatti é Vice-presidente de Economia da ADVB, Conselheiro da ANEFAC, PhD em Administração pela FCU – Florida Christian University

 

 

 

 

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