Bloomberg — A Volkswagen alertou que as vendas podem cair novamente este ano, à medida que a recessão cada vez mais profunda na China intensifica a pressão sobre o CEO Oliver Blume para que ele reformule a maior montadora da Europa.
A montadora alemã prevê agora uma queda na receita de até 3% neste ano. Anteriormente, a empresa havia previsto um cenário que variava de nenhum crescimento a um aumento de 3%.
A Volkswagen enfrenta dificuldades na China, onde as montadoras locais assumiram a liderança no segmento de veículos elétricos. Agora, elas estão se expandindo na Europa, causando um grande impacto nos mercados automotivos da região.
A revisão para baixo das perspectivas ressalta a magnitude do desafio de Blume, que busca tornar a Volkswagen mais ágil e enxuta após anos de atrasos em softwares, custos inflacionados e lucratividade em declínio. Seu plano de cortar até 100 mil empregos e fechar quatro fábricas gerou resistência por parte do conselho fiscal da empresa no início deste mês.
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As ações da Volkswagen caíram até 3,2% em Frankfurt, ampliando sua queda neste ano para 31%.
A Volkswagen espera que os lucros melhorem no segundo semestre, com Blume citando a forte demanda pelos novos carros elétricos compactos da empresa. A montadora recebeu 70.000 pedidos para os modelos agrupados em torno do ID. Polo em apenas algumas semanas, afirmou ele. A Volkswagen ainda prevê um resultado anual acima do nível de 2025, reiterando sua projeção de uma margem operacional de 4% a 5,5%.
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O grupo ainda possui fábricas subutilizadas, uma diferença de custos de 30% em relação à concorrência e precisa reduzir as despesas gerais em pelo menos € 10 bilhões (US$ 11,4 bilhões), afirmou o diretor financeiro Arno Antlitz em entrevista à Bloomberg Television na sexta-feira.
“Temos ótimos produtos, mas os custos são muito altos”, afirmou ele.
A China continuou sendo o principal empecilho, com as entregas do grupo Volkswagen no país despencando 37% nos três meses até junho, à medida que rivais locais, como a BYD e a Geely, ampliaram sua liderança no segmento de veículos elétricos. A desaceleração do mercado imobiliário do país pesou sobre a riqueza das famílias e a confiança do consumidor, afetando compras de alto valor, como carros de luxo alemães.
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As montadoras chinesas estão agora se expandindo na região de origem da Volkswagen com modelos elétricos e híbridos a preços atraentes. Elas estão “exportando não apenas carros, mas também pressões competitivas para a Europa”, afirmou Antlitz.
Essas pressões estão se espalhando por todo o setor automotivo do país. A BMW reduziu suas projeções no mês passado, citando a fraca demanda na China e o impacto da guerra no Oriente Médio. O Mercedes-Benz Group e a Porsche enfrentam um escrutínio crescente em relação à sua exposição ao enfraquecido mercado chinês de carros de luxo e premium.
A Volkswagen vem tentando recuperar o ímpeto na China por meio de parcerias locais e de um desenvolvimento mais rápido. O grupo está trabalhando com a Xpeng em novos modelos elétricos, enquanto a Audi se uniu à SAIC Motor Corp. para desenvolver uma plataforma de veículos elétricos específica para a China.
A empresa obteve avanços em termos de produtividade e prevê um impulso no segundo semestre com o lançamento de novos modelos da Audi e a entrada em vigor das reduções de custos, afirmou Antlitz.
–Com a colaboração de Oliver Crook.
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