Bloomberg — Flávio Bolsonaro segue em frente com sua campanha à Presidência após uma semana caótica, marcada por novos problemas jurídicos e uma trégua instável com sua madrasta.
O Partido Liberal (PL) oficializou a candidatura do senador no sábado (25), durante uma convenção nacional em São Paulo, com a presença de aliados, incluindo o argentino Javier Milei.
O filho do ex-presidente Jair Bolsonaro entra formalmente na disputa atrás do presidente Luiz Inácio Lula da Silva nas pesquisas de intenção de voto, e tentao superar um conflito familiar com a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro, que veio à tona no final de junho.
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Sua campanha nunca se recuperou totalmente do impacto das mensagens de áudio vazadas em maio, que o mostravam solicitando fundos para um filme sobre seu pai a Daniel Vorcaro, o homem no centro de uma investigação sobre uma fraude bancária em grande escala.
Na quinta-feira (23), um ministro do Supremo Tribunal Federal autorizou a polícia a investigar o caso, apenas um dia depois de Flávio ter enfrentado acusações distintas envolvendo o Banco Master.
Flávio, que negou qualquer irregularidade, ainda não escolheu um vice nem garantiu alianças com partidos centristas influentes. Tudo isso alimentou uma sensação de turbulência em torno da campanha, o que levou alguns investidores e analistas a acreditar que a família conservadora mais poderosa do Brasil está prestes a entregar a vitória a Lula de bandeja.
Embora os mercados tenham, em grande parte, ignorado a notícia, ela gerou discussões entre gestores de recursos em um evento anual de investimentos organizado pela XP em São Paulo.
“Esta é uma candidatura muito turbulenta, há muitas notícias ruins pesando sobre ele”, disse Renato Jerusalmi, sócio fundador e gestor de carteiras da Riza Asset Management. “A direita está muito frágil.”
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Dois executivos bancários, que pediram para não serem identificados ao expressarem suas opiniões particulares sobre a eleição, disseram à Bloomberg News acreditar que a disputa está praticamente encerrada, a menos que Flávio desista. Mas um deles descreveu esse cenário como uma ilusão, enquanto Jair Bolsonaro — que está em prisão domiciliar por planejar um golpe após perder para Lula em 2022 — continuar apoiando seu filho.
Outros sugeriram que pouco mudou na dinâmica geral. Lula mantém a liderança nas pesquisas desde que Flávio foi associado pela primeira vez a Vorcaro e continua sendo o favorito, mas sua vitória ainda não está garantida, afirmaram vários investidores que também solicitaram anonimato.
Grande parte da elite empresarial do país tem ficado ansiosa para ver Lula ser derrotado, após quatro anos de gastos que elevaram o déficit orçamentário nominal a quase 10% do Produto Interno Bruto e levaram ao aumento dos níveis de endividamento.
Lula lançou neste ano um pacote de estímulo para impulsionar a economia e suas chances de vitória. Isso aumentou as preocupações fiscais, ao mesmo tempo em que complicou as tentativas do Banco Central de controlar a inflação, mesmo com uma das taxas de juros mais altas do mundo.
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Sinais contraditórios vindos de dentro do Partido dos Trabalhadores (PT) de Lula alimentaram a incerteza sobre como o político de esquerda, de 80 anos, governaria caso vencesse, especialmente sem preocupações com a reeleição.
O ministro da Fazenda, Dario Durigan, procurou acalmar esses temores, que ressurgiram depois que um importante membro do partido defendeu a expansão fiscal e aumentos do salário mínimo em reuniões com investidores na semana passada.
O governo fará “o que for necessário” para melhorar as contas públicas, afirmou Durigan no evento da Expert XP na sexta-feira, expressando preocupação com a dívida e definindo a política fiscal como “a pedra angular de um país forte”.
É provável que Lula apresente seu plano para um novo mandato na próxima semana, segundo pessoas a par da situação. Mas a expectativa é que ele ofereça diretrizes gerais, em vez de planos detalhados, afirmaram essas pessoas.
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Flávio prometeu disciplina fiscal caso vença, mas decepcionou muitos investidores em seu primeiro grande evento bancário como candidato.
A campanha enviou recentemente a assessora econômica Daniella Marques em uma turnê pelo setor financeiro brasileiro. Marques atuou como assessora do ministro da Economia, Paulo Guedes, durante a presidência de Jair Bolsonaro, antes de assumir a direção do banco estatal Caixa Econômica Federal.
Ela afirmou que reduções nos gastos equivalentes a 1,5% do PIB restaurariam a credibilidade fiscal, embora a campanha ainda não tenha detalhado seus planos econômicos.
Marques subiu ao palco da convenção do PL ao lado de outras figuras conservadoras de destaque, como o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas — visto por muitos investidores como um adversário ideal de Lula, favorável ao mercado, antes de Flávio entrar na disputa.
Michelle Bolsonaro não compareceu à convenção, mas apareceu em um vídeo pré-gravado no qual mencionou seu enteado apenas uma vez, pedindo a Deus que abençoasse a ele e à sua campanha.
Milei, que apoia Bolsonaro em um esforço para dar continuidade à onda de ímpeto eleitoral conservador na América do Sul, instou os presentes a “tornarem o Brasil grande novamente”.
Uma pesquisa do Datafolha divulgada na sexta-feira mostrou Lula à frente de Bolsonaro por 5 pontos, 48% contra 43%, em um cenário de segundo turno, com poucas alterações em relação aos dois meses anteriores. A pesquisa foi realizada na quarta e na quinta-feira, em meio a uma enxurrada de notícias.
“As perspectivas fiscais são péssimas, mas o carro vai bater na parede no ano que vem”, disse Jerusalmi. “Quem quer que seja eleito terá que lidar com isso.”
—– A reportagem foi atualizada às 13h50 para incluir a informação de que a candidatura de Flávio foi oficializada pela convenção do PL
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