Bloomberg — As mansões dos milionários de Londres estão estagnadas; já as residências dos bilionários estão se saindo melhor.
O mercado imobiliário de luxo da cidade é o mais recente a apresentar sinais de uma recuperação em forma de K, em que as residências mais caras estão encontrando compradores super-ricos, enquanto as meramente caras continuam a enfrentar uma das recessões mais prolongadas já registradas.
Essa divisão reflete o lugar duradouro de Londres nos portfólios imobiliários dos super-ricos, que podem alternar entre várias mansões ao redor do mundo, praticamente imunes às mudanças tributárias que afetam os residentes permanentes.
Ao mesmo tempo, o mercado estagnado de casas que valem apenas alguns milhões de libras, cada uma, mostra o impacto de um conjunto de fatores fiscais e econômicos que afetaram os residentes em tempo integral ou aqueles que perderam seu status de isenção fiscal.
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Nos últimos 12 meses, nas principais regiões de Londres, a atividade apresentou queda em todas as faixas de preço em comparação com cada um dos cinco anos anteriores, com exceção da faixa de 30 milhões de libras (US$ 40 milhões) ou mais, de acordo com dados compilados pela empresa de pesquisa imobiliária residencial LonRes.
As 34 residências vendidas por mais de 15 milhões de libras no primeiro semestre representaram um total de 1,24 bilhão de libras em transações, um aumento de mais de 78% em relação ao mesmo período do ano anterior, segundo análise da corretora Beauchamp Estates.
“A riqueza extrema está acima de pequenos aumentos na tributação doméstica”, afirmou Richard Gutteridge, diretor da Savills para o segmento de imóveis de luxo no centro de Londres. “Isso pode influenciar onde eles residem mais ou menos, mas não vai impedi-los de comprar onde mais gostam ou desejam estar.”
É certo que o número tipicamente pequeno das chamadas transações “superprime” em Londres significa que os dados podem ser fortemente distorcidos por um punhado de negócios. Ainda assim, este ano começou com um fluxo constante de aquisições notáveis.
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A venda recorde da mansão Providence House, de Nick Candy, em Chelsea, por 270 milhões de libras ao fundador da Quadrature Capital, Suneil Setiya, foi notável não apenas por ter estabelecido um recorde. O processo envolveu múltiplas propostas em envelope fechado de partes interessadas, ressaltando a profundidade da demanda por um imóvel raro em Londres que ofereça tanto privacidade quanto amplos terrenos.
A segunda maior transação do período, a venda de 195 milhões de libras da “Holme”, no Regent’s Park, também foi uma evidência do aumento do interesse no segmento de luxo extremo do mercado, após seu pior ano desde o início da pandemia.
A mansão de estuque branco com 40 cômodos, que conta com o embaixador dos EUA entre sua seleta lista de vizinhos, foi vendida com um ágio de cerca de 40% em relação ao preço de venda registrado menos de 18 meses antes.
O mal-estar dos milionários
No entanto, essas aquisições de prestígio chamativas não conseguem compensar a situação mais ampla do mercado de luxo de Londres, que continua a enfrentar uma recessão que já dura mais de uma década.
Os preços no chamado mercado de luxo do centro de Londres — normalmente definido como abrangendo um conjunto de códigos postais em torno de Mayfair, St. James’s, Belgravia, Knightsbridge, Chelsea e Kensington — caíram mais de um quarto em relação ao pico de 2014, de acordo com a corretora Savills.
“Tem sido um período difícil para os milionários”, afirmou Gutteridge, da Savills, destacando uma série de mudanças na tributação imobiliária nos últimos 12 anos, bem como a recente incerteza política que levantou ainda mais questões sobre as perspectivas fiscais. “Tem havido muitos ‘e se?’.”
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A prolongada recessão foi marcada por uma série de choques no sistema, desde uma reforma radical do imposto de selo — o imposto sobre vendas imobiliárias do Reino Unido — até aumentos para investidores e proprietários de segundas residências.
Também se observou um recuo daqueles que compram por meio de estruturas offshore secretas ou com fontes de riqueza inexplicáveis, além de todos os outros choques políticos e econômicos que abalaram o Reino Unido, desde o Brexit até a pandemia e a guerra entre a Rússia e a Ucrânia.
E essas mudanças tributárias acabaram por afetar a classe dos milionários de forma muito mais severa do que os bilionários, segundo Gutteridge.
Entre as recentes mudanças tributárias que causaram maior apreensão no segmento de alto padrão do mercado está a abolição do chamado regime “non-dom” do Reino Unido, que protegia residentes abastados registrados fora do país para fins fiscais. As mudanças entraram em vigor em abril de 2025 e, nos 12 meses seguintes, as transações na zona central de luxo de Londres caíram mais de 32%, e os preços recuaram 7%, segundo dados da LonRes.
No entanto, embora o fim do regime “non dom” tenha dado início a uma série de partidas da capital britânica, isso não impediu que os mais ricos continuassem a adquirir imóveis em Londres.
Compradores que adquirem um imóvel de mais de 15 milhões de libras geralmente possuem um patrimônio líquido de pelo menos 100 milhões de libras, de acordo com a diretora da Beauchamp, Rosy Khalastchy.
Esse nível de riqueza geralmente vem acompanhado de um portfólio imobiliário em várias cidades, o que significa que os compradores podem passar apenas algumas semanas por ano em Londres.
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O grau de incerteza sobre futuras alterações fiscais tem sido mais um fator de desestímulo para os segmentos mais baixos do mercado imobiliário de luxo.
“Os compradores nos segmentos mais baixos do mercado imobiliário de luxo tendem a adiar suas compras até que haja maior clareza sobre o futuro cenário tributário”, afirmou Frances McDonald, diretora de pesquisa residencial da Savills.
É uma situação que parece destinada a continuar, com o sexto primeiro-ministro do Reino Unido na última década assumindo o cargo neste mês. O segmento de ponta do mercado imobiliário londrino está agora preparado para mais um período de incerteza, à medida que Andy Burnham elabora seus planos tributários e de gastos em conjunto com o novo chanceler, John Healey.
“Houve tantos solavancos causados por forças externas nos últimos 10 anos que tiveram um impacto”, afirmou Gutteridge. “Uma das influências crescentes em nosso mercado é a pergunta: ‘e se?’. Possíveis más notícias levam as pessoas a se protegerem.”
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