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Shein tem prejuízo no tri e aumenta pressão sobre avaliação para IPO em Hon…

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Bloomberg — A Shein registrou desaceleração no crescimento da receita e da lucratividade, na primeira divulgação detalhada de seus resultados financeiros antes da planejada listagem na Bolsa de Hong Kong, o que aumenta a pressão sobre a avaliação que a empresa poderá alcançar em uma das maiores ofertas públicas iniciais do ano.

A empresa registrou prejuízo de US$ 99 milhões nos primeiros três meses de 2026, contra lucro de US$ 395 milhões no mesmo período do ano anterior, enquanto a receita cresceu apenas 1,1%, para US$ 9,05 bilhões.

O lucro operacional caiu 26%, embora a Shein tenha afirmado que o prejuízo trimestral foi impulsionado, em grande parte, por uma baixa de US$ 328 milhões no valor justo de ações preferenciais conversíveis e resgatáveis, de acordo com um documento apresentado à Bolsa de Valores de Hong Kong.

O lucro do ano passado foi de US$ 2,06 bilhões, abaixo dos US$ 3,37 bilhões registrados em 2024.

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Os resultados mais fracos provavelmente reforçarão as preocupações dos investidores quanto à sustentabilidade do rápido crescimento da Shein, o que pode reduzir a avaliação que a empresa poderá obter em sua tão esperada oferta pública inicial (IPO).

A empresa pretende abrir o capital já em agosto e levantar cerca de US$ 2 bilhões a US$ 3 bilhões, segundo reportagem da Bloomberg, com o valor final dependendo da avaliação e do feedback dos investidores.

“A falta de perspectivas sólidas de crescimento fundamental no futuro inevitavelmente pesará sobre as avaliações”, afirmou Catherine Lim, analista sênior de consumo da Bloomberg Intelligence.

A Bloomberg informou em fevereiro que os investidores estavam pressionando por uma avaliação de cerca de US$ 30 bilhões, abaixo dos US$ 66 bilhões registrados em uma rodada de financiamento de 2023 — e dos US$ 100 bilhões estimados em 2022.

Leia também: Shein avança com IPO em Hong Kong após sinais positivos de regulador, dizem fontes

A divulgação da Shein faz parte de seu processo de listagem na bolsa de Hong Kong, para o qual obteve aprovação após anos de atrasos e após não ter conseguido levar adiante uma oferta pública inicial (IPO) tanto em Nova York quanto em Londres.

Nos últimos anos, a Shein forneceu aos investidores apenas orientações gerais sobre lucros e vendas, deixando-os com visibilidade limitada sobre seu desempenho subjacente.

Entre os investidores da Shein estão a IDG Capital, a Mubadala Investment, a Tiger Global Management e a HSG. Para 2025, a empresa havia informado aos investidores que esperava um crescimento percentual na casa dos 15% nas vendas, segundo reportagem da Bloomberg.

O documento apresentado revelou que o crescimento da receita líquida, ao contrário do esperado, aumentou 8%, ficando abaixo dessa meta e representando uma queda em relação aos 21% registrados em 2024.

Tarifas e concorrência

Fundada originalmente na China continental e agora com sede em Cingapura, a Shein construiu um império global de fast-fashion ao oferecer roupas a preços baixos e alinhadas às tendências, enviadas diretamente dos fornecedores.

No entanto, as tarifas dos EUA, seguidas pela guerra no Oriente Médio, resultaram em custos mais elevados de materiais e, por fim, no aumento dos preços para os consumidores.

O crescimento do tráfego global no site da Shein desacelerou de mais de 60% em relação ao ano anterior no segundo semestre de 2025 para cerca de 30% no início deste ano — antes de cair para um dígito em junho e julho —, de acordo com a Similarweb.

Leia também: Shein x Primark: disputa de gigantes do fast fashion expõe virada do físico ao digital

Os downloads do aplicativo em todo o mundo diminuíram na maior parte dos 12 meses até meados de julho, chegando a cair 30% em relação ao mesmo período do ano anterior em seu ponto mais acentuado, de acordo com a empresa de pesquisa de mercado Apptopia.

As vendas nos EUA caíram durante a maior parte dos 12 meses até a semana de 19 de julho, de acordo com dados compilados pela Bloomberg Second Measure, que analisa transações com cartões de crédito e débito no país. Elas registraram uma queda de 13% em junho em relação ao ano anterior, e a queda se aprofundou ainda mais em julho.

A Shein afirmou que a revogação, pelo presidente Donald Trump, da chamada isenção “de minimis” sobre tarifas para encomendas com mercadorias de valor não superior a US$ 800 teve um impacto adverso sobre suas vendas nos EUA e sobre o crescimento geral de sua receita líquida, embora tenha observado, desde então, uma normalização nas tendências de vendas no país.

A revogação pela União Europeia da isenção de direitos aduaneiros de € 150 (US$ 170) também pode ter um impacto significativo nos negócios da Shein, revelou a varejista, uma vez que gerou cerca de um terço de suas receitas na Europa em 2025 e no primeiro trimestre de 2026.

A Shein afirmou que o impacto da medida da UE pode ser igual ou até maior do que o da revogação da regra “de minimis” nos EUA.

A Shein também vem enfrentando uma concorrência cada vez mais acirrada da Temu, da PDD Holdings, em mercados-chave, incluindo os EUA e a Europa, enquanto os órgãos reguladores intensificaram o escrutínio sobre as operações da varejista.

No futuro, “o escrutínio sobre a conformidade das plataformas na UE está aumentando, e isso pode resultar em mudanças nas regras que poderiam restringir o crescimento da Shein”, afirmou Lim, da BI.

“As estratégias para contornar as tarifas podem amenizar apenas parcialmente a pressão em todo o setor sobre as plataformas de baixo custo originárias da China, à medida que os reguladores fecham brechas há muito utilizadas.”

–Com a colaboração de Julia Fioretti.

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