Atividade econômica desacelera, enquanto inflação e contas públicas seguem como desafios
As perspectivas para a economia brasileira em 2026 apontam para um cenário de crescimento moderado, acompanhado de desafios relacionados ao equilíbrio fiscal e ao controle da inflação, conforme destaca o relatório Radar Macroeconômico, elaborado pelo Departamento Técnico e Econômico da Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de São Paulo (Faesp). De acordo com o Relatório Focus, a expectativa é de expansão de 1,97% do Produto Interno Bruto (PIB) nacional, enquanto a Fundação Seade projeta crescimento de 1,3% para a economia paulista.
No primeiro trimestre de 2026, o PIB paulista alcançou R$ 970,7 bilhões, registrando alta de 1,8% em relação ao trimestre anterior, segundo dados da Fundação Seade. A agropecuária respondeu por R$ 17,6 bilhões, o equivalente a 1,8% do PIB estadual. Embora o setor tenha apresentado retração de 4% na comparação com o trimestre imediatamente anterior, manteve crescimento de 1,5% no acumulado dos últimos quatro trimestres, evidenciando a resiliência da produção agropecuária diante da elevação dos custos de produção, das oscilações climáticas e das incertezas nos mercados internacionais.
O mercado de trabalho também manteve desempenho favorável. A taxa de desocupação ficou em 5,6% no trimestre encerrado em maio, enquanto a população ocupada atingiu 102,7 milhões de pessoas, um incremento superior a 840 mil trabalhadores em relação ao mesmo período do ano anterior. A agropecuária respondeu por 7,9 milhões de ocupados, representando 7,7% do total de ocupados no país, reforçando sua relevância para a geração de emprego, renda e dinamismo econômico nas regiões produtoras.
Apesar da resiliência do mercado de trabalho, o ambiente macroeconômico ainda é marcado por pressões inflacionárias. O IPCA acumulou alta de 4,64% em 12 meses até junho, permanecendo acima do limite superior da meta de inflação. Por outro lado, a variação mensal desacelerou para 0,16%, após registrar 0,58% no mês anterior. A redução dos preços dos alimentos consumidos no domicílio, especialmente café, frutas e carnes, contribuiu para aliviar parte das pressões inflacionárias sobre as famílias.
Além dos desafios relacionados à inflação, a situação das contas públicas continua sendo um dos principais pontos de atenção. Em maio, o setor público registrou déficit primário de R$ 56,1 bilhões. Ao se incorporarem as despesas com juros nominais, que somaram R$ 107,5 bilhões, o déficit nominal atingiu R$ 163,7 bilhões. A dívida bruta do governo geral alcançou 81% do PIB, enquanto a dívida líquida do setor publicou foi de 67,9% do PIB. O elevado custo do serviço da dívida dificulta o processo de consolidação fiscal, amplia a percepção de risco e pressiona os prêmios exigidos pelos investidores para financiar o setor público.
Quanto ao setor externo, as contas externas apresentam melhora na comparação interanual. O déficit em transações correntes recuou para US$ 64,1 bilhões no acumulado de 12 meses, ante US$ 75,3 bilhões registrados no mesmo período do ano anterior. Ao mesmo tempo, o investimento direto no país alcançou US$ 83,3 bilhões, evidenciando a continuidade de fluxos robustos de capital destinados ao financiamento de investimentos produtivos.
Esses e outros indicadores estão reunidos no Radar Macroeconômico da Faesp. Clique na imagem abaixo para acessar o relatório completo.




