24.8 C
Marília
HomeEconomiaEntre o mito e o mercado: a metamorfose de Frida Kahlo em...

Entre o mito e o mercado: a metamorfose de Frida Kahlo em um ícone global

spot_img


Ler o resumo da matéria

A Tate Modern, em Londres, explora a trajetória de Frida Kahlo, destacando como ela se tornou um ícone global, com mais de 200 peças que incluem suas obras, roupas e objetos pessoais.

A exposição “Frida: The Making of an Icon” já bateu recordes de pré-venda, refletindo seu impacto cultural como símbolo de empoderamento e resiliência.

Kahlo, que enfrentou dores físicas e emocionais, transformou seu sofrimento em arte, abordando temas como feminismo e identidade.

Sua obra, que desafia tabus, continua relevante, e a “Fridamania” é vista como uma “apropriação democrática” de sua imagem, com produtos que vão de vestuário a bonecas.

* Resumo gerado por inteligência artificial e revisado pelos jornalistas do NeoFeed

Londres – Desde o fim de junho, a Tate Modern tenta explicar como Frida Kahlo (1907-1954) se tornou um ícone global e até uma mercadoria — com a reprodução em massa de sua imagem em uma infinidade de produtos. Mais de 200 peças repassam o percurso da artista revolucionária, que se mantém como uma das mais influentes e populares do mundo.

O interesse pela exposição Frida: The Making of an Icon, em Londres, já dá uma ideia do alcance da mexicana, que também é um símbolo de empoderamento, resiliência e força criativa. Antes mesmo da abertura, a mostra bateu um recorde, com a pré-venda de mais de 41 mil ingressos. Foi a exposição com a mais rápida e a maior venda antecipada da história do museu, superando a marca anterior, de 32 mil, da retrospectiva de David Hockney, em 2017.

Em cartaz até janeiro de 2027, a mostra explora as múltiplas facetas — seja como artista, intelectual, ativista, quebradora de regras, esposa ou mestiça descendente de indígenas. São mais de 30 trabalhos da própria Kahlo, além de roupas, joias, instrumentos médicos, fotografias e objetos pessoais da pintora.

Ainda completam a exposição obras de artistas influenciados por ela — incluindo alguns de seus contemporâneos e nomes das novas gerações.

Tudo para ajudar o visitante a entender o que mais contribuiu para Kahlo se tornar uma figura tão conhecida.

Vale lembrar que o autorretrato El sueño (La cama), pintado em 1940, é a obra de uma artista mulher a alcançar o valor mais alto em um leilão — desde que foi arrematado por US$ 54,7 milhões na Sotheby’s, em Nova York, em novembro do ano passado.

Nascida em Coyoacán, Magdalena Carmen Frida Kahlo y Calderón possivelmente se tornou um fenômeno cultural ao conseguir canalizar todo o seu sofrimento físico e emocional para a arte. E sem evocar qualquer traço de piedade.

Um exemplo de como ela transformava a dor em algo transcendental é a pintura Autorretrato com colar de espinhos e beija-flor, de 1940, presente na Tate Modern.

A obra foi realizada logo após o divórcio de Diego Rivera, com quem teve uma relação tumultuada, e o fim de um romance com Nickolas Muray. Apesar dos espinhos perfurando o seu pescoço, fazendo o sangue escorrer, a expressão calma de Kahlo sugere força, resistência e dignidade diante do sofrimento. Ela nunca se retratou como uma vítima.

“Frida: The Making of an Icon” foi a exposição com a mais rápida e a maior venda antecipada da história da Tate Modern (Foto: Tate/Larina Annora Fernandes)

Em “Autorretrato com Cabelo Solto”, a artista destaca aqui a sua herança genética e essência (Foto: Private collection)

A seção “Fridamania” da mostra londrina traz a infinidade de produtos estampados com o rosto da artista mexicana desde meados dos anos 1980 (Foto: Tate/Larina Annora Fernandes)

O autorretrato “El sueño (La cama)” é a obra de uma artista mulher a alcançar o valor mais alto em um leilão: US$ 54,7 milhões na Sotheby’s, em Nova York, em novembro de 2025 (Foto: sothebys.com)

A dor passou a ser parte intrínseca da vida da artista logo cedo. Na infância, ela contraiu poliomielite e ficou com sequelas da doença. E os problemas de saúde só pioraram depois de um grave acidente de ônibus na adolescência, acarretando limitações e dores para o resto da vida.

Fotografias de Kahlo pintando na cama integram a exposição, dando uma ideia de como ela escolhia lidar com a dor. A artista mandou fazer um cavalete com o qual conseguia trabalhar mesmo deitada. E, com a ajuda de um espelho, ela podia se observar, o que resultou em tantos autorretratos, sempre viscerais.

O que também ajudou a obra de Kahlo a se manter relevante, ao longo das décadas, foi o ativismo da artista. Ela se tornou um ícone feminista, ao enfrentar o conservadorismo e o machismo da época. A pintora quebrou tabus, abordando questões desconcertantes, como aborto, parto e amamentação, em sua obra.

Havia ainda uma rebeldia contra padrões de beleza, mantendo as sobrancelhas espessas e o bigodinho, como se vê na pintura Autorretrato com Cabelo Solto, realizada em 1947 e exposta em Londres. Diferentemente da sua imagem habitual, com tranças e adereços que lhe davam uma aparência exótica, a artista destaca aqui a sua herança genética e essência, sem recorrer a artifícios.

Kahlo ainda estava à frente de seu tempo, ao lutar por sua independência, dedicando-se à carreira e ao viver seus amores abertamente, admitindo a sua bissexualidade. Por ser mestiça (filha de um descendente de alemão e de uma mexicana de herança indígena), ser uma pessoa com deficiência e assumir a sua identidade queer, Kahlo até hoje é uma referência para os grupos minorizados.

Todos esses aspectos colaboraram para a construção de um mito, levando a exposição a explorar, na última seção, a Fridamania. É como se, ao celebrar a sua identidade (seja no seu estilo pessoal ou na sua arte), a artista conseguisse se conectar com milhões de pessoas, ao redor do globo.

Isso explicaria a infinidade de produtos estampados com o seu rosto, desde meados dos anos 1980. A exposição prefere definir a Fridamania como uma “apropriação democrática” e não apenas como consumismo, o que reduziria a artista a uma mercadoria esvaziada de seus significados.

São peças de vestuário e acessórios, canecas, sacolas, velas, cadernos, garrafas, almofadas, chaveiros e produtos de maquiagem, entre outros. A exposição traz também uma variedade de bonecas, incluindo a controversa Frida Barbie, lançada em 2018 pela Mattel.

Embora o item faça parte da coleção Mulheres Inspiradoras, os traços físicos mais pronunciados da artista, as sobrancelhas grossas e unidas e o buço visível, dos quais ela tinha orgulho, foram suavizados aqui. Ou seja, uma estratégia para enquadrar a imagem da artista nos moldes estéticos da boneca, promovendo o padrão eurocêntrico, justamente o oposto do que Kahlo pregava, com sua busca por autenticidade.



Fonte Link

spot_img
spot_img
Fique conectado
16,985FansLike
2,458FollowersFollow
61,453SubscribersSubscribe
Deve ler
spot_img
Notícias Relacionadas
spot_img