Ler o resumo da matéria
A exposição “Gianni Versace Retrospectiva”, em Paris, celebra o legado do estilista italiano, que revolucionou a moda nas décadas de 1980 e 1990 ao unir alta-costura e cultura pop.
Com 450 peças, a mostra destaca suas inspirações, como a Grécia Antiga e o barroco, e apresenta roupas, acessórios e fotografias de renomados fotógrafos.
Versace, que começou sua carreira em Reggio Calábria, destacou-se por sua estética vibrante e sensual, celebrando o corpo feminino.
Após sua morte em 1997, sua irmã Donatella assumiu a grife, que agora é controlada pela Prada, preparando-se para retornar à alta-costura em 2027.
O novo diretor artístico, Pieter Mulier, tem a missão de reposicionar a marca, buscando revitalizar sua identidade e legado quase três décadas após a morte de Gianni.
* Resumo gerado por inteligência artificial e revisado pelos jornalistas do NeoFeed
Paris – O estilista italiano Gianni Versace marcou a história da moda nas décadas de 1980 e 1990 ao aproximar a alta-costura do universo da cultura pop e transformar desfiles em grandes espetáculos. Essa trajetória criativa, que deixava Milão e Paris em ebulição a cada apresentação, é retraçada em uma exposição no Museu Maillol, na capital francesa.
Com cerca de 450 peças de colecionadores particulares, a mostra ocorre em um momento de transformação da grife. Comprada pela Prada no ano passado por € 1,2 bilhão, a Versace prepara seu retorno à alta-costura, anunciado para o início de 2027, após uma década fora das passarelas parisienses. No próximo ano, completam-se três décadas da morte do estilista.
Em cartaz até 31 de outubro, a exposição apresenta e destaca as diferentes fontes de inspiração de Versace. O percurso é organizado pelas principais referências que moldaram seu trabalho: a Grécia Antiga, a opulência do barroco, as referências do punk e da arte pop (com as estampas de Marilyn Monroe de Andy Warhol), a arquitetura e o modo de vida no balneário americano, onde morou nos últimos seis anos de sua vida.
Gianni Versace Retrospectiva apresenta roupas, incluindo modelos adquiridos em leilões, exibidas sem vitrines, o que permite observar os detalhes das peças de perto, além de acessórios, croquis, objetos decorativos, vídeos e fotografias realizadas por grandes nomes do universo da alta moda — como Helmut Newton, Richard Avedon, Irvin Penn e Mario Testino.
“Vulgar? Talvez eu tenha simplesmente ousado. E os que ousam obtêm excelentes resultados”, costumava dizer o designer, conhecido por suas criações com estampas exuberantes e coloridas, marcadas também por um estilo sensual.
Versace deu seus primeiros passos na moda como comprador de tecidos para o ateliê de costura de sua mãe em Reggio Calábria, sua terra natal. No começo dos anos 1970, ele se instalou em Milão, onde trabalhou para diferentes marcas até criar sua própria grife, em 1978.
Desde o início, ele chamou a atenção por uma estética que combinava referências eruditas e populares, estampas exuberantes e cores vibrantes. Enquanto parte da moda europeia apostava na sobriedade, Versace celebrava o corpo feminino com vestidos justos e ultracurtos, fendas e decotes.
Em poucos anos, já era um dos principais nomes da moda italiana. Abriu butiques pelo mundo e consolidou uma estética imediatamente reconhecível.
Em 1986, recebeu uma medalha do então prefeito de Paris, Jacques Chirac. Foi a primeira honraria desse tipo concedida por uma autoridade da capital francesa a um estilista estrangeiro, diz ao NeoFeed Vincent Barreneche, chefe de projeto da Caramba, produtora responsável pela retrospectiva na França.
Coragem para o novo
Versace foi um dos primeiros grandes designers a transformar desfiles em eventos da cultura pop. Também aproximou suas criações de artistas, músicos e de uma geração de supermodelos que ajudou a lançar no início dos anos 1990, como Cindy Crawford, Naomi Campbell, Claudia Schiffer e Linda Evangelista.
Elton John, Prince, Madonna, Sting, George Michael ou ainda a princesa Diana são algumas das personalidades que prestigiaram as criações de Versace.
“Os desfiles no Ritz pareciam um show de rock, com uma plateia de estrelas”, diz Barreneche, citando presenças geralmente incomuns nesse tipo de evento, como a do ator Sylvester Stallone. “Versace mandava cobrir a piscina do hotel. Havia um toque de originalidade na concepção dos desfiles na época.”
A exposição também ressalta a importância de Paris na trajetória do designer. Sua linha de alta-costura, a Atelier Versace, foi criada em 1989. Na sequência, de 1990 até sua morte, em 1997, a marca apresentou duas coleções de alta-costura por ano na cidade.
Na mostra parisiense, não poderiam faltar as camisas de seda ultracoloridas, uma das criações mais reconhecidas de Versace, com estampas que combinam referências do barroco, da Antiguidade e da cultura visual contemporânea, além, claro, da Medusa, emblema da grife.
Há também objetos da linha de decoração, lançada em 1994, uma ideia que o estilista teve durante as gigantescas obras de restauro da Casa Casuarina, em Miami Beach.
Mas nem tudo foi só exuberância nas criações de Versace. A partir de 1995, ele dá uma guinada com tailleurs e vestidos com estilo minimalista, mas ao mesmo tempo femininos e com corte e tecidos sofisticados.
“Na moda é preciso sempre avançar”, disse o designer sobre a mudança de estilo. “É preciso ter coragem de propor algo novo.”
O assassinato
Versace foi morto a tiros na manhã de 15 de julho de 1997, enquanto abria o portão de sua mansão em Miami Beach. Tinha 50 anos e estava no auge da carreira. O assassinato inspirou uma série da Netflix em 2018, contestada pela família do estilista, que classificou a produção como uma obra de ficção e sempre negou qualquer relação entre o estilista e o assassino. Até hoje, o motivo do crime permanece cercado de controvérsias.
Após sua morte, a direção criativa da grife passou para sua irmã, Donatella Versace, que permaneceu no comando por quase três décadas e preservou o legado do fundador, adaptando a marca às transformações da indústria da moda.
Agora, a transformação é da própria Versace. Com a aquisição pela Prada, a grife voltou ao controle de um grupo italiano após sete anos nas mãos da americana Capri Holdings. Segundo a Vogue França, o período foi marcado por queda nas vendas e pela ausência de uma identidade de marca claramente definida.
Depois da saída de Donatella, em março do ano passado, e da breve passagem de Dario Vitale, que assinou apenas uma coleção, a Versace anunciou recentemente o estilista belga Pieter Mulier como novo diretor artístico.
Sua missão será reposicionar a marca. Para isso, traz a experiência de ter revitalizado a Alaïa após a morte de seu fundador, em 2017, conquistando projeção internacional e elogios da crítica especializada.
A volta da Versace à alta-costura parisiense, em 2027, será o primeiro grande teste dessa nova fase — e também a oportunidade de mostrar que o legado de Gianni Versace ainda é capaz de ocupar o centro da moda quase três décadas após sua morte.




