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LatamGPT ganhará nova versão

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O LatamGPT, um grande modelo de linguagem (LLM) construído com dados em espanhol e português por meio de uma parceria entre várias universidades latino-americanas, vai ganhar uma segunda versão com maior qualidade e mais dados, informa Fábio Cozman, professor da Escola Politécnica da USP, diretor do C4AI (Center for Artificial Intelligence and Machine Learning) e um dos colaboradores da iniciativa no Brasil. Cozman vai participar de um painel sobre soberania nacional em inteligência artificial durante o Super Bots Experience 2026, evento que acontecerá nos dias 18 e 19 de agosto, no WTC, em São Paulo. Vale lembrar que o LatamGPT foi o grande vencedor do Prêmio Seleção Mobile Time este ano.

Em entrevista para o Mobile Time, Cozman fala mais sobre o LatamGPT e opina sobre o desenvolvimento da IA no Brasil.

Mobile Time — Como surgiu o projeto LatamGPT? Qual é o seu objetivo?

latamgpt

Fabio Cozman, professor da Escola Politécnica da USP e diretor do C4AI

Fabio Cozman — O projeto LatamGPT é uma iniciativa originada no Centro de Inteligência Artificial (CENIA) do Chile e liderada por aquele centro, que congrega instituições de toda a América Latina para construir uma família de Grandes Modelos de Língua (LLMs, do inglês Large Language Models), liberando periodicamente um modelo também chamado “LatamGPT”. O primeiro modelo foi liberado neste primeiro semestre, tendo sido treinado (processo de treinamento continuado e pós-treino) a partir do modelo aberto Llama 70B. O treinamento ocorreu no Chile, usando dados coletados de países da América Latina, tanto dados textuais quanto dados sobre seguimento de instruções e dados para avaliação.

Como é a participação do Brasil nesse projeto? Quais foram as principais fontes de dados em português para o treinamento do modelo?

Nosso grupo aqui no Brasil contribui com dados para avaliação. Dados na língua portuguesa foram obtidos de vários conjuntos públicos, um dos quais é o corpus Carolina, que foi construído no Brasil (em nosso centro de pesquisa aqui na USP) com anotações linguísticas para garantir maior qualidade (https://sites.usp.br/corpuscarolina/).

Em que estágio de desenvolvimento se encontra o projeto? O LatamGPT está disponível para uso público?

Foi feita a primeira versão e o projeto segue com planos para uma próxima versão 2, com maior qualidade e uso de mais dados.

O modelo LatamGPT está disponível na plataforma HuggingFace (código Llama-3.1-70B-LatamGPT-SFT-1.0), e um chat pode ser acessado em copuchat.latamgpt.org. Seu uso é gratuito mediante algumas restrições na licença de uso.

É um modelo de uso geral, pode ser usado para responder a perguntas, para realizar sumários, corrigir textos.

Qual papel o Brasil pode desempenhar no ecossistema global de IA? Seremos meros consumidores da tecnologia ou podemos ser protagonistas no seu desenvolvimento? Temos vocação para liderar em alguma área específica?

Creio que, de fato, há caminhos interessantes para o país, trabalhando com algoritmos de IA preditiva para aplicações que beneficiem a sociedade, por exemplo, em setores governamentais, setores produtivos como finanças, agro, saúde. O uso intensivo de grandes modelos de língua realmente ainda nos coloca em uma posição mais frágil, pois a tecnologia não é inteiramente dominada, mas temos grupos de pesquisa que podem desenvolver boas ideias com algum suporte. Creio que as iniciativas em geral do PBIA (Plano Brasileiro de Inteligência Artificial) são positivas ao organizar o panorama geral de investimentos e aumentar o foco em temas estratégicos, embora, de fato, seja difícil concorrer com o nível de investimento internacional com os recursos disponíveis.

Qual a sua opinião sobre o PL 2338, marco legal da IA? Há críticas de que o processo na Câmara estaria acontecendo sem transparência, sem participação popular. Concorda?

Sobre o PL 2338, tenho acompanhado a discussão, mas não sou um especialista em legislação; o que posso dizer é que me parece saudável ter essa discussão no Congresso, pois o tema vai lentamente se cristalizando. Decisões muito rápidas não se justificam, já que, no momento, não temos clareza sobre o melhor caminho.

Há também críticas de que não deveríamos copiar a lei europeia, mas procurar um caminho próprio para nossa legislação sobre IA. Qual a sua opinião sobre isso?

De fato, acho que o caminho representado pelo EU AI Act é muito restritivo — precisamos de um regramento mais leve, mas que, ao mesmo tempo, garanta certa proteção aos usuários e aos produtores de conteúdo.

 

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As ilustrações das matérias são produzidas por Mobile Time com IA



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