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A irrigação mudou o agro no oeste baiano. Tem espaço para mais

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O avanço da irrigação na Bahia ao longo dos últimos anos transformou a produtividade da agricultura na região, especialmente na produção de soja e de algodão. Segundo pesquisadores e empresários, é apenas uma amostra do potencial que o estado pode atingir.

Na safra 2025/26, a Bahia foi campeã em produtividade de soja, com a colheita de 70,3 sacas por hectare, ante a média nacional de 62,7 sacas por hectare, segundo a Agroconsult. Para a próxima safra, a consultoria estima avanços também no algodão: a expectativa é chegar a 335 arrobas por hectare, enquanto a média nacional é estimada em 320.

Com sistemas de produção caracterizados pelo plantio da soja na primeira safra e de algodão irrigado na segunda, a oleaginosa, mesmo que não seja irrigada, acaba sendo beneficiada pela melhora da qualidade do solo.

De acordo com a Agroconsult, a irrigação já é utilizada em quase metade de toda a área de algodão na Bahia, estimada em 425 mil hectares.

O oeste baiano concentra a maior parte dessas fazendas, sendo classificado como o maior polo de produção agrícola irrigada do Brasil. Segundo a Aiba (Associação de Agricultores e Irrigantes da Bahia), considerando todas as culturas, as áreas irrigadas somam aproximadamente 375 mil hectares no estado.

50 mil hectares por ano

Os investimentos em irrigação começaram a ganhar mais ritmo nos últimos cinco anos. Desde 2021, são 50 mil hectares irrigados adicionados por ano, ante uma média de 10 mil hectares nos anos anteriores, segundo Everardo Mantovani, professor sênior da Universidade Federal de Viçosa (UFV) e consultor de irrigação.

Essa expansão mais forte começou com um pedido feito em 2016 pelo produtor Julio Busato, então presidente da Aiba, para a UFV realizar um estudo sobre o potencial de irrigação na região.

Os trabalhos começaram em 2019 e foram concluídos em 2021. Durante os estudos, os pesquisadores viram que desce para o aquífero Urucuia — o principal da região — um volume de 600 metros cúbicos de água por segundo, em média. O volume usado pela irrigação naquela época (2020) era de 40 metros cúbicos por segundo.

“Nós propusemos usar 20% de todo o valor que desce para os aquíferos na irrigação. Isso dá 120 metros cúbicos por segundo. Como se usava 40 metros cúbicos, vimos que era possível fazer um aumento de área irrigada de forma sustentável”, diz Mantovani.

A chegada das multinacionais

O potencial virou negócio. A Lindsay, uma das principais empresas de equipamentos de irrigação do mundo, vem crescendo na região desde a pandemia e segue investindo para estar mais perto dos distribuidores locais e dos agricultores.

“Hoje, você já tem as segundas e terceiras gerações chegando ao comando. É um pessoal bem formado, que sabe o que faz com o solo — e isso faz com que as empresas de irrigação tenham de estar muito mais preparadas”, afirma Claudio Lima, vice-presidente de irrigação da Lindsay para a América Latina.

Além dos investimentos na área comercial, a Lindsay investe para adaptar os equipamentos à realidade brasileira. Segundo Lima, nos Estados Unidos, um pivô tem em média sete vãos (um vão é o trecho aéreo que fica entre uma torre e outra) e 300 metros de raio. Um pivô na Bahia tem entre 18 e 19 vãos.

“Tem um nível de uso extremamente maior do que nos Estados Unidos. Lá se usa para uma safra só, aqui se usa para três”, diz Lima.

Os sistemas que acompanham os pivôs também têm se tornado mais sofisticados ao longo do tempo. “Na irrigação por aspersão, dos anos 1950, as perdas de água chegavam a 40%. No pivô central, a perda já está na ordem de 10%, com uma eficiência de uso de potência muito maior”, explica Laércio Miranda, diretor da Irrigaplan, outra empresa tradicional no mercado de irrigação.

A Lindsay, por exemplo, comercializa um software chamado FieldMet Advisor, que, quando conectado a sensores de solo, pode trazer recomendações de quanto e quando irrigar determinadas áreas para aumentar a produtividade.

“Isso para a Bahia é muito importante, porque é uma região muito desenvolvida em termos de conhecimento. Tem produtores que irrigam lá desde 1985”, completa Lima.

Desafios

Daqui para frente, o aumento da irrigação na região passa por alguns desafios. Um deles é a infraestrutura de energia elétrica.

“A gente tem um projeto de 800 hectares de irrigação. Já fizemos os poços e agora estamos esperando a energia chegar, parece que é no ano que vem”, diz José Ranulfo Queiroz, produtor do oeste baiano, dono da Estreito Agropecuária.

Na Bahia Farm Show deste ano, foram anunciados investimentos para a ampliação e modernização de infraestrutura de transmissão de energia no estado. A Neoenergia Coelba, concessionária local, vai investir R$ 25 bilhões em infraestrutura de transmissão e em novas subestações até 2030.

“Isso vai ser importantíssimo”, frisa Lima. “Hoje, apenas 2% do Mato Grosso é irrigado por falta de linhas de distribuição. Sorriso, maior produtor de soja do planeta, à noite tem problemas de energia. O mesmo acontece em Luís Eduardo Magalhães, na Bahia”, destaca.



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