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Ex-Nubank levanta ‘seed’ histórico: Decade vai gerir finanças pessoais com AI

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A Decade – fundada no ano passado pelo ex-CTO do Nubank, Vitor Olivier – acaba de levantar a maior rodada seed da história da América Latina, colocando US$ 85 milhões no caixa para construir uma plataforma de AI que ajude os brasileiros na gestão de suas finanças e investimentos.

A captação, de cerca de R$ 440 milhões no câmbio de hoje, foi feita junto a gestoras americanas, incluindo nomes de peso como a Benchmark – que foi um dos primeiros cheques de empresas como Uber, Ebay e Instagram – a Diffusion e a Greenoaks, além das brasileiras Atlantico e Norte Ventures. 

O dinheiro entrou no caixa em setembro passado, quando a startup foi fundada, mas só está sendo anunciado agora, quando ela está saindo do stealth mode para lançar o produto oficialmente.

Olivier passou quase 12 anos no Nubank, deixando a fintech em agosto do ano passado. Ele fundou a Decade com Felipe Meneses, um dos criadores da Hyperplane, a startup de AI para crédito adquirida pelo Nubank em agosto de 2024.

Vitor decidiu empreender porque “me bateu aquela coceira da construção,” ele disse ao Brazil Journal. “Ser CTO é muito diferente de construir algo, e eu via que muitos problemas que eu gostaria de resolver não eram prioridade para o Nubank. Eu sentia falta de colocar a mão na massa.”

Para pensar em seu próximo negócio, ele começou a refletir sobre o sucesso do Nubank, e sobre o que permitiu que o banco de David Vélez saísse do zero para US$ 65 bilhões em market cap em 10 anos.

“A receita do Nubank é que eles olharam as dores dos clientes e as grandes ondas tecnológicas do momento e criaram uma empresa unindo essas duas coisas. No caso do Nubank, a dor era o acesso a produtos financeiros, e a onda tecnológica eram os smartphones e a nuvem,” disse o empreendedor. 

“Na Decade, a dor que estamos tentando resolver é a gestão dos recursos dos brasileiros, e a onda tecnológica é a AI. Hoje só 7% da população brasileira seria capaz de se aposentar com seus próprios recursos.” 

Para ele, isso vem da falta de convicção dos brasileiros em fazer gestão financeira: poupar, investir e cuidar das receitas e despesas. “A verdade é que os brasileiros não têm capacidade hoje de fazer essa gestão sozinho, e as instituições muitas vezes estão conflitadas porque operam com o modelo de comissão, que faz elas empurrarem sempre o produto com a maior tarifa.”

A Decade está se inspirando no serviço oferecido aos ricos pelos multifamily offices e private banks, que representam esses clientes em todos os seus relacionamentos financeiros, guiando a alocação de investimentos e o planejamento financeiro e tributário. 

“Unindo este modelo de atendimento com a inteligência artificial conseguimos reduzir custos, aumentar acesso e qualidade,” disse Vitor. “Nossa ideia é criar uma nova categoria de gestão financeira para os brasileiros.”

08 03 Felipe Meneses ok

Ao entrar na Decade, a primeira coisa que o cliente faz é conectar todas as suas contas por meio do Open Finance ou fazendo o upload de PDFs – o que permitirá à plataforma ter uma visão consolidada de todo o patrimônio e fluxo de caixa.

Com esses dados, a Decade vai fazer uma análise profunda da concentração da carteira por classe de ativos e geografia, e da qualidade de cada um dos ativos – indicando aqueles que deveriam ser evitados e opções de investimento melhores, além de potenciais ineficiências tributárias.

“Com o fluxo de caixa fazemos igual, analisamos as receitas e despesas para ver onde o cliente pode melhorar, apontando assinaturas dispensáveis e padrões de gastos preocupantes,” disse Vitor.

A plataforma indica ainda o cartão de crédito com os melhores benefícios, e permite que o cliente converse com um chat de AI para fazer simulações de portfólio e planejamento de custos, por exemplo. 

A oferta conta ainda com o componente humano. A Decade oferece um consultor que já pode ser acessado via Whatsapp para tirar dúvidas, e que é quem fará qualquer tipo de execução de ordem quando a plataforma evoluir nessa direção. 

O modelo é de assinatura mensal, com a startup cobrando R$ 200 por mês para dar acesso a esses serviços. Ela também oferece um produto – restrito a convidados – para competir com os MFOs e private banks no modelo fee based

A Decade vinha operando em beta nos últimos seis meses, com alguns poucos clientes. Hoje, a startup abre sua lista de espera. 

“O importante pra gente é que as pessoas amem o nosso produto, vejam valor nele e recomendem para outras pessoas. O ritmo de crescimento vai depender da qualidade do produto,” disse ele. 

Qualquer semelhança com a estratégia do Nubank não é mera coincidência.




Pedro Arbex








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