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Fintech Kesh capta R$ 550 milhões para escalar tese de “cashback de juros”

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A fintech Kesh levantou R$ 550 milhões para expandir sua oferta de “cashback de juros”, visando escalar sua operação em um cenário de alta inadimplência no Brasil.

A rodada, liderada pelo Grupo Leste, contou com a participação da BR Angels e sócios da Across Capital, e serviu para validar a tese da empresa, segundo seu CEO, Marcelo Ramos.

O Kesh, em operação desde abril de 2025, oferece crédito de curto prazo com a devolução dos juros em forma de benefícios, focando em trabalhadores de baixa renda que já esgotaram outras opções de crédito. Com mais de 150 parceiros comerciais, a fintech já concedeu mais de R$ 30 milhões em crédito, com um ticket médio de R$ 650.

Os recursos levantados serão usados para aumentar a presença no mercado e acelerar a distribuição do produto, além de oferecer um sistema de gestão de folha de pagamento. Ramos acredita que a tese é uma alternativa viável para atender as necessidades financeiras dos trabalhadores.

* Resumo gerado por inteligência artificial e revisado pelos jornalistas do NeoFeed

Em um momento em que a população brasileira está altamente endividada e as fintechs passam por um aperto regulatório, a fintech Kesh levantou R$ 550 milhões para escalar sua oferta de “cashback de juros”.

A rodada, anunciada nesta terça-feira, 4 de agosto, foi liderada pelo Grupo Leste, plataforma de investimentos alternativos fundada por Emmanuel Hermann. A operação contou com a participação da BR Angels e de um grupo de sócios estratégicos da Across Capital, combinando recursos de equity e funding para o FIDC da empresa. O valuation não foi divulgado.

Mais do que os recursos necessários para correr atrás da meta de ter 1 milhão de usuários em três anos, a rodada serviu como “carimbo institucional” para a heterodoxa tese do Kesh, ao trazer para o cap table nomes conhecidos do mercado, segundo Marcelo Ramos, fundador e CEO do Kesh.

“Nosso maior desafio hoje é a credibilidade”, diz ele ao NeoFeed. “O mercado vive um momento complicado para as fintechs, então precisávamos mostrar que temos lastro financeiro e uma operação sólida para crescer, depois de provar que a nossa tese para de pé.”

Em operação desde abril de 2025, o Kesh é uma fintech B2B2C de gestão e pagamento da folha salarial, com a concessão de crédito com oferta de um “cashback de juros” como seu principal diferencial.

O modelo da startup funciona como uma antecipação do salário relativo aos dias trabalhados. O funcionário toma o crédito e os juros cobrados voltam sob o formato de cashback, que pode ser utilizado nos parceiros do Kesh

A lógica econômica da operação está na relação com parceiros comerciais, além da gestão da folha de pagamento das empresas. Em vez de reter integralmente os juros dos empréstimos, a fintech converte esse valor em créditos para consumo em categorias como alimentação, transporte, telefonia, saúde e serviços digitais.

Em troca, o Kesh recebe comissões das empresas participantes da rede, que conta com com mais de 150 parceiros, incluindo Bob’s, Vivo, TIM, Claro, Uber, Deezer e Netshoes, segundo Ramos.

“Identificamos que não era possível reduzir significativamente o custo do dinheiro. Então pensamos: e se compensássemos 100% dos juros? O trabalhador paga os juros, mas recebe esse valor de volta em poder de compra para gastos do dia a dia”, diz Ramos.

O produto é voltado principalmente para trabalhadores de renda mais baixa que já esgotaram outras fontes de crédito. Cerca de 80% dos tomadores de crédito recebem até cinco salários mínimos e mais de um terço da base ativa, composta atualmente por 40 mil usuários, utiliza o produto todos os meses para lidar com necessidades de caixa.

“A principal dor que resolvemos é daquele trabalhador que já está no limite do consignado e precisa de R$ 500 ou R$ 600 para uma emergência”, afirma Ramos.

Desde o início da operação, já foram concedidos mais de R$ 30 milhões em crédito. O tíquete médio das operações gira em torno de R$ 650. Como os empréstimos são vinculados à conta de recebimento do salário, a inadimplência é considerada controlada pela empresa.

Para Emmanuel Hermann, CEO e fundador do grupo Leste, que é investidor da Kesh desde o começo, o modelo chamou sua atenção pelo alinhamento entre rentabilidade e benefício ao trabalhador, um modelo benéfico em tempos de alto endividamento da população.

“Gostei da ideia de potencializar esse ganho e dividir parte dele com quem está tomando o crédito. Achei uma estrutura bastante criativa e que gera valor para o usuário”, diz.

Hermann ajudou na estruturação inicial da companhia, com a construção do FIDC para onde parte dos recursos da rodada será destinado, parcela dele sendo de fundos da Leste, casa que conta mais de R$ 22,3 bilhões sob gestão.

Ele conhece Ramos desde os tempos de Vee Benefícios, startup de benefícios flexíveis que fundou em 2016 que foi incorporada pela francesa Swile, em 2021. Hermann foi um dos fundadores da empresa e decidiu embarcar com Ramos na tese do “cashback com juros”.

Os recursos da rodada servirão para ampliar sua presença junto a empresas e acelerar a distribuição do produto. Além da oferta de crédito, a fintech disponibiliza um sistema próprio para processamento de folha de pagamento, com funcionalidades voltadas à digitalização da gestão financeira das empresas.

“A gente provou que a tese funciona. Agora é o momento de escalar, ganhar visibilidade e mostrar que existe uma alternativa para atender o trabalhador”, diz Ramos.



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