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Três regiões paulistas mostram a força do agro que alimenta o Brasil e conquista o mundo

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Abacate, ovos e carne bovina impulsionam exportações, movimentam bilhões de reais e consolidam São Paulo como protagonista da agropecuária nacional

São Paulo abriga alguns dos mais importantes polos agropecuários do país, responsáveis por liderar a produção nacional de alimentos estratégicos, gerar milhares de empregos e fortalecer a balança comercial brasileira. Entre eles, destacam-se as regiões de Mogi Mirim, referência nacional na produção de abacate; Bastos, reconhecida como a Capital Nacional do Ovo; e Barretos, um dos maiores polos da bovinocultura de corte do Brasil. Juntas, essas cadeias movimentam bilhões de reais por ano, abastecem o mercado interno e ampliam a presença dos produtos brasileiros em dezenas de países.

Na região de Mogi Mirim, que reúne ainda os municípios de Limeira, Bauru, Bernardino de Campos e São Miguel Arcanjo, concentra-se aproximadamente 40% da produção nacional de abacate. O estado de São Paulo colhe mais de 300 mil toneladas da fruta por ano, com Valor Bruto da Produção (VBP) superior a R$ 700 milhões. Além do consumo interno, o abacate paulista vem conquistando mercados internacionais, impulsionado pelo crescimento da demanda por alimentos saudáveis, principalmente na Europa, América do Norte e Ásia, fortalecendo a pauta exportadora do agronegócio do estado.

A produção deve crescer bastante nos próximos anos. O Brasil é apenas o 10º maior produtor mundial (o México lidera), mas tem potencial para ser o terceiro”, ressaltou Ligia Carvalho, produtora e diretora da Jaguacy, maior exportadora de abacate do Brasil.

No oeste paulista, Bastos consolidou-se como a principal região produtora de ovos do Brasil. O município e cidades vizinhas concentram centenas de granjas altamente tecnificadas, responsáveis por uma parcela significativa da produção nacional. O Brasil ultrapassa a marca de 57 bilhões de ovos produzidos por ano, e São Paulo responde pela maior fatia desse volume. O setor movimenta bilhões de reais, gera milhares de empregos diretos e indiretos e amplia continuamente sua presença nas exportações, especialmente para mercados da Ásia, Oriente Médio e América do Sul, beneficiado pelos elevados padrões sanitários da avicultura brasileira.

Nossa região é responsável por aproximadamente 11% de toda a produção nacional de ovos, com cerca de 25 milhões produzidos diariamente. São números que demonstram a força, a eficiência e a importância desse setor para o Brasil. Além de levar um alimento nutritivo e acessível para milhões de pessoas, a cadeia produtiva do ovo gera aproximadamente 3 mil empregos diretos e cerca de 10 mil empregos indiretos somente em Bastos, movimentando empresas, cooperativas, transportadores, fornecedores de insumos e diversos prestadores de serviços. O ovo é muito mais do que um alimento. Ele representa trabalho, renda, desenvolvimento econômico e oportunidades para milhares de famílias. É um setor que ajuda a fortalecer a economia local, contribui para a segurança alimentar da população e amplia cada vez mais a presença do Brasil no mercado internacional”, frisou Cristina Nagano, presidente do Sindicato Rural de Bastos.

Cristina Nagano

Já a região de Barretos permanece como um dos principais símbolos da pecuária nacional. Integrando um cinturão pecuário que inclui municípios como Colina, Guaíra, Olímpia, Bebedouro e Jaboticabal, a região contribui para que São Paulo mantenha um rebanho superior a 10 milhões de cabeças de bovinos. A carne bovina brasileira chega atualmente a mais de 150 países, sendo um dos principais produtos da pauta exportadora nacional. A atividade movimenta uma ampla cadeia econômica que envolve genética, nutrição animal, frigoríficos, transporte, logística, indústria de insumos e comércio, gerando riqueza em todo o interior paulista.

Barretos tem muita tradição na pecuária, em cuja região consta a formação das primeiras pastagens do Brasil no século XIX. Também em Barretos em 1913 foi inaugurado o primeiro frigorífico de carne bovina da América Latina. O estado de São Paulo São Paulo não é o maior produtor de gado de corte do Brasil, posição ocupada pelo Mato Grosso, mas aqui temos algumas vantagens competitivas, entre elas nossa infraestrutura, vasto parque industrial com produção de resíduos alimentares, tecnologia, muitos frigoríficos – pequenos, médios e grandes e maior mercado consumidor com alto poder aquisitivo. Isto posto, podemos não produzir o boi mais barato mas temos condições de agregar mais valor aos nossos produtos, explicou Cyro Penna Junior, diretor do Sindicato de Barretos, vice-presidente da Faesp e presidente da Câmara Setorial de Bovinocultura de Corte da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA).

No acumulado, o Brasil atingiu recordes históricos consecutivos na venda da proteína. O estado de São Paulo se mantém firmemente no topo como um dos três principais estados exportadores de carne bovina do país, dividindo o protagonismo nacional com Mato Grosso e Goiás.

Investimento em qualidade

Além da expressiva produção, essas três cadeias refletem o elevado nível tecnológico da agropecuária paulista. Investimentos em pesquisa, melhoramento genético, manejo sustentável, rastreabilidade, bem-estar animal e agricultura de precisão vêm aumentando a produtividade e a competitividade dos produtores rurais. Esse ambiente de inovação fortalece a agregação de valor, amplia a abertura de novos mercados internacionais e posiciona São Paulo entre os maiores fornecedores mundiais de alimentos de alta qualidade. Os cursos do Senar-SP – que atende mais de 250 mil pessoas por ano – têm transformado o estado em referência, ampliando sua participação no abastecimento nacional e na pauta de exportações.

Muito mais do que indicadores econômicos, as regiões de Mogi Mirim, Bastos e Barretos representam a capacidade do agro paulista de transformar vocação produtiva em desenvolvimento regional. Ao liderarem a produção de abacate, ovos e carne bovina, esses polos consolidam São Paulo como um dos grandes motores do agronegócio brasileiro, contribuindo para a segurança alimentar, a geração de empregos, o fortalecimento das exportações e o crescimento sustentável da economia nacional.

A construção de sete centros de excelência, em todo o estado, pelo Sistema Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de São Paulo (Faesp)/Senar, visa reforçar a vocação tecnológica do campo paulista. Além de técnicas inovadoras de manejo, a qualificação do homem do campo, assim como as pesquisas aplicadas na agropecuária levarão o setor a um novo patamar em São Paulo. Ainda esse ano serão entregues os de Inteligência Artificial e Bioinsumos, em São Roque, e Cana-de-Açúcar e Bioenergia, em Ribeirão Preto. O de Irrigação e Agroindústria, em Avaré, tem previsão para o primeiro semestre de 2027, assim como o de Agricultura Familiar, no Mirante do Paranapanema. Estão em desenvolvimento os de Cacau, Banana e Pupunha, em Miracatu, no Vale do Ribeira; Cacau e Seringueira, em São José do Rio Preto; e Agricultura Urbana, em parceria com a prefeitura da capital paulista        





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