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A startup brasileira que paga a peso de ouro por especialistas para “ensinar” a IA

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Durante anos, os grandes modelos de inteligência artificial foram treinados principalmente com textos, imagens e outros conteúdos disponíveis na internet. Agora, empresas como OpenAI e Anthropic buscam um tipo de dado mais difícil de encontrar: o conhecimento acumulado por profissionais ao longo da carreira.

É nesse mercado que atua a brasileira Vetto AI. A startup recruta advogados, engenheiros, programadores, analistas financeiros e outros especialistas para transformar a experiência dessas pessoas em dados usados no treinamento da IA.

“O conhecimento humano não está na internet nem em um livro. Está no dia a dia de alguém fazendo algum trabalho”, afirma Lucas Smaira, cofundador e head de research da Vetto, em entrevista ao Revolução IA, programa do NeoFeed que tem o apoio da Casas Bahia.

A empresa funciona como uma ponte entre especialistas e os laboratórios responsáveis pelos modelos mais avançados do mercado. Os profissionais trabalham remotamente, nos horários que preferirem, e são remunerados por tarefa. Dependendo da complexidade e da especialização exigidas, o pagamento pode chegar a US$ 300 por hora ou até superar esse valor.

A tese é que, embora os modelos já consigam acessar e processar grandes volumes de informação, ainda dependem dos humanos para aprender decisões que não estão descritas de maneira objetiva. Em uma avaliação de empresas, por exemplo, a IA pode calcular métricas, mas um especialista ainda precisa indicar quais companhias fazem sentido como referência.

A Vetto combina esse conhecimento com dados sintéticos, produzidos pela própria inteligência artificial. Assim, os humanos se concentram nos insights que o modelo ainda não consegue gerar, enquanto as etapas repetitivas são automatizadas.

Fundada em novembro do ano passado, a Vetto já se tornou lucrativa, contou Smaira, impulsionada pelos contratos com os grandes laboratórios de inteligência artificial. Esse modelo de negócio, porém, traz um desafio: como o mercado reúne apenas cinco ou seis potenciais clientes globais, a perda de um contrato relevante pode significar uma redução de 20% a 30% nos negócios da startup.

Por conta disso, neste ano, a Vetto começou a operar em uma outra frente, que é o mercado corporativo, ampliando o número de clientes. Nesse caso, a startup ajuda as organizações a medir a eficiência dos modelos adotados e reduzir despesas com inteligência artificial, evitando o consumo desnecessário de tokens.

Segundo Smaira, muitas companhias usam sistemas sofisticados e caros até para tarefas simples, o que é um “desperdício”.

“Eu chutaria que mais de 80% dos tokens são inúteis, não geram valor, e a gente está pagando por eles”, disse. E comparou: “Você não quer usar uma Ferrari para andar nos paralelepípedos de uma rua de São Paulo.”



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