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Além do Edital: a vibrante cena de festivais de Marília e o desafio do fomento contínuo

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Marília A publicação da lista de inscritos para a linha de Fomento a Festivais da Política Nacional Aldir Blanc (PNAB), no Diário Oficial de Marília, consolida um momento histórico para a cultura local.

Com mais de 40 projetos submetidos das mais diversas linguagens artísticas, o edital reforça o papel fundamental da PNAB — uma política federal construída a muitas mãos ao longo de anos, essencial para descentralizar recursos e garantir espaço para uma rica diversidade de artistas.

No entanto, o sucesso absoluto de adesão ao edital joga luz sobre uma realidade matemática inevitável: com quatro vagas disponíveis, a imensa maioria dessas potências criativas não poderá ser alcançada por este mecanismo específico.

Longe de ser uma falha do processo — que certamente seleciona propostas de altíssimo mérito técnico e artístico —, esse cenário é o maior indicativo de que Marília possui demanda e maturidade para estruturar, de forma complementar, uma política pública municipal permanente de fomento a festivais.

O mapa invisível das iniciativas comunitárias

A necessidade de um ecossistema complementar de apoio se torna ainda mais evidente quando observamos que manifestações culturais consolidadas na identidade da cidade sequer entraram na disputa burocrática deste edital.

Eventos de forte apelo popular e comunitário — como a União das Batalhas, o tradicional Festival de Viola do “Zé do Boi” e o Festival Estudantil de Parintins (conduzido com brilhantismo por alunos e professores da EE Reiko Uemura) — seguem suas trajetórias de forma independente.

A ausência dessas iniciativas na lista de inscritos não diminui a importância delas e nem do edital; pelo contrário, mostra que existem diferentes formatos de fazer cultura.

Enquanto uns dominam a complexa engenharia de escrita de projetos exigida por leis federais, outros atuam no coração das comunidades.

Uma política municipal perene e contínua teria o papel de mapear e abraçar essas diferentes realidades, garantindo que o teto institucional seja alto o suficiente para abrigar a todos.

A engrenagem econômica de 1.000 profissionais

Apoiar a continuidade e a ampliação desses festivais é, fundamentalmente, ativar uma cadeia produtiva robusta.

Em média, por baixo, cada um dos festivais mapeados na cidade tem a capacidade de empregar cerca de 20 profissionais diretamente — entre técnicos de som, iluminadores, produtores, carregadores, seguranças, designers e artistas.

Estamos falando de um ecossistema que mobiliza quase 1.000 trabalhadores da cultura em Marília. Fortalecer esse setor de forma contínua acelera a profissionalização do mercado local e gera emprego na base da pirâmide econômica.

De acordo com estudos da Fundação Getúlio Vargas (FGV), o investimento no setor cultural possui uma das maiores capacidades de alavancagem da economia: cada R$ 1,00 aplicado gera um impacto de R$ 7,59 de retorno para a sociedade.

Estimando que o somatório de recursos movimentados em eventos na cidade (somando investimentos diretos e apoios logísticos) alcance a casa dos R`$ 2 milhões, o retorno financeiro injetado no comércio, hotelaria e prestação de serviços local ultrapassa a barreira dos R$ 15 milhões. Investir em festivais gera nota fiscal e movimenta a cidade.

Evoluindo as políticas existentes

O argumento de que o município precisa ampliar esse apoio não ignora as políticas que a Secretaria Municipal da Cultura já executa com êxito.

A pasta desempenha um papel indispensável ao garantir a infraestrutura básica para que muitos desses eventos aconteçam, fornecendo palcos, som, iluminação, tendas e banheiros químicos. Sem esse suporte institucional existente, muitos festivais sequer existiriam.

O próximo passo evolutivo dessa política não é extinguir o modelo atual, mas descentralizá-lo gradativamente. Hoje, o formato padrão de licitação unificada direciona o recurso logístico para um fornecedor central que atende a secretaria.

Uma alternativa de aprimoramento seria converter parte desse suporte estrutural em repasses diretos ou linhas de microfomento para os produtores dos festivais periféricos e de bairros. Ao permitir que o próprio realizador do festival gerencie essa verba, ele ganha autonomia para contratar o técnico de som da sua comunidade ou o fornecedor do seu território.

Isso faz a moeda circular dentro das próprias regiões periféricas, multiplicando o impacto social da verba que a prefeitura já gasta. A lista da PNAB publicada hoje não deve ser lida com lamentação, mas com orgulho e visão de futuro.

Os quatro projetos que virão a ser selecionados pela comissão técnica serão, com certeza, vitrines do nosso potencial. Cabe agora ao município, inspirando-se no sucesso da PNAB, criar os trilhos locais para que os outros mais de 40 festivais continuem a trilhar seu caminho de sucesso, transformando a cultura em um motor permanente de desenvolvimento.



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