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Mosaic vê queda de 30% no uso de fosfatados no Brasil e risco à produtividade

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Os produtores brasileiros devem reduzir a aplicação de fertilizantes fosfatados em aproximadamente 30% neste ano, em termos de nutrientes. A estimativa é da Mosaic, que espera um “impacto profundo” na produtividade.

Apresentada nesta quarta-feira por executivos da companhia, a projeção representa uma mudança brusca em relação ao ano passado, quando a aplicação de fosfato no País registrou um leve crescimento.

A retração deve se estender por toda a América Latina, refletindo tanto a menor disponibilidade de fertilizantes quanto os desafios econômicos enfrentados pelos agricultores. Nos Estados Unidos, onde a aplicação de fosfatados já havia caído 15% na safra passada, a estimativa para 2027 é de um recuo de 20%.

“A redução na aplicação de fosfato terá um impacto profundo sobre a produtividade”, disse Jenny Wang, vice-presidente Comercial da Mosaic, durante a teleconferência de resultados da companhia.

Segundo a executiva, a menor reposição de fósforo poderá gerar um déficit equivalente a 1,3 milhão de toneladas de DAP no Brasil. Nos Estados Unidos, onde as aplicações já vinham caindo desde o ano passado, esse déficit deverá alcançar o equivalente a 1,4 milhão de toneladas de DAP.

Segundo Wang, os efeitos da menor reposição de nutrientes já começam a aparecer. No Brasil, apesar da expansão da área plantada na safra 2025/26, a produtividade recuou em alguns estados produtores, um movimento que, na avaliação da companhia, reflete a menor reposição de fósforo nos solos.

“Já começamos a observar impactos sobre a produtividade em alguns dos principais estados produtores do Brasil”, afirmou Wang.

Nos Estados Unidos, os efeitos do corte nas aplicações poderão ficar ainda mais evidentes nesta safra, especialmente no caso de um evento climático desfavorável, disse Wang.

Oferta segue restrita

A queda nas aplicações de fertilizantes fosfatados é uma resposta à escalada nos preços do nutriente em meio à crise global no mercado de enxofre, principal matéria-prima para a produção do insumo.

Segundo a Mosaic, o fechamento do Estreito de Ormuz e o bloqueio mais recente às exportações de enxofre do Cazaquistão elevaram os preços da matéria-prima a níveis que tornaram economicamente inviável parte da produção de fosfatados.

Como consequência, a companhia reduziu sua produção nos Estados Unidos e praticamente interrompeu essa atividade no Brasil, passando a operar apenas as unidades de maior rentabilidade.

“A situação do enxofre é mais do que um simples transtorno para a indústria. Acreditamos que a produção global de fertilizantes fosfatados ficará significativamente abaixo da registrada no ano passado”, disse Bruce Bodine, CEO da Mosaic.

“Com as baixas taxas de aplicação observadas no ano passado, especialmente nos Estados Unidos, e a disponibilidade limitada de fertilizantes neste ano, a produtividade das lavouras será afetada, o que poderá gerar desafios para a segurança alimentar em todo o mundo no curto prazo”, acrescentou.

Segundo ele, a Mosaic está em posição mais favorável do que parte dos concorrentes por conta de contratos de longo prazo com refinarias da Costa do Golfo dos Estados Unidos e outros fornecedores globais, que permitiram negociar parte do suprimento de enxofre para o terceiro trimestre a preços inferiores aos do mercado spot.

Mesmo assim, continua a operar abaixo da capacidade para preservar margens e evitar a formação de estoques produzidos com matérias-primas mais caras.

No Brasil, a companhia manterá a produção de fosfatados paralisada enquanto aguarda uma normalização no abastecimento de enxofre. Mesmo assim, a operação brasileira gerou US$ 60 milhões de Ebitda no segundo trimestre, destacou o CEO durante o call. Apesar da queda de 62% em relação ao segundo trimestre do ano passado, o resultado demonstra a resiliência da subsidiária, disse Bodine.

Ele destacou a performance da Mosaic BioSciences, divisão de biológicos da companhia, que deve dobrar a receita em relação ao ano passado, apesar do momento adverso do setor.

As ações da Mosaic operavam em alta de 4% por volta das 14h. A empresa está avaliada em US$ 7,5 bilhões na Bolsa de Nova York.



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