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Com a Apple no horizonte, Samsung se arma para a “guerra dos dobráveis”

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Os celulares dobráveis estão se tornando a nova trincheira de disputa entre as fabricantes de smartphones.

Com a iminência da Apple lançar seu primeiro modelo dobrável este ano, a expectativa do mercado é que este segmento – que estreou há oito anos e representa apenas 1,6% do total de aparelhos – comece a ganhar mais escala entre os clientes premium.

A Samsung quer retomar essa liderança no Brasil e na América Latina. Apesar de ter sido a pioneira, perdeu a primeira posição para a Motorola, a fabricante do Razr. 

Por isso, a marca sul-coreana acaba de colocar três novos aparelhos nessa briga, com destaque para o Galaxy Z Fold8 Ultra – seu mais sofisticado aparelho no segmento. 

Além dele, lançou também as novas versões do Fold8, com um novo formato semelhante a um passaporte; e o Flip8, que dobra ao meio e tem maior apelo entre os consumidores mais jovens.

Apesar de formarem uma categoria pequena, os dobráveis crescem mais rapidamente que os aparelhos convencionais – que têm apresentado queda de volume nos últimos anos. 

A IDC estima que 20,6 milhões de dobráveis foram vendidos no mundo em 2025, um crescimento de 10% sobre o ano anterior. Para este ano, a consultoria projeta uma expansão próxima a 30%.

Gustavo Assunção, o vice-presidente sênior da Samsung Brasil, diz que a aposta também ajuda a enfrentar um problema imediato: com o mercado em queda e o custo das memórias pressionando as margens, os dobráveis podem elevar o preço médio, estimular o upgrade e aumentar seu share no segmento premium.

Os preços dos lançamentos vão de R$ 9,4 mil a R$ 19,3 mil.

“Os telefones flagship estão sendo a locomotiva do setor,” Assunção disse ao Brazil Journal.

Não à toa, a categoria já ganhou peso na receita da Samsung. A linha Z responde por cerca de 20% do faturamento dos celulares mais sofisticados da companhia no Brasil, segundo Assunção.

“Não é algo desprezível: tem seu peso e isso faz com que a gente continue investindo nesse formato,” disse o executivo.

Assunção disse ainda que os primeiros números do Fold8 nos países onde ele já foi lançado ficaram acima das expectativas.

A estratégia ganhou urgência à medida que a competição aumentou.

Apesar da segunda colocação no Brasil, a Samsung ainda é líder global. A consultoria Counterpoint projeta que a Samsung continuará no posto em 2026, mas com uma queda de participação de 40% para 32%.

A possível entrada da Apple seria o grande nêmesis da sul-coreana: a consultoria estima que a fabricante do iPhone pode estrear com 25%, seguida pela Huawei, com 24%.

A busca das fabricantes pelo premium é a alternativa para conseguir conter a pressão dos custos dos componentes vista nos últimos anos.

Na Samsung global, o segmento que reúne smartphones, tablets, notebooks e wearables teve receita de US$ 22,8 bilhões no segundo tri, uma alta de 13,7%. Apesar do avanço no top line, o lucro operacional saiu de US$ 2,1 bilhões para um prejuízo de US$ 480 milhões.

Assunção admite que também há uma pressão nas margens: no primeiro semestre, a operação brasileira absorveu parte da alta dos componentes, principalmente nos celulares de entrada. A partir de julho, porém, os reajustes começaram a ser repassados.

O impacto será maior nos modelos mais baratos e menor nos aparelhos sofisticados, incluindo os dobráveis. 

Sabendo que o consumidor não vai ficar feliz de pagar mais caro, a companhia está ampliando o parcelamento no Brasil, os planos pós-pagos com operadoras e os programas que utilizam o aparelho antigo como parte do pagamento.

Nos lançamentos de dobráveis, diz Assunção, oito em cada dez compradores entregam o celular usado na aquisição do novo modelo.

O mercado de usados, aliás, é uma das frentes em que a Samsung deve entrar no Brasil nos próximos anos. 

A companhia já opera diretamente esse negócio nos Estados Unidos e está levando o modelo para a Europa e a Coreia do Sul – e o Brasil está no radar. 

A companhia afirma vender cerca de cinco em cada dez celulares no Brasil e ter quase metade da população usando um aparelho da marca.

“Quem tem mais base instalada geralmente tem mais chance de fazer um upgrade para um telefone mais sofisticado,” disse Assunção. “O trabalho agora, neste contexto de pressão de custos, é estimular que esses consumidores comprem telefones melhores.”

A Samsung também aposta na produção local para ganhar espaço no mercado. 

O Brasil é o único país onde a empresa mantém duas fábricas próprias – em Campinas e Manaus – além de centros de pesquisa ligados às operações e todos os smartphones são fabricados localmente. 

“Atrasamos a estreia dos novos dobráveis em algumas semanas, pois queríamos que todos os aparelhos vendidos por aqui já fossem produzidos no Brasil. É uma grande vantagem para nós,” disse Assunção.




André Jankavski








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