A inteligência artificial vai mudar as cidades, como estudamos, cuidamos da saúde, como trabalhamos e como vivemos no geral de forma muito mais rápida do que em outros momentos históricos marcantes. Mas a velocidade vai depender da capacidade do acesso à infraestrutura digital. É como acredita que será Alessandro Lombardi, CEO e fundador da Elea Data Centers.
“A cidade do futuro significa ser proprietária da infraestrutura e dos seus próprios dados”, disse o executivo durante sua participação no painel A Infraestrutura invisível por trás dos megaeventos, que aconteceu nesta quinta-feira, 6, no Rio Innovation Week, na região portuária do Rio de Janeiro.
Infraestrutura do Rio começa pelo legado olímpico
Um dos pontos importantes que deve ajudar a cidade a ser reconhecida como uma “cidade do futuro” é o legado olímpico invisível, que compreende em uma subestação alimentada simultaneamente por suas fontes de energia, além de cabos submarinos. Esta infraestrutura possibilita, agora, que o Rio tenha uma infraestrutura que se transforme em “capacidade de computação” para a inteligência artificial.
Lombardi reforça que os data centers são a infraestrutura para o desenvolvimento das novas tecnologias. Deu como exemplo o momento do primeiro gol de Vinícius Júnior feito na Copa do Mundo 2026, em que estavam conectadas 40 milhões de pessoas ao data center da Elea. Isso porque esses eventos acabam tendo muitos dispositivos sendo usados – a televisão, o celular, tablets entre outros. Uma família de quatro pessoas está com sete dispositivos conectados”, avaliou. “Imagina se o data center cai no momento do gol? Ou a subestação? Essa infraestrutura invisível é muito importante, mas a gente só repara nela quando não funciona, mas permite que as coisas aconteçam”, resumiu.
O executivo lembrou que, atualmente, tudo depende de data centers. A comunicação entre as operadoras acontece nessa estrutura, transações bancárias, e toda a conectividade.
“Na época da enchente em Porto Alegre, em 2024, todos os data centers das operadoras ficaram debaixo da água. O nosso, por sorte, está localizado em um ponto mais elevado da cidade e não foi afetado. Os presidentes me ligavam e pediam pelo amor de Deus, o seu data center não pode cair. Estamos mais de 8 horas por dia nos celulares. Tudo depende dos data centers”, exemplificou.
Com a IA, o principal desafio para o Rio de Janeiro é ter a sua própria infraestrutura digital para ser a “cidade do futuro”, que, além do data center, é fibra, comunicação e satélite.
“A transformação com a IA é sem precedentes. Não consigo visualizar. Mas lembro de um exemplo que deram uma vez: quando chegou o motor a combustão nas grandes cidades, o cavalo, que era o meio de transporte, sumiu em 10 anos. O que se entende é que a IA vai mudar as nossas vidas de uma maneira muito mais rápida do que se imagina e a velocidade dessa mudança vai depender da capacidade de acesso da tecnologia. E se ser cidade do futuro é ter sua tecnologia, sua inteligência artificial, o Rio de Janeiro será gigante, não tenho dúvidas”.
Para Sidney Levy, presidente da Invest.Rio, se o Rio não conseguir manter os seus talentos na cidade, o Rio de Janeiro não terá futuro. E será necessário atrair talentos que não estão na cidade. “Se o ato de raciocinar vai ser automatizado, o que vai ficar e o que vai ser necessário? Será a capacidade de criar, de inventar coisas novas e do que não existe hoje. E quem vai inventar? As pessoas que tenham esse tipo de talento. No futuro, só penso em como vamos fazer para que os talentos permaneçam. Esse é o único problema importante do momento”, disse.
Lombardi acredita que o acesso democratizado à inteligência artificial, barato e amplo, vai permitir a difusão de conhecimento e a redução das diferenças sociais do país e aumentar a capacidade de estudo em todas as camadas da população futuramente.
“A IA vai abrir as portas do empreendedorismo. Isso, de forma massiva, vai aumentar o PIB da cidade, do Estado e, com isso, teremos mais geração de emprego. E, em 10-20 anos, vamos reduzir a dependência do petróleo. O Estado depende demais do petróleo e vamos transformar essa dependência a partir da produção de dados. Tenho essa visão”, afirmou o CEO da Elea.
Foto: Sidney Levy, presidente da Invest.Rio e Alessandro Lombardi, CEO e fundador da Elea Data Centers, no Rio Innovation Week 2026. Crédito: Isabel Butcher/Mobile Time




