Bloomberg — O primeiro grande negócio de Greg Abel à frente da Berkshire Hathaway (BRK/A) não foi apenas uma forma de reduzir um montante de caixa de quase US$ 400 bilhões. Foi também uma aposta no Sonho Americano.
Com a aquisição da Taylor Morrison Home, em junho, a Berkshire saltou para o ranking das maiores construtoras dos Estados Unidos, superada apenas pela D.R. Horton, pela Lennar e pela PulteGroup, com base nas vendas finalizadas até 2025.
Para a Berkshire — agora com Abel como CEO — a aquisição amplia um império imobiliário que abrange desde casas pré-fabricadas e materiais de construção até corretoras imobiliárias e serviços públicos, proporcionando ao conglomerado presença em praticamente todas as etapas do mercado de compra de imóveis.
Isso também aproxima a Berkshire de um objetivo de longa data: tornar a aquisição da casa própria acessível ao maior número possível de pessoas.
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“Fica claro que a estratégia deles é simplesmente aproveitar toda a questão da moradia acessível”, afirmou Bill Boor, CEO da Cavco Industries, empresa de casas pré-fabricadas e concorrente da Clayton Homes, de propriedade da Berkshire. “A Berkshire é a única que eu conheço que realmente reuniu tudo isso. Ela tem tudo sob o mesmo teto, incluindo empréstimos e seguros.”
A Berkshire divulga seus resultados do segundo trimestre neste sábado (8), enquanto os investidores buscam mais indícios sobre como Abel planeja conduzir a empresa após assumir o lugar de Warren Buffett este ano, incluindo se a Berkshire pretende se tornar um participante ainda mais importante no setor imobiliário.
Essa aposta reflete um otimismo de longo prazo em relação ao mercado imobiliário em um momento desafiador, já que as taxas de hipotecas persistentemente altas desestimulam potenciais compradores e pesam sobre a confiança das construtoras.
A D.R. Horton reduziu sua previsão para as vendas de imóveis este ano, citando restrições de acessibilidade e “um sentimento cauteloso por parte dos consumidores”.
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Ainda assim, estima-se que os Estados Unidos tenham um déficit de milhões de residências em relação ao que precisam, mantendo a oferta de moradias no centro dos debates políticos em Washington. Uma legislação bipartidária que entrou em vigor em julho visa impulsionar a construção.
“Sempre haverá demanda por novas moradias”, afirmou Meyer Shields, analista da Keefe, Bruyette & Woods que acompanha a Berkshire. “As moradias são finitas e a população está crescendo.”
A aquisição da Taylor Morrison complementa o negócio que a Berkshire construiu por meio de sua participação na Clayton, que foca em casas de baixo custo, construídas, pelo menos parcialmente, em fábricas.
Com as duas empresas, a Berkshire pode atender a uma base de clientes muito mais ampla, desde compradores iniciantes até aqueles que buscam uma casa melhor e compradores de imóveis de luxo, por meio de ofertas que abrangem comunidades pré-fabricadas, construídas no local e planeadas de forma integrada.
A Berkshire também tem conquistado uma presença mais sólida no mercado de adultos ativos, que cresce rapidamente. As comunidades Esplanade da Taylor Morrison, com margens mais elevadas, costumam levar mais tempo para serem desenvolvidas, o que faz sentido para o “capital paciente” da Berkshire, afirmou Jay McCanless, diretor-gerente de pesquisa de ações do setor de construção civil da Citizens.
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O negócio está alinhado com a abordagem de longa data de Buffett de adquirir empresas já consolidadas, na esperança de colher retornos cada vez melhores ao longo do tempo. E, com muito dinheiro disponível para investir, a Berkshire tem ampla capacidade para se expandir ainda mais no setor imobiliário, caso surjam oportunidades.
“Se a Berkshire quisesse, poderia assinar um cheque e adquirir todo o setor de capital aberto com todo o caixa disponível no balanço patrimonial”, disse McCanless. “Mas não sei se isso necessariamente agregaria valor ao que eles já obtêm com a Taylor Morrison.”
Antes da aquisição, a Berkshire já havia feito alguns investimentos de capital em empresas do setor. O conglomerado detém uma participação na Lennar que valia cerca de US$ 900 milhões no final do primeiro trimestre. Anteriormente, também detinha ações da D.R. Horton.
A combinação da expertise da Clayton em fabricação com as operações tradicionais de construção residencial da Taylor Morrison poderia, eventualmente, proporcionar à empresa maior poder de barganha com fornecedores e acelerar a construção, afirmam analistas.
O analista da UBS, John Lovallo, estima que componentes manufaturados em fábrica, como painéis pré-fabricados, possam reduzir o tempo de montagem da estrutura em cerca de 30%, ao mesmo tempo em que reduzem os custos em aproximadamente US$ 6.200 por residência.
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Sob a Berkshire, ambas as empresas também terão mais recursos para se expandir, com o objetivo de se tornarem “uma das três principais construtoras em todos os mercados” em que atuam, afirmou Sheryl Palmer, que permanecerá como CEO da Taylor Morrison.
“Estamos nos unindo a uma das empresas mais conceituadas do mundo”, disse Palmer em entrevista à Bloomberg TV. “A empresa vai nos apoiar plenamente.”
Para os investidores da Berkshire, a transação também pode oferecer um indício inicial de como Abel pretende administrar o conglomerado.
Sob a liderança de Buffett, as empresas operacionais da Berkshire funcionavam, em grande parte, de forma independente, com coordenação limitada entre os negócios. A fusão da Taylor Morrison com a Clayton sob uma unidade dedicada ao setor imobiliário se assemelharia à Berkshire Hathaway Energy, onde Abel passou anos supervisionando um conjunto de empresas de serviços públicos.
“À medida que Greg olha para o futuro, ele certamente desejará deixar sua própria marca na empresa”, afirmou Cathy Seifert, analista da CFRA Research que cobre a Berkshire. “Por ser um profissional de operações, sua marca na empresa pode estar na forma como os negócios existentes operam e funcionam.”
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