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Uber contra o tráfico humano impactou 2 mi de motoristas no Brasil

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Uma ação da Uber (AndroidiOS) e da ONG The Exodus Road contra o tráfico internacional de pessoas já impactou 2 milhões de motoristas parceiros no Brasil. Desde 31 de julho do ano passado, dia internacional de combate ao tráfico humano, a companhia começou a enviar vídeos educativos aos motoristas, como explicou Mario Cunha, public safety liason lead.

Durante o evento Anti Scam Forum, organizado por GASA e Santander na última quinta-feira, 7, o executivo afirmou que o trabalho surgiu de uma conversa com Cíntia Meirelles, representante nacional da ONG, uma vez que o motorista de aplicativo é um parceiro fundamental na linha de frente no tráfico humano, pois percebe quando algo está errado com o passageiro em uma viagem.

Meirelles, por sua vez, afirmou que o trabalho junto aos motoristas é feito principalmente em trajetos para aeroportos, a última barreira para evitar que pessoas saiam do país. 

Um caso citado por Cunha foi a prisão de Floyd L. Wallace Jr., um influenciador norte-americano que fazia vídeos em viagens pelo mundo sobre conquistar mulheres bonitas. Em uma corrida feita pelo app no Rio de Janeiro, um motorista notou um comportamento suspeito de duas menores no carro e denunciou à polícia e depois para a Uber. Cunha e sua equipe forneceram os dados essenciais à polícia e o criador de conteúdo foi preso sob suspeita de estupro de vulnerável e exploração sexual de crianças e adolescentes em São Paulo no final de 2025.  Wallace Jr segue sob custódia e o processo está em curso na Justiça.

Agora, o programa foi renovado por mais um ano.

Em conversa com Mobile Time, Cunha explicou que cada localidade da Uber tem um programa similar em seu país. E que cada programa foca nas atividades ilegais de tráfico de pessoas. No Brasil, por exemplo, o foco é em tráfico ilegal de pessoas e exploração sexual. No México, o foco é contra o tráfico voltado à exploração sexual e de extração de órgãos das vítimas. 

Tráfico de pessoas e golpes digitais juntos

Uber, Exodus Road

Região do Triângulo Dourado (Golden Triangle, em inglês), o epicentro das ações de golpistas digitais organizados pela máfia chinesa (crédito: Wikimedia)

Com um mercado estimado em US$ 3 trilhões por ano com complexos no Sudeste Asiático, África, Armênia, Ucrânia, Rússia e crescente no Brasil, segundo a Interpol, a especialista da Exodus Road explicou que o tráfico ilegal pessoas é um crime focado na exploração de vítimas em categorias como exploração sexual, tráfico de órgãos e adoção ilegal.

Mas nos últimos anos tem avançado para atuar em meios digitais, ou seja, as pessoas são traficadas para trabalhar em fazendas de golpes digitais. Isso ocorre principalmente na região chamada como Triângulo Dourado (Laos, Camboja, Mianmar e Tailândia) sob controle da máfia chinesa em complexos imensos, com script operacional para os países em que aplicam os golpes e vastas informações de suas vítimas de golpes obtidas por meio de banco de dados na dark web.

Meirelles afirmou que essas operações são sustentadas por dinheiro do tráfico de drogas e armas e que os golpes são elaborados com uso de deepfakes e inteligência artificial. 

Disse ainda que a estimativa é de 300 mil imigrantes de 68 nacionalidades escravizados em regime de tortura e obrigados a realizar até 600 ligações de golpe por dia. Essa conta também inclui brasileiros. Atualmente, a Exodus Road estima que 300 brasileiros estão nessas condições no Camboja e outros 26, presos no Laos. A ONG ainda colaborou recentemente para resgatar três vítimas de tráfico em Mianmar. 

Ação contra os criminosos

Além da campanha com a Uber, a Exodus Road ajuda no combate ao tráfico de pessoas com treinamento e doação de tecnologias de apuração forense (Cellebrite, Clearview e Chainanalysis) para polícias no Brasil. Contudo, a executiva revelou que o tema esbarra muito no desconhecimento das forças locais em entender que o tráfico internacional de pessoas é crime no Brasil e tem legislação local sobre o tema desde 2016.

“Se a polícia não entende a lei, é difícil identificar. É como a mula (no tráfico de drogas). A pessoa foi aliciada por alguém, mas a investigação não pode parar ali e individualizar na mula, como de costume. É preciso sim responsabilizar (a mula), mas precisamos ter um olhar antes”, completou. “Por isso precisamos capacitar as polícias”.

 

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As ilustrações das matérias são produzidas por Mobile Time com IA



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