Um homem de 25 anos morreu na noite deste sábado (8) após ser baleado durante uma intervenção da Polícia Militar (PM) em Ocauçu. O caso foi registrado pela Polícia Civil e a investigação deve esclarecer as circunstâncias da ocorrência, incluindo se o policial acreditava estar diante de uma situação de ameaça quando efetuou os disparos.
A sequência dos fatos começou nas proximidades de um bar, onde Adrian Rodrigues da Silva teria se desentendido com um motorista. Segundo o relato registrado na ocorrência, Adrian teria iniciado uma discussão e foi contido por terceiros. Minutos depois, ele teria retornado acompanhado do pai e dado continuidade ao conflito.
Quando o motorista tentava deixar o local de carro, teria sido agarrado pela camisa e agredido. Durante a tentativa de fugir, o veículo chegou a bater em outro automóvel que estava estacionado.
O motorista procurou a Polícia Militar e foi levado para casa pelos agentes. Em seguida, os policiais iniciaram buscas para localizar os envolvidos. Pouco tempo depois, uma nova ligação para o telefone 190 informou que homens armados estariam nas proximidades da residência.
No local, o motorista relatou aos policiais que Adrian teria retornado acompanhado de outro homem e que os dois aparentavam estar armados. Ainda segundo o relato, dois disparos teriam sido feitos nas proximidades da residência. A família teria se abrigado dentro do imóvel para evitar ser atingida.
Com as características informadas, policiais localizaram Adrian caminhando perto de uma praça, a cerca de 50 metros de sua residência. Segundo a equipe, foram dadas ordens para que ele parasse e levantasse as mãos, mas os comandos não teriam sido obedecidos.
Ainda conforme os policiais, Adrian teria colocado a mão na cintura e começado a retirar um objeto escuro. Um dos agentes teria acreditado que se tratava de uma arma de fogo, possivelmente a mesma que teria sido usada nos disparos relatados anteriormente.
O policial efetuou dois disparos. Segundo o depoimento dele, Adrian continuou a movimentação mesmo depois dos primeiros tiros e teria direcionado o objeto em sua direção. O agente então fez mais dois disparos.
De acordo com o outro policial que participou da ocorrência, Adrian ainda conseguiu se aproximar da viatura antes de cair. Depois que a situação foi controlada, os agentes verificaram que o objeto retirado da cintura era uma bainha com uma faca, e não uma arma de fogo. O material foi apreendido para perícia.
A Polícia Civil registrou inicialmente que o policial pode ter acreditado que estava diante de uma situação de legítima defesa, já que procurava um suspeito apontado como envolvido em disparos e que, segundo os agentes, teria feito um movimento semelhante ao saque de uma arma. Essa hipótese ainda será analisada pela investigação.
Adrian foi socorrido por uma ambulância do município e levado ao Hospital das Clínicas (HC) de Marília, mas não resistiu aos ferimentos. A pistola calibre .40 usada pelo policial foi apreendida para exames. Também foram solicitadas perícias no local e no armamento utilizado pelo agente.
Após os disparos, o pai de Adrian teria avançado contra os policiais, dado socos e incitado pessoas que acompanhavam a ocorrência. Outras equipes foram chamadas para ajudar a contê-lo. Durante a imobilização, houve uso de força física.
O homem sofreu ferimentos na cabeça e também foi levado ao Hospital das Clínicas. Segundo o registro da ocorrência, ele poderá responder por resistência e por agressão contra os policiais.
A investigação deverá analisar os depoimentos, perícias, laudos e demais provas para esclarecer a sequência dos acontecimentos e definir eventuais responsabilidades. Também deverá verificar se a ação do policial ocorreu dentro das circunstâncias inicialmente apontadas pela Polícia Civil.
Velório e sepultamento
O corpo de Adrian será velado no Velório de Ocauçu neste domingo (9). O sepultamento está previsto para as 17h30, no Cemitério de Ocauçu.




