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BB prevê renegociar pelo menos R$ 30 bilhões com MP 1376

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O Banco do Brasil está confiante de que a MP 1.376 (de renegociação de dívidas rurais) será capaz de melhorar o perfil da inadimplência daqui até o final do ano. Com a redução nas perdas para devedores duvidosos (PDD) possibilitada pela MP, a instituição financeira deve ser capaz de cumprir as projeções de lucro para 2026.

Publicada no dia 15 de julho, a medida provisória ainda não teve o efeito prático almejado. Como reportou o Valor Econômico ontem (12), para destravar as operações nos bancos está pendente uma portaria do Tesouro com autorização para equalização de juros.

Esse atraso não intimida o Banco do Brasil. “Na MP 1314 [a que renegociou dívidas no Rio Grande do Sul] conseguimos fazer R$ 38 bilhões de renegociações em quatro meses. Temos capacidade de fazer esse mesmo montante em 2026”, afirmou Felipe Prince, chefe de riscos do BB, em live com analistas.

O tamanho da carteira que pode ser enquadrada na nova MP, segundo Tarciana Medeiros, CEO do banco, é de R$ 100 bilhões, incluindo 113 mil clientes entre inadimplentes e aqueles com operações adimplentes prorrogadas ou renegociadas.

No segundo trimestre, conforme o banco apresentou, a inadimplência de mais de 90 dias somou 6,27% da carteira de agronegócio (de R$ 421 bilhões) ante 3,16% da carteira em junho de 2025 (quando a carteira era de R$ 404 bilhões). O indicador subiu sequencialmente nesse intervalo.

“Vamos começar pelas operações inadimplentes e, na sequência, vamos avançar para as demais. Nossos times estão engajados para que as contratações se iniciem tão logo seja publicada a portaria de equalização, o que deve ocorrer nos próximos dias”, afirmou a CEO.

Segundo Gilson Bittencourt, diretor de Agronegócios do Banco do Brasil, aproximadamente R$ 36 bilhões estão concentrados em operações inadimplentes, foco principal de atuação do banco nesse primeiro momento.

“Vão vir todos? Não. Então, nossa expectativa, dentro das renegociações feitas com taxa controlada, é trabalharmos com algo em torno de R$ 30 bilhões, o que já daria um efeito bastante significativo em relação às operações inadimplentes do banco”, completou Bittencourt.

Por enquanto, o banco já contatou, mesmo sem a portaria do Tesouro para a MP rodar de fato, mais de 31 mil clientes, formando as bases para as futuras renegociações. Grande parte desse total é formado justamente pelos inadimplentes, segundo Bittencourt.

No âmbito das renegociações da medida provisória, serão priorizadas operações com pagamento de entrada, a vinculação de garantias e a transformação das garantias imobiliárias via alienação fiduciária. Com o reforço de garantia, segundo Prince, o banco consegue fazer migrações de estágio — um fator que, na prática, permite ao banco reverter provisões.

Esse movimento, frisaram Bittencourt e Prince, deve trazer efeitos positivos também para a perda esperada dentro da carteira de pessoas físicas do banco.

“Qual é a lógica? Um produtor que está devendo crédito rural e está devendo no cartão, se ele conseguir regularizar a dívida no crédito rural, também vai buscar regularizar a do cartão, porque ele não pode continuar devedor e inadimplente, não vai ter acesso a novas operações”, frisou Bittencourt.

Segundo Prince, a cada R$ 1 bilhão renegociado, o BB estima que isso transite entre R$ 150 milhões a R$ 200 milhões para a linha de lucro líquido do banco, considerando tanto a melhora nas provisões como uma redução no custo do crédito.



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