Bloomberg — A Raízen informou que continuará simplificando sua carteira de ativos à medida que a empresa brasileira reestrutura sua dívida e se prepara para separar seu negócio de distribuição de combustíveis de suas unidades de açúcar e etanol.
“Teremos duas empresas ágeis e eficientes, prontas para competir em seus respectivos mercados”, afirmou o CEO Nelson Gomes nesta sexta-feira (14), durante uma teleconferência com analistas para discutir os resultados trimestrais.
No início deste ano, a Raizen obteve a aprovação dos credores para reestruturar uma dívida de R$ 65 bilhões na maior reestruturação extrajudicial da história do Brasil. De acordo com o plano de reestruturação aprovado, confirmado por um tribunal em julho, a Raízen será dividida em duas empresas distintas: uma de distribuição de combustíveis e outra de produção de açúcar e etanol.
A Raízen foi criada como uma joint venture entre a Shell e a Cosan. A empresa tem enfrentado dificuldades em meio a apostas estratégicas equivocadas, altas taxas de juros e safras fracas.
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Questionado sobre a alocação de capital nas empresas que serão separadas, o diretor financeiro Lorival Luz afirmou que, ao final do processo, a administração apresentaria “a melhor estrutura de capital possível”, recusando-se a dar mais detalhes.
Na noite de quinta-feira (13), a Raízen divulgou resultados trimestrais que mostraram melhora nos lucros de seu negócio de distribuição de combustíveis, enquanto o setor de açúcar da empresa sofreu queda em meio a preços baixos e volumes reduzidos. Embora os resultados mostrem sinais de recuperação para a empresa em dificuldades, os desafios permanecem, já que condições climáticas adversas prejudicaram suas usinas de açúcar e etanol.
A unidade que opera postos de combustível da marca Shell em todo o Brasil registrou lucro ajustado antes de juros, impostos, depreciação e amortização de R$ 3,54 bilhões, um aumento de mais de três vezes em relação ao ano anterior.
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Os preços mais elevados do petróleo e uma repressão contínua às práticas fraudulentas na concorrência de distribuição de combustíveis — que, segundo a administração da Raízen, estão nivelando estruturalmente o campo de atuação — impulsionaram seu negócio de distribuição de combustíveis.
O aumento de 24% nos volumes de vendas de etanol foi contrabalançado pela estagnação dos preços. Os volumes de açúcar caíram 11% em relação ao ano anterior. Chuvas atípicas no trimestre e um número menor de usinas em operação — após a Raízen ter vendido cinco unidades para reduzir a dívida — pesaram nos resultados.
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