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Reestruturação da Tyson pode fazer menos barulho do que parece

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Apesar do porte dos frigoríficos que a Tyson Foods abriu mão, os efeitos da reestruturação do parque industrial de carne bovina da gigante americana podem ser menores do que inicialmente aparentam, limitando o benefício para a concorrência.

Essa é a avaliação dos analistas Thiago Duarte e Guilherme Guttilla, do BTG Pactual. Em um relatório enviado nesta manhã a clientes, o banco de investimentos ressaltou que, no médio prazo, o efeito das medidas sobre a capacidade de abate nos Estados Unidos pode ser “próximo de zero”.

Embora os analistas considerem uma redução da capacidade de abate no curto prazo devido ao fechamento do abatedouro de Joslin (Illinois), que possui capacidade para processar 3 mil cabeças de gado por dia, a implementação do segundo turno de abate na planta de Amarillo, no Texas, pode anular esse efeito.

A Tyson também anunciou um processo para a venda do abatedouro localizado em Pasco, no Estado de Washington. Essa planta, com capacidade para abater 2 mil cabeças por dia, teoricamente permanece em produção, mas talvez seja difícil encontrar um comprador para ela diante do momento de margens apertadas na indústria frigorífica.

“No curto prazo, a capacidade da indústria deve diminuir com o fechamento de Joslin, sem que haja ainda um cronograma para o retorno do segundo turno de Amarillo. No médio prazo, porém, assumindo que Pasco siga em operação, o impacto líquido sobre a capacidade total de abate dos EUA pode ficar próximo de zero”, escreveram os analistas do BTG.

Por outro lado, se a Tyson não encontrar um comprador para a unidade de Pasco, o que poderia levar a planta a ser fechada em um segundo momento, haveria uma redução de capacidade mais “significativa” na indústria americana de carne bovina, segundo os analistas.

Regionalmente, o segundo turno de Amarillo — que ainda não tem data para ocorrer — pode representar maior competição por gado para o abatedouro da JBS em Cactus, no Texas, e potencialmente para as unidades que a National Beef (MBRF) possui em Kansas (Liberal e Dodge City).

Em contrapartida, o fechamento do abatedouro de Illinois é positivo para a planta da National Beef em Iowa, embora essa seja a unidade de menor porte da companhia (representando 9% dos abates), lembraram os analistas do BTG.

No longo prazo, a decisão da Tyson tira oportunidades da companhia. Quando o ciclo da pecuária americana se tornar mais favorável aos frigoríficos, o que pode ocorrer em alguns anos com a reconstrução do rebanho, a gigante americana pode sentir falta das plantas fechadas e/ou vendidas.

Na avaliação do BTG, a reestruturação do parque industrial mostra que a Tyson trocou a “flexibilidade” de poder aumentar a capacidade no futuro por uma rentabilidade melhor no presente.

“A Tyson pode não perder participação de mercado, especialmente se os competidores também racionalizarem a capacidade em algum momento, mas terá menos capacidade disponível para capturar a oferta incremental de gado quando o ciclo virar”, concluíram os analistas.



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