Diante do estrangulamento das margens da indústria americana de carne bovina, a Tyson Foods acaba de anunciar uma reestruturação drástica.
A maior companhia de proteína animal dos Estados Unidos vai abrir mão de cerca de 20% da capacidade de abate de bovinos, uma medida que deve ter repercussões positivas para a margem das concorrentes — as brasileiras MBRF (dona da National Beef) e JBS, e a americana Cargill.
A Tyson vai fechar o seu frigorífico de Illinois e uma unidade de processados em Utah, além de colocar à venda um abatedouro localizado na cidade de Pasco, em Washington.
Antes da restruturação, a companhia americana tinha uma capacidade de abate estimada em 21 mil cabeças de gado por dia, considerando que as operações funcionem durante seis dias por semana.
Os dois abatedouros que a Tyson está abrindo mão podem processar aproximadamente 5 mil cabeças por dia.
Em comunicado, a Tyson citou a severa restrição de gado como uma justificativa para o fechamento das plantas. Segundo a companhia, os dados do USDA (Departamento de Agricultura dos Estados Unidos) ainda mostram que as evidências de retenção de novilhas, um indicador relevante para a reconstrução do rebanho, ainda são limitadas.
Apesar disso, a companhia americana sustenta que ainda poderá abater o mesmo volume de gado, utilizando os três frigoríficos que restaram, nos estados de Nebraska, Kansas e Texas. Neste último, a companhia poderá implementar um segundo turno de abate, a depender das condições de mercado.
Impactos no mercado
O anúncio da Tyson ocorreu pouco antes de uma entrevista de executivos da MBRF a jornalistas, por ocasião da divulgação do balanço do segundo trimestre da companhia brasileira.
Questionado sobre o ciclo da pecuária nos Estados Unidos, o CEO da National Beef, Tim Klein, citou a reestruturação da Tyson. Segundo ele, a decisão deve ter “impacto positivo nas margens da indústria”, com a mesma oferta para menos abatedouros.
Curiosamente, a reestruturação da Tyson ocorre no momento em que os concorrentes começam a enxergar alguma inflexão nos Estados Unidos.
Na segunda-feira, o CEO da JBS USA, Wesley Batista Filho, disse que a reabertura de fronteira do México para a importação de gado resolve o problema mais “agudo” da indústria americana de carne bovina. Historicamente, o gado oriundo do México representa de 4% a 5% dos abates nos EUA.
Além disso, Batista Filho citou sinais promissores para o médio prazo. O rebanho americano, que está no menor nível em mais de 70 anos, parou de cair, e há sinais iniciais de retenção de novilhas.
Em comparação, as companhias brasileiras vêm operando melhor que a Tyson no mercado americano, com destaque para a National Beef, que consegue se manter no azul mesmo com o gado americano nas alturas.
Nos dados do segundo trimestre que acabam de ser divulgados pela MBRF, a margem Ebitda da National Beef foi de 0,7%, praticamente estável em relação à margem de 0,8% de um ano antes.
No mesmo período, a margem Ebitda da JBS na América do Sul ficou negativa em 1%, mas isso representa uma melhora na comparação anual.
A Tyson, por outro lado, viu os resultados com carne bovina piorarem, e revisou para baixo as perspectivas para a divisão.




