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Obesidade preocupa veterinários e afeta 41% dos pets, diz estudo

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O excesso de peso deixou de ser apenas uma questão estética para os animais de estimação. Segundo dados apresentados pela veterinária endocrinologista Márcia Jericó, cerca de 41% dos cães e gatos têm sobrepeso ou obesidade. 

A especialista destaca que a permanência da obesidade ao longo da vida aumenta o risco de problemas de saúde. Entre eles está o diabetes, cuja possibilidade de desenvolvimento pode ser até quatro vezes maior em animais que passam mais tempo acima do peso.

Os primeiros sinais nem sempre são evidentes. Mudanças no comportamento, como ficar mais quieto, apresentar dificuldade para andar ou começar a mancar, podem indicar que o excesso de peso já está afetando a saúde. Em casos mais avançados, também podem surgir alterações respiratórias, com redução do fôlego e respiração ruidosa.

A obesidade ainda pode estar relacionada a alterações nos níveis de colesterol e triglicérides, acúmulo de gordura no fígado, problemas na vesícula e diabetes. Nos gatos, segundo Jericó, a predisposição para desenvolver a doença é ainda maior.

Controle depende de alimentação e atividade

Para prevenir o ganho excessivo de peso, a orientação é combinar alimentação adequada com atividade física. A quantidade de alimento deve seguir a recomendação do veterinário que acompanha o animal ou as indicações presentes na embalagem da ração.

Os petiscos também entram nessa conta. De acordo com Márcia, eles não devem representar mais de 10% da ingestão diária.

O petisco não pode ultrapassar 10% da ingestão diária de alimentos. Existem muitos cães e gatos que são insaciáveis e nessa hora é o tutor que precisa fechar os olhos, blindar o coração e não ceder”, enfatiza.

A veterinária também citou os suplementos voltados ao emagrecimento, mas ressaltou que seu uso deve ocorrer com orientação profissional e em doses terapêuticas. Para ela, essas alternativas não substituem medidas capazes de aumentar a atividade física do animal.

Medicamentos ainda estão em estudo

Os medicamentos que atuam sobre o GLP-1, classe que inclui substâncias presentes em remédios como o Mounjaro, despertam interesse para o tratamento da obesidade animal.

No entanto, ainda não há indicação veterinária formal aprovada para esse tipo de tratamento, e as evidências de segurança permanecem limitadas.

Márcia afirma que a possibilidade de utilizar esse tipo de medicamento existe, mas ainda depende de novos estudos.

Hoje, cães e gatos ainda reagem muito mal às doses estudadas e aos princípios ativos usados em humanos. Existe um longo caminho a percorrer. A gente vai ter isso como uma ferramenta, mas em que dose, com que frequência, qual modelo, ainda não sabemos. Agora, o risco é maior do que o benefício”.

Enriquecimento ambiental pode ajudar

Enquanto novas opções de tratamento são estudadas, uma das estratégias disponíveis aos tutores é o enriquecimento ambiental. A proposta é fazer com que o animal participe mais ativamente da alimentação e das brincadeiras, usando o olfato, a mastigação e o movimento.

Comedouros lentos e brinquedos recheáveis, por exemplo, podem fazer com que a refeição leve mais tempo, em vez de ser consumida rapidamente. Além de mudar a dinâmica da alimentação, a estratégia estimula o animal física e mentalmente.

Segundo Daniella Silene, gerente de vendas do Grupo Mor, a estratégia pode ser incorporada à rotina dos animais para estimular a movimentação durante a alimentação. A empresa participou da feira com soluções voltadas ao mercado pet.

O enriquecimento ambiental faz com que o animal tenha que trabalhar para conseguir a própria alimentação. Em vez de comer em duas ou três lambidas, ele passa mais tempo lambendo, farejando, mordendo, se movimentando e usando a parte cognitiva. Isso faz com que ele se alimente mais devagar, o que pode ajudar na prevenção e no controle da obesidade.

A atividade física também pode ser incorporada às brincadeiras. André Santos, gerente de exportação do grupo, cita os dispositivos de arremesso como uma das possibilidades para estimular os cães a se movimentarem.

O importante é fazer com que o cachorro se exercite de diversas formas. Com as bolas e os dispositivos de arremesso, ele percorre uma longa distância, vai e volta, se cansa e, com isso, é mais fácil manter o controle do peso”, acrescenta.





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