A restrição de crédito ao agricultor enxugou os pedidos feitos à Boa Safra. A sementeira da família Colpo acaba de reportar uma queda de 12% na carteira de pedidos de sementes de soja no segundo trimestre. Ao todo, a carteira de pedidos de sementes de oleaginosa totalizou R$ 1,4 bilhão.
Segundo Marino Colpo, CEO da Boa Safra, o ritmo mais fraco reflete o crédito mais escasso e a guerra do Irã, que colocou o produtor de soja em compasso de espera em meio à disparada dos custos de produção (fertilizantes, sobretudo).
Como o produtor tende a comprar primeiro o fertilizante e depois a semente, houve uma hesitação maior na compra do insumo.
“Isso gerou um grande atraso de comercialização, que empurrou o setor de sementes”, disse Colpo, a jornalistas. “Não estamos tão diferentes da média do mercado”, afirmou o empresário.
Dados compilados pela consultoria Céleres ilustram o movimento. Segundo a consultoria, 80% da demanda de sementes esperada para a safra 2026/27 foi negociada até junho, abaixo da média de 84% para o período.
Foco na rentabilidade
Apesar do ritmo mais lento, Colpo está confiante que a Boa Safra vai conseguir tirar o atraso ao longo do terceiro trimestre. “Não acho que o produtor vai deixar de plantar. A gente vai ter uma área similar à do ano passado, não tem motivos para uma sobra maior de sementes”, disse.
Além da perspectiva de manutenção da área, também entra na conta o aumento recente no preço da saca de soja, na ordem de 10% a 15%, que também tem trazido de volta esse produtor para o mercado.
Para se diferenciar, a Boa Safra deve oferecer aos produtores uma semente de alta qualidade. “A gente tem a melhor semente da história da companhia, completamente o oposto do que está acontecendo no setor, na média”, disse Felipe Marques, CFO da Boa Safra.
Neste ano, a Boa Safra está focada na rentabilidade da carteira, uma diferença em relação ao que ocorreu em 2025, quando o crescimento foi o foco e gerou uma queda sensível nos preços das sementes.
No ano passado, a sementeira ganhou 2,5 pontos percentuais em market share, refletindo a política de preços mais agressiva. “A gente estava com um time um pouco mais inchado, indo atrás de muitos clientes. Neste ano, estamos mais seletivos”, garantiu Colpo.
***
Listada na B3, a Boa Safra (SOJA3) está avaliada em R$ 712 milhões. Em doze meses, os papéis caem 45%.




