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hobbies ganham cada vez mais destaque na renda dos americanos

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Bloomberg — Em seu apartamento no Queens, em Nova York, Helena Salarini está cercada por alicates de metal, fios e rolos de cordas de nylon comprados na Michaels Cos e na Amazon. A ex-babá de 62 anos dedica grande parte do tempo livre — e do dinheiro, mais de US$ 1.000 por ano — à criação de bijuterias que ela distribui em shows.

O passatempo ficou mais caro, mas vale a pena, diz ela: “É isso que realmente me traz alegria.”

Salarini está entre as pessoas que alimentam um boom de hobbies tradicionais, fora da internet, o que ajudou a sustentar o consumo em um momento de apreensão com os preços altos e as guerras no exterior.

O gasto extra aparece nos dados nacionais, com as categorias de hobby como proporção do consumo total de bens no maior nível da história, superando até mesmo o período da pandemia, segundo números do governo compilados pela Bloomberg.

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No relatório mensal de vendas no varejo, os gastos em lojas de artigos esportivos, hobbies, instrumentos musicais e livros subiram cerca de 10% em julho na comparação anual, mais do que a maioria das categorias acompanhadas pelo Census Bureau.

O interesse renovado em atividades como bordado não se restringe a uma geração. Dados de cartões compilados pelo PNC Financial Services Group para a Bloomberg mostram crescimento anual nos gastos com hobbies em todos os meses desde abril de 2025. O aumento no último ano superou as compras discricionárias de forma geral e abrangeu todas as gerações, da Geração Z aos baby boomers.

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Os números do PNC sugerem que consumidores de todas as idades estão reservando mais espaço para passatempos no orçamento. Em entrevistas, entusiastas que se dedicaram ao golfe, ao journaling (escrita) ou ao artesanato dizem estar dispostos a cortar gastos em outras áreas ou a recorrer às economias.

hobbies

A troca é visível na geladeira de Salarini: para manter os gastos com artesanato, ela compra menos variedades de frutas e queijos. Ela também se exercita com vídeos gratuitos no YouTube em vez de pagar uma academia.

“As pessoas parecem estar se esforçando muito para fazer orçamento e economizar em certas áreas a fim de manter os gastos com hobbies, por enquanto”, afirmou Heather Long, economista-chefe da Navy Federal Credit Union.

gastos com hobbies

Nova legião de fãs

Sofia Szyfer, uma publicitária de 25 anos em Nova York, estima gastar quase US$ 300 por mês com assinaturas de adesivos, compras de papelaria e eventos de artesanato. Mais da metade vai para clubes de correio como o Stickii Club e pequenos criadores independentes de papelaria que enviam cartões postais e outros itens de papel diretamente à sua porta.

Recentemente, Szyfer se aproximou de adesivos com personagens nostálgicos como Hello Kitty, Monchhichi, Miffy e Moomins. As compras alimentam o interesse dela pelo junk journaling, uma mistura de scrapbooking, colagem e registro diário. Ela participa de encontros que servem tanto como fonte de novos materiais quanto como espaço para conhecer outras pessoas.

artesanato

Para compensar o custo, Szyfer raramente vai a bares e festas, gasta pouco com álcool e reduziu as idas a restaurantes e eventos ao vivo.

“Prefiro gastar US$ 50 em adesivos a ir a um evento ao vivo ou a um show”, afirmou.

Ela também está poupando menos. Quando Szyfer começou a trabalhar, tentava guardar 30% a 50% de cada pagamento. Mas desde o início do ano, mal conseguiu colocar dinheiro de lado.

Em todo o país, a taxa de poupança pessoal, a parcela da renda dos americanos após impostos que não é gasta, caiu para 2,7% em junho, o menor nível desde junho de 2022. Os gastos pessoais subiram US$ 70 bilhões durante o mês, superando o aumento de US$ 48,3 bilhões na renda disponível, segundo dados do governo.

“Se você olhar apenas a conta, a forma como os consumidores sustentaram seus gastos em termos reais foi reduzindo a taxa de poupança”, afirmou Stephen Stanley, economista-chefe dos EUA na Santander Capital Markets. “E isso, obviamente, não é sustentável para sempre.”

Febre do artesanato

A febre do artesanato ajudou a impulsionar a retomada da Michaels, que expandiu sua oferta para tecidos, artigos de festa e eventos em loja à medida que os consumidores buscavam formas de criar, socializar e passar menos tempo em telas.

“Nossos dados sugerem que mais pessoas participam de hobbies e artesanato do que antes da pandemia”, afirmou o diretor-presidente David Boone em entrevista. “Há uma espécie de movimento multigeracional”, disse ele. “Se você olhar para cada corte social e faixa etária, estamos crescendo em todas. Da Geração Z aos baby boomers, da Geração X à Geração Alpha.”

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gastos hobbies

Criada como filha de imigrantes chineses, Carolyn Duan aprendeu que a frugalidade era uma necessidade. Mas a jovem de 25 anos, natural da região da Baía de São Francisco, se permitiu gastar mais com materiais de artesanato e tricô, poupando um pouco menos para investir em itens como um kit de agulhas de US$ 217 na Amazon.

“No passado, eu era meio pão-dura quando se tratava de hobbies, ou talvez meio pão-dura de um modo geral”, afirmou Duan. “Recentemente, tenho percebido que, às vezes, quanto mais você gasta, melhor a qualidade de vida.”

A “revolução analógica” vai além do artesanato, como demonstra o boom da corrida no pós-pandemia.

Brian Norris, que voltou a correr após servir no Corpo de Fuzileiros Navais, agora é um maratonista experiente que acumula até 1.900 quilômetros por ano. O profissional de 37 anos do setor imobiliário comercial usa oito pares de tênis, incluindo calçados de corrida de US$ 320.

Os gastos vão muito além do calçado. Norris pagou US$ 899 por um sistema de compressão para recuperação que cobre as duas pernas e gastou cerca de US$ 500 para montar uma banheira de gelo após longas corridas sob o calor da Carolina do Norte. Para economizar, Norris agora procura shorts da Nike na Marshalls, pagando cerca de US$ 15 a US$ 30 cada um.

Ainda assim, a maior despesa com corrida este ano provavelmente será um único fim de semana de prova. Ele estima que participar da Maratona do Corpo de Fuzileiros Navais, em outubro, custará cerca de US$ 2.000 com inscrição, hospedagem, transporte, alimentação e o equipamento necessário para correr com conforto.

“Ficou tão avassalador o quanto isso pode custar”, afirmou Norris, desde géis energéticos até suplementos eletrolíticos.

Em College Park, Maryland, Rocky Hsueh redirecionou grande parte de seus gastos discricionários para o golfe. O contador de 28 anos afirmou que sua maior despesa costumava ser o jogo em cassinos, mas “não é mais tão divertido”.

Ele pagou recentemente US$ 650 por um taco driver Callaway feito sob medida e quase US$ 300 por um monitor de lançamento, que mede seus tiros enquanto ele treina em uma rede no quintal de casa. Um balde de bolas no campo de prática local custa cerca de US$ 13, enquanto uma rodada em um campo de golfe pode variar de US$ 60 a US$ 100.

“Se estou no campo de golfe, mesmo com amigos ou sozinho, é provavelmente a maior diversão que posso ter na minha fase atual”, afirmou.

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