A função de analista de desenvolvimento de sistemas se destaca como a mais valorizada do setor de TI, liderando tanto em número de profissionais quanto em remuneração média entre as cinco principais ocupações de TIC analisadas pelo Relatório de Regionalização dos Empregos CLT de TIC, realizado pela Brasscom. São 252.903 trabalhadores, com salário médio de R$ 8.337, refletindo a centralidade dessa área na digitalização de empresas e serviços. A função exige domínio técnico aprofundado, aliado à visão sistêmica, diante da adoção crescente de computação em nuvem e inteligência artificial.
Entre as ocupações com menor remuneração média, de técnico de apoio ao usuário, ou helpdesk, registra salário médio de R$ 2.334, mas apresentou o maior crescimento absoluto de empregos em 2025, com saldo de 7.089 novos postos. O avanço acompanha a digitalização de processos e a necessidade de suporte a ambientes tecnológicos cada vez mais distribuídos. Já ocupações como programador de sistemas de informação, analista de suporte computacional e técnico eletrônico ocupam posições intermediárias e passam por transformações relacionadas à adoção de linguagens mais modernas, automação e metodologias ágeis.
A área de suporte de TI, segunda maior do setor, alcançou 252.808 empregos em 2025, com saldo acumulado de 61.112 vagas desde 2021. O salário médio cresceu 18,2% no período, chegando a R$ 3.041. Apesar de um ritmo mais moderado, a área segue estratégica na sustentação da infraestrutura tecnológica e pode demandar competências cada vez mais especializadas, como segurança cibernética e gestão de ambientes híbridos.
O levantamento da Brasscom aponta que o país conta com aproximadamente 943 mil profissionais CLT que atuam em ocupações de TIC, evidenciando um setor em transformação, com expansão territorial, diversificação de áreas de atuação e crescente relevância estratégica para a economia nacional.
Nacional
Embora o Sudeste siga como principal concentração do mercado, reunindo 62,5% dos empregos formais em TIC e as melhores remunerações médias, nos últimos dois anos observa-se um crescimento mais acelerado nos empregos de profissionais de TIC fora do eixo Sul-Sudeste. Entre 2023 e 2025, os empregos em TIC cresceram 5,4% no Norte, 3,8% no Nordeste e 3,2% no Centro-Oeste, superando o ritmo registrado no Sul, de 3,1%, e no Sudeste, de 2%.
Os dados evidenciam a expansão territorial e a descentralização gradual do setor de tecnologia no país. Nesse contexto, outras regiões avançam na consolidação de ecossistemas próprios, impulsionados por universidades, parques tecnológicos e políticas públicas de incentivo à inovação.
“Esse movimento reflete a aceleração da transformação digital, que ampliou a demanda por profissionais de TIC, valorizou salários e favoreceu a interiorização das oportunidades. O resultado é um mercado mais dinâmico, resiliente e distribuído, ainda que persistam desigualdades regionais de infraestrutura e capital humano”, explica Roberta Piozzi, diretora de Parcerias e Projetos em Educação na Brasscom.
Panorama regional
No recorte por unidades da Federação, São Paulo lidera o ecossistema nacional de TIC, com 44,7% dos empregos do país e salário médio de R$ 7.321, cerca de 3,2 vezes a média nacional considerada pelo estudo. Além da capital e da região metropolitana, polos emergentes no interior indicam uma tendência de descentralização, favorecida por menores custos e incentivos locais.
Minas Gerais ocupa a segunda posição em número de empregos formais em TIC e apresenta salário médio de R$ 4.955, equivalente a 2,2 vezes a média nacional geral, com destaque para a região metropolitana de Belo Horizonte. O Rio de Janeiro, terceiro no ranking, se sobressai pela segunda maior média salarial do setor (R$ 6.153), impulsionada por demandas de áreas reguladas, como energia, petróleo e finanças, e por incentivos fiscais em zonas de inovação.
O Sul mantém ecossistema tecnológico consolidado, com a segunda maior concentração de empregos formais em TIC no país, 17,5%, e salário médio de R$ 4.972. O Nordeste desponta como polo emergente, com destaque para Recife, Salvador e Fortaleza, reunindo 89.643 vínculos formais e média salarial de R$ 3.950.
O Centro-Oeste, na quarta posição com 62.782 empregos, apresenta média salarial de R$ 4.855, superior à do Nordeste e impulsionada pelo Distrito Federal, onde a média chega a R$ 6.622. A região concentra especializações ligadas a soluções para o agronegócio, bioeconomia e serviços digitais. Já o Norte, com 36.079 ocupações formais e salário médio de R$ 2.715, enfrenta desafios estruturais, mas mantém relevância estratégica para o setor, com a Zona Franca de Manaus e parques tecnológicos em expansão.




