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MCom pede protagonismo à radiodifusão diante do avanço das plataformas digi…

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A evolução tecnológica da radiodifusão brasileira, com a implementação da TV 3.0 e a integração entre televisão, rádio, internet e inteligência artificial, foi apresentada como caminho para preservar o acesso universal, gratuito e confiável à informação no Brasil. Essa foi uma das principais mensagens da abertura do SET Expo 2026, nesta terça-feira, 18/8, que reuniu autoridades e representantes do setor para discutir o futuro da radiodifusão. Ao defender a modernização dos meios tradicionais, os participantes destacaram que a transformação tecnológica precisa estar associada à soberania nacional, à inclusão digital e à manutenção do acesso da população a conteúdos confiáveis e de qualidade.

O presidente da SET, Paulo Henrique Castro, afirmou que o futuro da radiodifusão já deixou de ser uma expectativa e passou a fazer parte da agenda do setor. Para ele, a TV 3.0 representa uma evolução tecnológica sem romper com os fundamentos que fizeram da televisão aberta um patrimônio nacional. “A TV 3.0 preserva aquilo que sempre fez da televisão aberta um patrimônio nacional, a gratuidade, a universalidade e a disponibilidade para todos”, afirmou. Castro também destacou que o projeto desenvolvido no Brasil passou a chamar a atenção internacional. “Durante muito tempo fomos conhecidos por adaptar tecnologias de outros mercados. Isso mudou. Hoje desenvolvemos modelos de negócio, regulamentações e tecnologia, e a TV 3.0 reflete isso”, disse, ressaltando a participação conjunta de governo, empresas, academia e entidades técnicas.

Do ponto de vista regulatório, Octavio Pieranti, conselheiro diretor da Anatel, representando o presidente da instituição, Carlos Manuel Baigorri, reforçou o compromisso da Agência com o fortalecimento da radiodifusão e com os esforços voltados à soberania nacional e ao desenvolvimento do setor. “A Anatel atuará sempre pelo fortalecimento e pela atuação da televisão e do rádio no Brasil”, afirmou. A manifestação ocorre justamente em um momento de transição tecnológica, no qual a evolução da radiodifusão brasileira passa a envolver não apenas novas formas de transmissão e consumo, mas também questões relacionadas à autonomia tecnológica e à capacidade nacional de produzir e distribuir conteúdo.

Na mesma direção, o ministro das Comunicações, Frederico de Siqueira Filho, destacou que o Brasil poderá ocupar posição de protagonismo na evolução tecnológica da radiodifusão. Para ele, a televisão e o rádio já não podem ser compreendidos apenas pelos dispositivos tradicionais. “A TV deixou de estar restrita às telas, o rádio deixou de estar restrito aos aparelhos. Mas uma coisa permanece, a necessidade de manutenção da informação de qualidade e confiável”, afirmou. O ministro também classificou a transformação como uma política pública, ressaltando que a TV 3.0 poderá combinar interatividade, gratuidade, alcance nacional e serviços públicos. “Estamos falando da nova infraestrutura de comunicação e cidadania digital”, disse.

Para Siqueira Filho, portanto, a disputa tecnológica não pode fazer com que a radiodifusão venha a perder seu papel de protagonista na comunicação brasileira. A questão central passa a ser como modernizar a televisão aberta e o rádio sem abrir mão de sua vocação universal. “Vamos deixar que as plataformas digitais surfem essa onda ou os representantes da radiodifusão vão assumir o papel de protagonista?”, questionou. A resposta defendida durante a abertura da SET Expo 2026 aponta para uma radiodifusão mais digital, interativa e conectada à inteligência artificial, mas ainda comprometida com aquilo que a tornou essencial ao país: informação de qualidade, confiável, gratuita e acessível a todos os brasileiros.


O deputador federal Cezinha de Madureira (PL-SP) afirmou que está equivocado quem prevê o desaparecimento do rádio e da televisão. Para ele, a credibilidade dos meios tradicionais ganha ainda mais peso em um cenário no qual conteúdos sintéticos se tornam cada vez mais difíceis de distinguir de conteúdos reais. “Hoje, todos nós olhamos para um conteúdo de IA e já temos dificuldade de reconhecer que aquilo não é real. O rádio e a TV são a verdadeira comunicação de massa do Brasil e precisam continuar seu trabalho”, afirmou. Na avaliação dele, a integração entre rádio, televisão, internet e IA será parte desse próximo capítulo.

Esse movimento, porém, depende também de articulação institucional. Alex Braga Muniz, diretor-presidente da Ancine, defendeu uma aproximação maior entre instituições, empresas e diferentes grupos envolvidos na formulação e execução das políticas públicas. “Precisamos romper o isolamento de instituições, pessoas e grupos empresariais para destravar a gestão pública”, afirmou. Na visão de Muniz, o cenário de transformação tecnológica deve ser acompanhado pela busca de consensos capazes de converter conflitos e mudanças em oportunidades de desenvolvimento. “Toda essa transformação digital nos traz ferramentas para valorizar a singularidade humana em um movimento de construção de consenso para o crescimento”, completou.



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