Para estimular a cadeia da biomassa, que tem sido apontada como o calcanhar de aquiles da indústria de etanol de milho, a FS Florestal tirou do papel o seu primeiro FIDC. A empresa-irmã da FS — de biocombustíveis — levantou R$ 200 milhões para financiar o plantio de eucalipto por terceiros, uma modalidade chamada de fomento florestal.
Estruturado pela Leto Capital (a antiga JGP Crédito), o FIDC permite à empresa acessar investidores institucionais e diversificar a sua base. Até aqui, a companhia tinha emitido CRAs e CRIs, que tradicionalmente acessam o bolso de pessoas físicas.
“O objetivo desse produto era proporcionar uma operação capaz de trazer um fomento à cadeia de biomassa, apoiando produtores de eucalipto e fortalecendo a estratégia de suprimento da companhia”, diz Guilherme Spiller, sócio da Leto Capital e head de securitização da Leto Asset Management.
O fundo, chamado Eucalipto FIDC, tem R$ 250 milhões de patrimônio líquido. O veículo é lastreado em notas comerciais emitidas pela FS Florestal, com uma garantia de cessão fiduciária dos contratos celebrados com a FS indústria para a entrega do eucalipto — a principal biomassa usada no processo de produção do etanol de milho.
“Com esse pacote de garantias, o fundo está no risco da FS indústria”, completa Spiller.
Essa estrutura (de garantias cruzadas) é comum também aos demais títulos emitidos pela FS Florestal, fazendo com que, sob a ótica de crédito, o risco seja interpretado como um só, entre a Florestal e a Indústria.
O novo FIDC
Na estrutura montada, o fundo conta com 20% de subordinação, subscrita pela própria companhia (FS Florestal).
A cota sênior foi alocada principalmente pelos fundos da Leto Capital, acompanhada de um investimento de R$ 70 milhões de um banco. A classe tem como alvo remunerar os investidores a CDI+3,35% e conta com prazo de cinco anos.
O plano é que o FIDC cresça ao longo do tempo, não se limitando a essa primeira rodada. “Tem uma visão de longo prazo, estratégica, que vai permitir à empresa fazer novas séries ao longo dos anos. A ideia é que seja um produto mais perene”, explica Douglas Paixão, sócio da Leto Capital.
No último balanço anual divulgado pela FS Florestal (que considera o ano fiscal encerrado em março), a companhia tem R$ 1,4 bilhão em empréstimos, concentrados em CRIs e CRAs, a uma taxa de juros média de CDI+2,33% ao ano.
Os recursos, assim como é o caso do dinheiro captado com o FIDC recentemente, serão alocados nas atividades relacionadas à plantação, manutenção e expansão das operações de bambu e eucalipto.
A maior parte dessa dívida vence em um prazo mais longo, a partir de três anos. Nos próximos doze meses, a empresa tem de arcar com R$ 131,4 milhões em vencimentos — contando, para isso, com a própria liquidez e com recursos das empresas que compõem o grupo.




