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HSBC vê receita crescer com o boom do comércio entre Brasil e China, diz CEO no país

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Bloomberg — O HSBC está se beneficiando do comércio recorde entre Brasil e China, uma década depois de vender a sua extensa operação brasileira e voltar ao país com foco em negócios globais, que se tornaram um ponto forte.

O financiamento ao comércio exterior contabilizado em Hong Kong para empresas brasileiras era quase irrelevante para o HSBC em termos de receita há apenas três anos. No ano passado, passou a ocupar a 10ª posição entre firmas de 50 países, e agora subiu para a quarta posição, segundo Alexandre Guião, CEO do banco no Brasil.

“As exportações brasileiras de commodities, tanto agrícolas quanto minerais, assim como as importações da Ásia, principalmente China, têm crescido bastante”, disse Guião em entrevista à Bloomberg News no escritório do banco britânico em São Paulo. “Queremos garantir que facilitemos essas conexões” entre empresas dessas regiões, afirmou.

A receita proveniente de clientes brasileiros aumentou 20% no ano passado, incluindo negócios contabilizados no exterior, disse Guião. No primeiro semestre deste ano, subiu mais 37%.

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O motivo é claro: as exportações brasileiras para a China saltaram 20% este ano até julho, atingindo o recorde de US$ 69 bilhões, segundo o governo brasileiro.

Enquanto isso, as importações aumentaram 8%, chegando a um recorde histórico de US$ 45 bilhões, impulsionadas pela onda de veículos elétricos.

Leia também: HSBC alerta para alta ‘explosiva’ do dólar se Fed endurecer tom sobre juros

O Brasil recebeu mais investimentos da China do que qualquer outro país no ano passado, de acordo com o Conselho Empresarial Brasil-China.

Como o maior banco estrangeiro na China, o HSBC está especialmente bem posicionado para se beneficiar dessas relações mais estreitas.

A situação era diferente há 10 anos. O HSBC vendeu sua subsidiária local para o Bradesco em 2016 e, dois anos e meio depois, após um período de não-concorrência, retornou com uma operação que agora é um banco corporativo e de investimentos completo. O banco atende cerca de 720 multinacionais globais e cerca de 80 multinacionais brasileiras.

Globalmente, o HSBC está vendendo negócios, reduzindo e reformulando suas operações, como parte de uma grande reestruturação que inclui o corte de bilhões em despesas. A ideia é simplificar o banco, concentrar capital onde o HSBC possui vantagens estruturais, investir mais em gestão de fortunas e fluxos ligados à Ásia, e usar inteligência artificial para cortar custos e melhorar o atendimento ao cliente.

Na América Latina, isso significou a venda de sua unidade no Uruguai em 2025 para o BTG Pactual por US$ 175 milhões e a alienação da subsidiária na Argentina em 2024 para o Grupo Financiero Galicia por US$ 550 milhões.

No México, onde o HSBC manteve um banco completo, incluindo um negócio de varejo, a instituição decidiu se concentrar em clientes de maior renda e fechou cerca de 200 agências em 18 meses, segundo Jorge Arce, CEO e presidente do banco no México e responsável por América Latina.

O HSBC também possui um banco no Chile, “uma nação muito importante para o corredor Ásia-América Latina”, disse Arce, enquanto na Colômbia tem um escritório que também atende o Peru.

“Se você observar as multinacionais que operam em todo o mundo, o Brasil e o México estariam entre as cinco ou dez maiores em seus respectivos mercados”, afirmou Arce.

Entre os negócios recentes do HSBC, destaca-se um pacote de financiamento de US$ 1,5 bilhão, liderado em conjunto com a International Finance Corp. (IFC), para a Acelen Renewables, braço de energia renovável do Mubadala Capital, para a construção de uma biorrefinaria totalmente nova na Bahia.

Mas houve alguns percalços. Grandes reestruturações de dívidas no Brasil, de empresas como a produtora de açúcar e etanol Raízen e da rede de supermercados GPA, conhecida como Cia. Brasileira de Distribuição, impactaram o lucro do HSBC. Mas Guião afirmou que esse impacto foi mais do que compensado pelo crescimento da receita.

Após essas reestruturações de dívida, o HSBC fez uma pausa para revisar seu portfólio e decidiu adotar uma postura mais conservadora na concessão de crédito, disse ele.

Arce classificou essas ocorrências como “parte do negócio”, acrescentando que “no fim das contas, acredito que as reestruturações de dívida dessas empresas serão positivas para os credores”.

As taxas de juros persistentemente altas do Brasil “nos deixam cautelosos”, disse Arce, mas acrescentou que as empresas brasileiras “são muito resilientes”. A taxa básica de juros do Brasil está em ou acima de 14% há mais de um ano.

O alto custo de financiamento e a “crise de crédito” para algumas empresas no mercado local brasileiro também criaram oportunidades para o HSBC, que aumentou o volume de empréstimos bilaterais concedidos fora do Brasil, disse Guião. Os negócios de gestão de caixa, pagamentos e câmbio para clientes brasileiros também estão em expansão, disse.

O plano é continuar investindo no Brasil, apesar das incertezas geradas pelas eleições presidenciais de outubro, disseram ambos os executivos.

“Independentemente de quem vencer, o Brasil continuará sendo um mercado muito atraente para nossos clientes, e estaremos aqui para atendê-los”, afirmou Arce.

Veja mais em bloomberg.com

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